Blokada – 65 anos de um drama heróico

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O fim do cerco a Leningrad, conhecido como “Blokada”, completa 65 anos hoje. Trata-se de um dos episódios mais dramáticos – e heróicos – da história da humanidade. Do dia 8 de setembro de 1941 até o dia 27 de janeiro de 1943, a cidade esteve em total isolamento do resto da URSS. Não recebia luz, água, suprimentos e, sobretudo, comida. Foram 871 dias de sofrimento e quase 1 milhão e meio de pessoas morreram de fome.

Basicamente, a intenção de Hitler e de seus aliados era capturar Leningrado, cidade que teria importância estratégica por sede a sede da Revolução Russa, para anular a poderosa frota do Báltico e as inúmeras fábricas de armamentos da região. O Eixo lançou então a “Operação Barbarossa”, em 1941. Mas esta foi repelida pela resistência local e pelo Exército Vermelho.

Vieram então, as operações “Nordlicht” e “Iskra”, que também falharam. Mas, mesmo após o estabelecimento dos “caminhos da vida”, o resultado foi devastador: a cidade completamente destruída, todos os palácios e lugares históricos foram destruídos e saqueados. Além do número inimaginável de mortos, cerca de 2 milhões de pessoas tiveram que fugir da cidade, em três grandes ondas.

Para os historiadores mais atentos, foi um genocídio – de olho nas práticas nazistas de exterminar populações inteiras. Em Leningrado, durante a Blokada, morreram mais pessoas do que qualquer outra batalha da História, mais até do que os ataques com bombas atômicas a Hiroshima e Nagasaki juntos.

Hoje, em São Petersburgo – antiga Leningrado – é dia de apagar velas em lembrança ao sofrimento daqueles dias. E quando o relógio bater 19h, centenas estarão em frente ao prédio mais antigo de Piter, o palácio Anichkov, na Avenida Nevskii, para apagar as 65 velas, junto com veteranos de guerra e sobreviventes do cerco.

E, desde as festas do fim de 2008, a cidade recebeu mais de 5 mil placas e cartazes, parabenizando a cidade-herói e lembrando a importante data.

Mas o evento mais tocante que ocorre na cidade, em lembrança à tragédia, é a exposição Blokada aos olhos de uma criança”. São 84 desenhos feitos pela então menina Valentina Tonsk durante o cerco, que mostram como era a vida no inferno que castigou a cidade. Fome, bombas, mortos, destruição, está tudo lá, reproduzido em folhas de caderno pintadas com lápis de cor e que, milagrosamente, sobreviveram ao tempo, dentro de armários ao longo da história.

“Gostaria que o mundo lembrasse do crematório secreto no ‘Park Pobedy’, que funcionava sem parar, aquecendo os sobreviventes durante invernos de até -40 graus, ou das 125 gramas de falso pão que recebíamos todos os dias, e era feito de papel e lascas de árvores”, diz Valentina.

Para ver mais desenhos, clique aqui. Não precisa saber russo para entender. Basta entender.

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