Rússia oferece vagas para estudantes brasileiros
Ontem recebi um release – que aliás recebo todo ano – informando sobre a abertura de cursos para brasileiros na Rússia, pela Aliança Russa de Ensino Superior. Seriam 85 vagas, em oito especialidades (química, biologia, física, medicina, relações internacionais, engenharia e direito internacional), em universidades espalhadas por todo o país. O prazo é curto, até 30 de julho, mas a concorrência não deve ser lá muito acirrada.
Não conheço alguém que tenha ido estudar lá pela ARES – aliás, se você tiver estudado lá e por acaso topar com esse blog, entre em contato -, portanto, não posso opinar sobre o programa. O que sei é que todo e qualquer intercâmbio com a Rússia tende a ser problemático. Salvo exceções, sempre dá dor de cabeça no início, foi assim antes de mim, depois de mim e, bem, durante mim. Caso você realmente esteja interessado, o que sugiro é: paciência. Evite ir para lá sem saber patavinas de russo. Por mais que garantam que o conhecimento da língua não é obrigatório, tenha em mente que você está indo para um país absolutamente diferente do nosso, que até outro dia prendia quem falava inglês pelas esquinas. Então, se for o caso, estude um aninho aqui e depois zarpe para sua aventura.
Outra dica crucial é converse com quem já estudou lá ou com quem mora lá. Isso é muito importante e vai te preparar para o inverno/língua/receptividade/mutretas. Não vá às cegas. As coisas ficam muito, mas muito difíceis. Se, de acordo com as agências de intercâmbio, o índice de retorno de alunos que vão estudar em países como EUA, França e Canadá bate os 50%, imagine em lugares como a Rússia…
Tenha tudo, mas tudo, por escrito. Assinado. Sacramentado. E, se possível, gravado. É praxe mudarem tudo quando você chega por lá. Então, se garanta. Outra dica fundamental é com relação ao visto. Existem mais de 20 tipos de visto para brasileiros, então, tenha cuidado de pedir um visto que valha por muito tempo e/ou possa ser renovado DENTRO da Rússia. Eu, por exemplo, peguei o visto errado e fui aconselhado a dar uma voltinha na Finlândia, para receber um novo. Claro que existem meios “não-oficiais” e mais rápidos para resolver isso, mas, infelizmente, isso custa alguma coisa…
Os preços das faculdades na Rússia são muito inferiores aos da Europa ocidental. E o ensino, muitas vezes, superior. Entretanto, tenha em mente que a faculdade no Brasil é um playground se comparado à da Rússia. Eles são duros, ríspidos e a cobrança é fortíssima. Esteja preparado para mostrar seu melhor futebol e jogar sério.
E a notícia boa para quem está indo agora é que, a partir de 2010, os diplomas russos – NEM TODOS ELES – vão passar a valer em toda a União Europeia. Mas cheque antes. Muitos diplomas viraram “jogo americano” ou forraram gaiola de passarinho, já que não valem nada e obter validação no Brasil é missão impossível.
Eu recomendo fortemente estudar na Rússia. Mas recomendo muita informação com muita antecedência. Isso vai fazer com que você não cometa muitos dos erros que eu – e muitos outros – cometemos.
Ah, os contatos para quem quiser saber mais sobre o programa estão aqui, via “O Globo”, ou aqui, direto no site deles.










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