Indo para a Ucrânia: o que fazer e o que não fazer

O Anderson é um desses caras legais que conheci via blog. Fanático pela Ucrânia, decidiu ir no último inverno para Ternopil. Aí, seguindo uma sugestão minha, para conhecer o país no verão, voltou para lá agora no verão. Resultado: conheceu dois países completamente diferentes, viveu emoções bacanas, acumulou experiência e, o mais legal, foi generoso o bastante para escrever suas impressões e passar algumas dicas de como agir, o que fazer e, sobretudo o que NÃO fazer.

Esta última categoria, aliás, eu já adianto: tome cuidado com o que você fala para os oficiais de alfândega, em qualquer país do mundo. Não minta, mas não seja sincero demais. Ninguém espera isso. O que se quer é a verdade e o procedimento padrão. Eles não são seus amigos, provavelmente estão sendo simpáticos com você para ver se há inconsistências na sua história e, enfim, são os caras que controlam quem o país quer receber. Ou seja, nada de falar que vai ficar na casa da amiga que você conheceu via internet!

Bom, vamos aos relatos do Anderson, versões verão e inverno.

Quando cheguei no aeroporto de Kiev estava fazendo -32 graus. Dá para imaginar o que é isso? Não tem como. É só estando lá mesmo. Desci do avião prevenido com o que havia levado aqui do Brasil. Em um primeiro momento, enquanto a adrenalina estava alta, foi suficiente para suportar. Conversando com outras pessoas que também estavam visitando a Ucrânia, ainda dentro do onibus após sairmos do avião, todos estavam rindo daquela situação. “Oh my Lord, what’s this?”, alguns ingleses diziam.

Depois de pegar um táxi, esperei por volta de duas horas pelo meu trem. Durante todo esse tempo, eu quase morri! Só estava com o rosto de fora, mas parece que o frio entrava pela respiração e me congelava inteiro, meu nariz e minhas orelhas pareciam não existir mais. Mas, antes disso, me achei o Super-Homem, tirando algumas fotos na rua “curtindo o frio”.

Foram dias maravilhosos na Ucrânia. As pessoas à primeira vista pareciam ser sérios, sistemáticos, mas na maioria das vezes eles acabaram não resistindo e perguntavam de onde eu era. Quando dizia que era do Brasil a resposta era um amplo “Ahhhh, Brasil!!! Ai vinha assunto de futebol, carnaval, calor e tal…. Diziam que era corajoso estar lá com um frio terrivel daqueles. Teve um cara que até me convidou para jogar uma partida de futebol quando eu voltar lá no verão, e disse que eu falava melhor ucraniano que o primeiro ministro…

Recebi naquele lugar uma hospitalidade fantástica! Todos tinham muita preocupaçao em fazer me sentir confortavel e BEM MUITO BEM alimentado! Foi estranho claro chegar de manhã e ter pato no café da manhã me esperado. Mas comi o famoso vareneky, o borsch e um tipo de suco de concetrado de frutas muito interessante (sem alcool).

As mulheres são muito bonitas e os homens são bem parecidos entre si, altos na maioria. Fiquei, claro, admirado com o respeito com os pedestres. Havia momentos em que eu, parado na calçada, via os motoristas pararem para a gente atravessar. Questão cultural claro. Os bancos sem detector de metais, sem segurança, achei muito atipica essa situação…

Quando estavamos chegando em kiev alguns começaram cantar “ще не вмерла Україна” e eles conversaram e deram risadas o vôo todo.

(…)

Segui sua sugestão e novamente fui para Ucrânia. Estive lá por 10 dias enfrentando calor de 33 graus dessa vez. Realmente é impressionante como tudo se transforma. Tudo muito verde, vivo e florido no caso da cidade que fiquei novamente – Ternopil. Visitei a Holanda e Alemanha antes. Conheci as respectivas capitais de cada país. A minha impressão foi de que eram outro mundo, outro nivel de mentalidade e estilo de vida. Mas talvez eu seja muito ingênuo e simples. Mas não me senti feliz nesses lugares, foi uma sensação estranha. A Ucrânia, de certa forma, ouso afirmar que se parece com o Brasil em alguns pontos, por isso me senti mais em “casa”.

Na minha primeira visita levei uma montanha de papéis comigo e, claro, a carta convite registrada na Ucrânia, tudo certinho. Cheguei por Kiev, mas sequer perguntaram o que eu ia fazer lá. Fui novamente cheio de confiança e não levei nada comigo (a validade da minha carta convite tinha acabado no último dia 9 de junho). Cheguei por Lviv e, quando fui passar no controle de passaporte, viram que eu já tinha estado na Ucrânia há poucos meses e começam a me interrogar sobre o que eu estava fazendo lá novamente.

Dai você não entende o que eles estão falando… Um pega seu passaporte, passa para o outro e vem o capitão, olha pra mim e pergunta o que eu estou fazendo lá. Enfim, foram longos minutos de angustia e medo, com os caras me fazendo um pressão terrivel de que eu teria que voltar para Varsóvia e não iria poder entrar na Ucrania sem um documento que comprovasse o que realmente fui fazer lá.

Eu disse minha versão para cinco pessoas. Havia ido lá para visitar uma amiga que conheci pela internet, blá blá blá… Disse que ela estava me esperando ali no aeroporto e que eles poderiam falar com ela e confirmar minha versão. Falei também a respeito do acordo de isenção de vistos e o capitão disse que independente do acordo tenho que levar carta convite. Bom não quis refutar. Fiquei quieto desse minuto em diante e na verdade quase chorando, por que eu já tinha passado bons bocados em Varsóvia, estava cansado para caramba e os caras fazendo muita pressão, me questionando quase tudo. Dai ele disse que aquilo era necessario devido ao trafico internacional e tal. Sim eu entendi que ele tinha razao de fazer aquilo, mas foi foda.

Num ultimo instante que estava desesperado ele olhou para mim e disse: “Anderson” igual o lutador Anderson silva né?” Eu pensei “que sacanagem esse cara fazendo piadinha agora”. Me questionou 3 vezes “você está aqui para turismo, certo? Posso confiar?” E nas três vezes respondi: “Estou aqui para visitar minha amiga em Ternopil”, respondi dessa forma.

Poderia talvez ter respondido de outra maneira. Essa garota que fui visitar até então era somente minha amiga de fato. Talvez eu pudesse ter aberto o jogo, sei lá. Porque os caras questionaram muito a respeito de como eu conheci essa garota e tal. Eu só disse a verdade, que ela era minha amiga que conheci através da internet no site “Livemocha” onde eu estava aprendendo Ucraniano.

Enfim ele olhou para mim, entregou meu passaporte e disse: “Anderson, te desejo tudo de bom”. Eu estava num Mix de raiva e vontade de chorar. Mas foi foda… Carta-convite é essencial esse é o meu conselho

Foram 10 dias de paz em Ternopil. Minha próxima viagem para Ucrânia? Não sei. Na próxima é ela que vem me visitar.

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13 respostas para “Indo para a Ucrânia: o que fazer e o que não fazer”

  1. Fabio disse:

    Poxa, estive em Kyiv 15 dias atras e na imigracao soh me perguntaram se estava a turismo! Soh! Achei incrivel. Acho que o Anderson deu azar, como quando eu viajei da Irlanda a Portugal, e em Porto o agente da imigracao resolveu fazer toda a verificacao padrao, mesmo eu tendo visto de residencia. Paciencia.

  2. oi Anderson

    Excelente relato! Estou em Kiev estudando russo esse julho,e estou adorando. Pessoal mais receptivo que em Moscow, e a comida é incrível.

    Sobre o visto, cruzei duas vezes a fronteira e não tive problema nenhum. Mal olharam pra minha cara. Infelizmente, a Ucrania é um pais como qualquer outro: e pessoal sempre fala que os policiais estão atras de dinheiro não só dos turistas. As vezes voce caiu com um desses.

  3. Rafa disse:

    Anderson, estive na Ucrânia em Julho de 2011 quando ainda para turismo necessitava visto, e agora em Julho de 2012(uma semana atrás) quando já não precisava visto, fico feliz que tenha dado tudo certo para você, e compartilho contigo o mesmo entusiasmo com o país, tanto voltei após um ano. Mas, no site do consulado fica claro, que motivo de visita àlguem que você não está registrado em nenhum hotel, é caracterizado como visita de caráter pessoal (particular) e necessita de carta convite. Fiquei também, cheio de receios ao voltar ao país em um prazo curto de 1 ano, por isso, mesmo indo também visitar colegas, fiz questão de ter reservas em hotel para evitar esses questionários. De qualquer maneira, achei muito fidedigno seu relato! :) До побачення

  4. Valeria disse:

    Estive na Ucrânia em dezembro de 2011, e entrei no primeiro dia depois da queda do visto. Fui para Lviv visitar conhecidos e entrei pela fronteira com a Hungria, de carro. Me fizeram algumas perguntas mas não me pediram nenhum documento além do meu passaporte. Inclusive a agente alfandegária brincou dizendo que agora que não havia mais necessidade de visto, iria ao Brasil ver o Carnaval. Mas também ouvi essas “estórias” sobre a polícia e inclusive, uma vez, estava junto quando isso ocorreu com meus conhecidos de lá.

  5. Andressa disse:

    Oi !
    Primeiramente parabéns pela matéria.
    Dia 15 deste mês estarei indo para Ucrânia conhecer A familia do meu namorado. Vou chegar no aeroporto de KIEV e mesmo lendo sobre a isenção de visto, estou com medo deles me barrarem na imigração.
    Que documentos preciso levar para apresentar,caso eles perguntarem ?
    Me desejem sorte e boa sorte a todos que irão passar por essa complicada etapa.

  6. Andressa disse:

    Muito obrigada pela informação. Amanha e o dia da minha viagem. Estou bem nervosa, feliz e confiante. Pode deixar que eu vou contar sim a minha aventura. Que corra tudo bem !

  7. Andressa disse:

    Oi !
    Neste exato momento eu estou na Ucrânia. Que país MARAVILHOSO !!!
    Recomendo a todos conhecer e nao esquecendo de dar uma passada em Lviv e em Bukovel pra esquiar. Tive 2 horas de treino com o instrutor. Depois eu ja estava “voando” na neve. Detalhe : os instrutores falam Inglês.
    Quanto ao visto, passei de boa, o cara apenas conferiu a página da foto , folheou as páginas do passaporte e carimbou. Nem sequer falou um “oi” quando eu cheguei.
    Mas nunca esqueça de ter os documentos pedidos, pois vi turistas sendo interrogados.
    Mas o mais importante é que nós, Brasileiros não precisamos de visto.
    Amanhã será o meu último dia aqui. :( concerteza pretendo voltar.
    Pra todos que virão, uma boa viagem e boa sorte ! E obrigada Fabrício pelo excelente site. Sempre acompanho.

    • Oi Andressa,
      Servimos bem para servir sempre! =)))
      Brincadeiras à parte, que bom que fui útil. Precisando, é só chamar.
      Aliás, reitero meu convite: se quiser contar sua experiência com fotos aqui no blog, a porta está aberta!
      Abraços e boa volta!
      Fab

  8. Andressa disse:

    Seria ótimo !!!

  9. Anderson disse:

    Boa tarde. Meu nome também é Anderson, porém não relacionado ao do blog.
    Voltei da Ucrânia ontem, e confesso que continuo lá em alma. Visitei a cidade de Lviv. Romântica, linda e ainda mais com a minha companhia.
    A mais ou menos um ano, conheci uma pessoa na internet que mora lá, e finalmente no dia 08 de fevereiro, eu a conheci pessoalmente. E voltaria cada minuto dessa trajetória toda se pudesse.
    Linda, o filho também. Sincera, honesta, apesar da distancia e diferença cultural, não mentiu e nem omitiu nada até então.
    Amei Lviv, me apaixonei mais ainda em Lviv. Conto as horas para voltar lá, e ter a mesma sensação e emoção quando as portas do aeroporto se abrem, e ela esta lá do outro lado esperando e chorando por vocé. Temos a mesma tatuagem no pulso. LIVE FOREVER.
    Essa nossa história, será sempre lembrada.
    Voltarei lá. De corpo. Porque minha alma e coração, ficaram junto dela!

    Não importa a distancia. Não importam as diferenças. Ouça seu coração.

  10. Daiane Cristini disse:

    Olá!
    ótimo blog!
    Embarco para Ucrânia (Kiev) dia 7/jun…farei uma visita turística á Chernobyl! Estou realmente ansiosa com toda essa história de visto (precisar ou não), mas pelo que vi realmente não é mais necessário.
    Continuarei acompanhando o excelente blog!
    Abraços!
    Dai.

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