A Rússia continua com Deus. Pelo menos no hino

A iniciativa do deputado do Partidão da Rússia (para quem não sabe, Partidão é como a gente chamava o Partido Comunista nos dias de chumbo), Boris Kashin, de retirar a palavra ‘Deus’ do hino nacional russo foi barrada pela Duma. E a bancada do Senhor de lá alegou um motivo bem burocrático: não há dinheiro.

No final do ano passado, Kashin, sob alegação de que a Rússia é um estado laico, apresentou a ideia aos companheiros: substituir ‘Bogom’ (por Deus)  do último verso da segunda estrofe não-refrão do hino por ‘Nami’ (por nós). Então ‘Hranimaya Bogom rodnaya zemlya’ (guardada por Deus terra pátria) ficaria ‘Hranimaya nami rodnaya zemlya’ (guardada por nós terra pátria).

Musicalmente não faz tanta diferença. Tirando que alteraria o soberbo texto do falecido Sergei Mikhalkov, um mestre na arte de fazer hinos e um pedaço da história dos três países que ocuparam aquelas bandas nos últimos 100 anos: Império Russo, União Soviética e Federação Russa. E, se a letra foi feita por um bastião histórico, a música então, nem se fala. Produto do arquimestre Aleksander Aleksandrov, que compôs a melodia para ser hino do Partido dos Bolsheviques, nos anos 40. Então, mais do que mudar um hino, a alteração seria algo como mudar a história.

Então, Kashin recebeu do vicê-premiê uma justificativa bem cafajeste: algo como ‘para mudar o hino, precisaríamos de material que demonstre que a ideia tem suporte – com dados e estatísticas – e 120 mil rublos. E não recebemos nem uma coisa, nem outra’. O projeto foi devolvido para o deputado com o carimbinho de ‘rejeitado’. Com toda a simplicidade e objetividade russa possível.

Particularmente, acho muito estranho tudo isso. Em quase todos os hinos do mundo há referência a Deus. No hino das revoluções, a Marselhesa, tem: ‘Grand Dieu! par des mains enchaînées’. No hino da Venezuela de Chavez, referêndias divinas. Enfim, em todo canto, uma referência divina não parece ferir os patriotas ateus. Ou revolucionários. Ou comunistas.

Pra fechar, eu acho muita responsabilidade tirar dos ombros de Deus a responsabilidade de guardar uma nação e colocar nos do povo. E isso, entenda como quiser.

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