Bate-papo sobre a Rússia no ‘Colherada’

Recentemente, fui convidado por uma amiga para falar um pouco sobre Rússia e minha relação estranha com esse país misterioso e fascinante. O resultado é esse post aqui, no gostoso site “Colherada Cultural”, que, se você ainda não conhece, deveria dar uma espiada.

Aqui vai um trechinho do papo. O resto você pode conferir lá mesmo. Esteja convidado a dizer o que achou, se concorda, discorda…

O post na íntegra está aqui.

Qual é a sua relação com a Rússia, um país tão diverso em cultura se comparado ao Brasil?
Fabrício Yuri – Minha relação com a Rússia… Não sei explicar. Começa e termina com a literatura, passando pela vodca, língua, amigos, política, frio e trens. É como diz o verso do poeta Fyodor Tyutchev, que todo russo sabe de cor: “Não se entende a Rússia com a razão / não se mede com medidas comuns / Ela tem forma própria / Na Rússia pode-se apenas acreditar”.

Como você vê a situação sócio-política da Rússia hoje, com Vladimir Putin ganhando novamente as eleições para presidente (ele assumiu o cargo essa semana), desta vez com fortes suspeitas de fraude na apuração dos votos?
Fabrício – Putin é um mal necessário. Não havia e não há outra força capaz de mover esse gigante. Lembro que a Rússia nunca soube o que é a democracia. E teve pouquíssimos períodos de paz, sem guerras internas ou externas. Mas creio que, agora, a tendência é mudar (embora no último domingo, 6 de maio, a pancadaria tenha rolado solta em um protesto por mais democracia). A geração soviética está saindo de cena, o cidadão comum está viajando mais, entendendo o mundo. Mas o símbolo do país é uma águia de duas cabeças. O russo nunca sabe o que é: se um asiático na Europa ou um Europeu na Ásia.

Sobre as fraudes, bom, ao passo que o russo está entendendo o mundo, o mundo não está entendendo a Rússia. A fraude na Rússia acontece de formas tão bizarras que é difícil crer. Mas isso é irrelevante. O problema maior é o monopólio da comunicação. A eleição começa e acaba aí. Não tem propaganda, não tem galhardete, santinho. Tem praticamente todos os canais de rádio e TV dando espaço para um candidato. Isso é fraude? Talvez. Mas é difícil explicar e vender jornal. Isso prova muito mais a incompetência de uma oposição que durante anos só se preocupou em viver das mordomias roubadas do espólio soviético e agora quer ter poder. Mas o principal “opositor” de Putin nunca ocupou um cargo público, tem relações com ultradireitistas, tem tendências homofóbicas e totalitaristas e, pior, estudou nos Estados Unidos. Mas isso também não é interessante sair nos grandes jornais. Ou seja, o russo não tem para onde correr…

Entre os viajantes que já passaram por Moscou, especialmente (não tanto São Petersburgo, que se apresenta até mais como uma cidade turística), há muitos comentários negativos da maneira como os russos tratam os turistas (de forma ríspida, por exemplo). Isso é verdade? Ou é uma daquelas lendas envolvendo a cultura dos países, como acontece quando dizem que os franceses são mal educados?
Fabrício – Eles têm uma metáfora para isso: o russo é como um rio congelado. Sob a camada de gelo, há um ambiente cheio de vida. Russos são os melhores hóspedes do planeta. Há um ditado que diz “o convidado é um santo” (ou um presente de Deus). Você chega na casa deles e é constrangedor. Eles te oferecem tudo o que têm. E ai de você se recusar… O problema é que, durante décadas e décadas, não havia turismo por lá. Como você convence gente que sequer sabia o que era “conta bancária” a viver do turismo, a explorar o tal santo ou presente de Deus? Existem cidades lindas, como Kazan, Yekaterinburg, Volgograd, Sochi, Ryazan, que só agora estão recebendo visitantes. Mas sim, russos são secos e duros no primeiro contato. Assim como europeus em geral. E assim como os brasileiros são extremamente sensíveis. Mas, se você conseguir se comunicar com um russo, não dou cinco minutos para se tornarem grandes amigos.

Por que um viajante deve passar pela Rússia nas suas próximas férias? O que ele vai encontrar por lá de marcante e único?
Fabrício – Para começo de conversa, O Kremlin e o Metrô de Moscou, Peterhof e o Hermitage, em São Petersburgo. Nada se compara, no mundo, a esses quatro lugares. Não tem Torre Eiffel, não tem Nova Iorque, não tem Versailles e não tem Louvre. E ainda a Praça Vermelha, o lugar mais inacreditável desse planeta. Quanta história esse lugar já viu, ao longo desses séculos? Ivan, o Terrível, cegou os arquitetos que fizeram a catedral de São Basílio (aquela das torrezinhas coloridas), para que não repetissem tamanha beleza jamais. Qual outro lugar do mundo rendeu tamanha “homenagem” a seus criadores? Se você é turista e não viu a Praça Vermelha, desculpa, você está só começando.

Só lembrando que o post na íntegra está aqui. Não esquece não, hein!

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6 respostas para “Bate-papo sobre a Rússia no ‘Colherada’”

  1. Felipe Goltz disse:

    “Só lembrando que o post na íntegra está aqui. Não esquece não, hein!”

    >>> Não esquece do post que você me prometeu, não, hein! hehe. Gastei o feriado de primeiro de Maio inteiro para fazê-lo…

  2. Felipe Goltz disse:

    Eu estava brincando Fabricio, hehehe. Tempo é mercadoria escassa para todos hoje em dia.
    Abs

  3. Paulinha disse:

    Acompanho seu blog pelo reader do google e sempre gosto do q leio aqui. Estudei língua russa há mtos anos e tive que deixar de lado, pq não faz parte da minha formação e a correria do dia a dia não permite. Gosto de passar aqui e sentir cheirinho da cultura russa, que é algo que me encanta mto. Minha relação com a Rússia tb é assim, como a sua… não há como começar uma explicação… gostei mto da entrevista. Podia ser maior, entretanto…
    Abs

  4. […] parceria com o Colherada Cultural foi tão legal, mas tão legal, que acabamos fazendo outro post (relembre o primeiro aqui), agora com um top 10 de coisas que você não pode deixar de ver em Moscou e São Petersburgo. […]

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