Bizarre Foods: é hora do salo e da língua de rena

Dessa vez não escapei de uma ‘aventura’ na Rússia. Sempre ouço falar de algumas comidas um tanto estranhas, mas sempre consegui escapar pela tangente. Ano retrasado, a Ana, que trabalha comigo, comentou sobre o ‘salo‘, que tinha visto no programa ‘Bizarre Foods‘. Eu nunca tinha provado – nem visto – isso, e tinha que corrigir essa e outras lacunas. Pois bem, dessa vez, não tive como escapar do ‘salo’ e da ‘língua de rena’.

Para quem não conhece, vou apresentar o ‘salo’. Trata-se da capa de gordura do porto em pedaços quadrados, cortados de forma a não ter qualquer tipo de carne, só mesmo a gordura. Por ter ou não a capa de pele. Não é defumado, é apenas conservado em salmouras. Ou seja, segundo dizem os russos, não estraga. A comida perfeita para o inverno. Muita gente diz que é como o bacon, mas é muito diferente. No bacon, há pele, e ele é muitas vezes processado para ter valor nutricional adicionado. O bacon pode ser ainda defumado e é servido em tiras finas. O salo é gordura pura, somente salgado e comido praticamente cru. Mesmo sendo um prato eslavo, é comido ainda na Hungria. Obviamente, com páprika.

Confesso que fiquei meio ressabiado. Afinal, diz a tradição que o salo deve ser comido com vodka, preferencialmente, bebida da garrafa. Bom, não vou ser eu que vai quebrar a tradição né? Pois bem. Convidado pelo meu amigo Oleg, tive que provar a iguaria. Comer gordura é sempre complexo, mas até que achei gostoso. Aliás, um gosto de… bacon, mas multiplicado por 10. É salgado, mas nem tanto quanto eu pensava. Somado com a vodka, dá um jeitão de tequila, mas com um jeito meio ‘roots’. Nem precisa dizer que, comidos dois pedaços, realmente você começa a sentir calor. É uma comida típica pra frio, que o russo das estepes carrega consigo durante longas viagens pela neve, no inverno. NO geral, até que gostei. Mas imagino que meu colesterol tenha subido uns 20 pontos a cada pataco…

A segunda iguaria do cardápio era língua de rena. Essa sim, tem gosto de remédio. E de remédio ruim, adocicado. Parece língua de boi? Parece. Mas a textura é meio enojante, algo meio como puxa-puxa e bife de fígado. Nunca imaginei que se comesse rena, que dirá a língua dela. O Oleg me explicou ainda que é um petisco nobre entre o russo do interior. Tudo bem, como desse eu não gostei, acho que sou da plebe.

O último petisco da degustação era uma espécie de chouriço (aquele doce de sangue feito no nordeste). Vem em forma de linguiça e ainda tem uns temperos misturados no embutido. Sangue de quê? De porco, óbvio. Mas me explicaram que pode ser sangue de qualquer coisa. Até de porco… Como não tinha jeito de recusar, encarei o acepipe. Não, não era ruim, surpreendentemente. Mas também não era bom. Não tinha muito gosto de nada, apenas umas coisas crocantes, que até imagino o que seja, mas prefiro não comentar, para não estragar seu almoço.

Enfim, com a vodka ajudando, não tive maiores problemas em provar os acepipes. E também, surpreendentemente, não passei mal nos dias seguintes. Apenas não consegui comer muito mais coisa naquela noite. Afinal, só o salo já é uma refeição pra 48 horas. Acho, ainda, que não tenho vocação para Andrew Zimmern, nem pra ‘Bizarre Foods’. Fico feliz com katleta, pel´meni e kasha grechnevaya. E, claro, syrok!

email
Related Posts with Thumbnails
http://www.falandorusso.com/wp-content/plugins/sociofluid/images/stumbleupon_48.png http://www.falandorusso.com/wp-content/plugins/sociofluid/images/delicious_48.png http://www.falandorusso.com/wp-content/plugins/sociofluid/images/technorati_48.png http://www.falandorusso.com/wp-content/plugins/sociofluid/images/google_48.png http://www.falandorusso.com/wp-content/plugins/sociofluid/images/myspace_48.png http://www.falandorusso.com/wp-content/plugins/sociofluid/images/facebook_48.png http://www.falandorusso.com/wp-content/plugins/sociofluid/images/yahoobuzz_48.png http://www.falandorusso.com/wp-content/plugins/sociofluid/images/twitter_48.png


Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Leia o post anterior:
Dicas para os viajantes: padrão de tomadas e adaptadores

Uma dúvida de viajantes é: minhas traquitanas elétricas vão funcionar no país X? Pois bem. Aqui vai uma dica. O...

Fechar