Agentes secretos

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Repare na foto: Centro de Moscou, esquina da badalada Arbat com a movimentada Nikitski
Bul´var. Segunda feira de maio, por volta das 11h. Estávamos passeando,
eu, minha esposa e uma amiga, papeando, em um momento turista. E, por
coincidência, conversávamos sobre como Moscou muda muito a cada ano,
cresce, e como o trânsito fica um inferno mês após mês. Dizíamos que,
se a gente acha o trânsito de SP um inferno, perto da capital russa,
não é nem ‘tráfego intenso’.

De repente, tudo para. O Centro
fica vazio, ninguém atravessa as ruas, nenhum carro passa, nenhum
ônibus anda. A gente estranha muito tudo isso, mas eu e a amiga russa
já desconfiávamos, por isso ficamos quietos. Mas minha esposa, ainda
não muito escaldada, saca a máquina fotográfica para registrar o
estranho momento ‘Fim dos Dias’.

E aí vem o susto. Do nada, um
homem estranho, com cara de mendigo mas vestindo uma jaqueta de couro
preta, voa para o nosso lado, gritando em russo e com a mão dentro de
um dos bolsos do casaco e com olhos atentos. A moça brasileira nada
entende, olha pra mim e para a russa, já tendo a certeza de que havia
perdido a máquina fotográfica para o suposto ladrão.

Calmamente
e sem movimentos bruscos, eu pego a máquina da mão trêmula da minha
companheira, e explico ao ‘mendigo’ que foi ‘sem querer’. A russa diz
que somos ‘turistas’ e o sujeito pergunta como um turista fala russo.
Eu digo que sou brasileiro e que minha esposa também é – basta olhar
para a morenice dela. O sujeito olha, atesta, para de gritar e
desaparece na multidão.

De repente, a carreata infindável com
homens fortemente armados correndo, com algum figurão político –
possivelmente Medvedev ou Putin – cruza a via. Logo depois, vida volta
ao normal: trânsito, buzinas, engarrafamento, gente correndo feito
formiga.

E o ‘mendigo’, desaparece. Mas, durante alguns minutos,
tivemos a estranha sensação de estarmos sendo seguidos e monitorados.
Foi o primeiro contato de uma brasileira com a FSB, o serviço secreto
russo.

Então, se você estiver por lá e algo estranho
acontecer, é muito mais provável você ser abordado por um agente
secreto do que por um ladrão. E evite as fotos! =)))

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Mestrando em Russo pela USP, formado em jornalismo pela UFF, Letras português - russo pela UFRJ e quase-formado em Cinema, ainda pela UFF, com pós-graduação em Moscou, pela MGU. Morei em Moscou e conheço bem muitas outras cidades russas e do Leste Europeu. Sou um profundo interessado no Cáucaso, onde também estive em várias cidades algumas vezes.
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