Comidas Bizarras na Rússia: da lampreia ao caviar

Uma das coisas que mais me perguntam, quando o assunto é Rússia, é sobre a comida de lá. Não sou nenhum expert – e vira e mexe recorro à madrinha do blog, a Luciana, para tirar minhas dúvidas sobre o que é ou não comível. O fato é que passei algum tempo em algumas cidades e pude provar um bocado de coisa. Por isso, adorei quando minha chefe comentou sobre o ‘Bizarre Foods’ em São Petersburgo.

Para quem não conhece, trata-se de um chef louco americano chamado Andrew Zimmern, que roda pelos 4 cantos do mundo experimentando todo tipo de comida louca que existe. Na Rússia, ele optou pelo glamour-indie-cool de São Petersburgo. E lá se divertiu provando a nada exuberante comida russa. Sim, todo mundo há de concordar: a boa mesa não é uma característica do país. O clima difícil, o histórico geopolítico e as características de cada povo que compõe a Federação Russa fazem do país um lugar onde ‘menos é mais’.

Zimmern começa em Piter, vai para Pavlovsk e acaba numa Dacha em Sosnovo, tudo ali na área. Na cidade, ele começa pelo mercado Kuznechny, uma espécie de feira fechada, com carne, vegetais e todo tipo de temperos. O mercado abriu em 1926 e bomba até hoje. Mas comprar ali é um saco. Os vendedores são meio antipáticos. E a variadade é infinita. Tem dezenas de tipos de salsichas, presuntos, carnes…

Ele começa com um terrine, que é francês… Aliás, vale ressaltar, a cozinha russa tem bastante influência da França, por questões históricas. Depois, vão para as conservas. E Zimmern nota bem: os russos tacam qualquer coisa em conserva. Claro, com apenas 4 meses de temperatura decente por ano, é uma ótima ideia conservar tudo. E isso eles fazem muito bem! Qualquer coisa em conserva na Rússia é uma delícia! Ah, sobretudo com vodka…

Depois, ainda no mercado, o viajante prova o mel. Para quem não sabe, a Rússia é o maior produtor de mel do mundo. Tanto em volume, quanto em variedade. Dá pra se perder com os sabores de tudo que o mel tem. De girassol até carne, tudo é uma delícia.

Do mel para o creme. Os russos são mundialmente conhecidos pelos cremes. Não sei como se chama por aqui, talvez sour cream, mas a smetana é a cara da Rússia. Tem creme grosso, azedo, fino, acodicado… Para todos os pratos! Peixes também são um forte de lá. Defumados, cozidos, fritos. Eles provam um vobla defumado. Outro excelente petisco para ajudar a vodka a descer bem…

Depois, virou uma coisa engraçada. Zimmern começa a provar a ‘fast food’ russas. A primeira parada é o у тещи на блинах (U teshi na blinah), uma já clássica rede no estilo russo, que tem em um bocado de canto em S-Pb e em Moscou. Significa ‘Na casa da sogra em blinis’, algo assim. Tem um bocado de prato típico russo, katleta, pierogi, pelmeni, váááários tipos de borsch, vegetais, conservas e defumados de tudo quanto é jeito. Uma delícia. E baratex! Se você for para lá, procure. Vai valer a pena! Só não espere menu em inglês. E Andrew se lascou, claro…

Nas ruas de Piter, Zimmern prova o Kvass. É tipo uma cerveja, feita de pão fermentado. Uma coisa muito típica de lá. Talvez isso explique o fato de só os russos gostarem desse negócio… A próxima parada é um quiosque de blinis. É uma espécie de panquequinha com recheio de tudo que você imaginar. Gostoso e tudo mais, mas, nada de especial.

Dali, Zimmern foi para Pavlovsk, que fica perto de outro pólo turístico, a cidade Pushkin. Dali, a melhor pedida seria comer no clássico e famosíssimo restaurante Подворье (Podvorye). Todo feito em madeira e com um típico ambiente da Rússia antiga. Uma delícia, que tive o prazer de ir apenas uma vez.

O incrível é que, em abril último, o restaurante foi completamente destruído após um incêndio criminoso. No dia seguinte, porém, já havia uma turma de funcionários trabalhando em sua reconstrução. Dada a extrema complexidade da obra, o pessoal trabalha minuciosamente, 7 dias por semana. E o plano é que ele reabra no dia 7 de outubro. Por enquanto, ocorrem ações como picnics, festas, shows, na área do restaurante. Uma grande pena.

Разбор завалов. Сгоревшее «Подворье» отстроят к Новому Году

Mas, voltando ao programa, no Подворье, Zimmern prova salo, uma gordura de porco que o pessoal lá come loucamente, carne de urso (sim, eles comem isso lá. não, não é tão popular quanto ele fala!) e a pior coisa do universo: a lampreia, ou Миноги (minogi). Um peixe-enguia-sanguessuga nojento que tem gosto de urina. Provem e depois me contem…

Zimmern parte então para o Grand Hotel Europe, o lugar mais fino e caro da cidade. Não sei nem onde fica, mas tenho boa parte das vodkas que eles mostram no programa aqui em casa… Depois, prova o ‘ovo no ovo’, uma receita simples e exótica, pelo caviar que ela leva.

E claro, não podia faltar a degustação do legítimo caviar russo. Os três mais nobres do mundo estão ali: o beluga, o sevruga e o ossetra. Quinze graminhas do beluga custam uns 80 dólares, para se ter uma noção… Mas se você puder, se dê essa extravagância. Eu acho caviar uma superdelícia. Mas tem gente que odeia… Ali o chef provou ainda o tradicional e legítimo beef-strogonov, com creme, cebolas caramelizadas e tiras de filé. Diferente do nosso, claro. Delícia!

Para tirar a inhaca de rico, Zimmern partiu para uma Dacha – tradicional casa de campo russa. E lá, como sempre, há um banquete. E a tradição manda comprar tudo pelo caminho. Ele para numa banquinha de cogumelos. Russos vivem para os cogumelos. Entendem tudo, desde pequeninos. São mais de cem tipos que você pode comprar e comer. Eu tentei, mas não é minha praia…

Agora era a hora da carne. Nas estradinhas, sempre tem uma casinha que vende o material para nosso ‘shashlik’ – o churrasquinho russo. Tem frango, carne e peixe, tudo marinado, defumado, salgado, temperado, do jeito que você quiser. Tem mel e conservas também. Tudo fresquinho! E baratinho!!!

Depois, o americano prova o shashlik. Não tem nada mais russo do que um shashlik na dacha. Com vodka, claro! Você vai poder ver que ficou bem legal, o programa. Eles vão para a banya depois, com direito a mergulho no lago gelado. Mas aí… Bom, eu passo! :D

De qualquer forma, vale a pena curtir o programa, se você gosta e planeja ir para a Rússia. Ficou bem autêntico! Dá uma espiada!

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5 respostas para “Comidas Bizarras na Rússia: da lampreia ao caviar”

  1. Natasha disse:

    Ohhhhh, muito bom!!!!!!

    fiquei com saudades de minha comida querida, deus!!!….. mas nunca escutei que as pessoas lá comiam carne de urso, nao sei…..

    Salo….Odeio salo, hahhahahahah mas que verdade, todo o mondo come salo loucamente, começando da minha mãe:))))
    Obrigada pelas lembranças!

  2. julia disse:

    Nossa, adorei! Vou experimentar coisas que ainda não provei!
    Na primeira vez que vim, não curti a tal bebida Kvass, mesmo pq não gosto de cerveja. Na segunda vez, de vez em quando, tive que tomar pra ser educada e até me acostumei, agora na terceira vez já tomo pq gosto! hahaha mas a das barraquinhas na rua é mais gostosa do que no supermercado, é mais docinha! :)

    • fabyuri disse:

      oi julia, tudo bem?
      nossa, realmente, eles te ‘priruchili’ direitinho hein? ja ta ate gostando de kvass. eu sempre odiei kvass e sua derivada, a ‘okroshka’. nao chego nem perto!!!
      alias, vc ta ai na russia agora neh?
      abracos, obrigado pela visita e pelo comentário!

  3. domotica disse:

    domotica…

    [...]Falando Russo » Blog Archive » Comidas Bizarras na Rússia: da lampreia ao caviar[...]…

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