Brasileira ‘crente antiga’ achada na Sibéria é deportada

Essa história vi esses dias, mas ganhou proporções maiores. Uma brasileira procurada pela Interpol foi encontrada por agentes russos vivendo no meio da floresta siberiana, onde passou quatro anos. Ela era de uma espécie de seita, dissidente da Igreja Ortodoxa Russa, chamada de ‘староверие’ (staroverye), ou ‘crentes à moda antiga’.

Ustina Tchernishoff, de 26 anos, é parente de russos que vieram para o Brasil depois da Revolução. A moça foi levada para o meio da taiga siberiana (só lembrando que a Sibéria é uma região, não um estado, país ou cidade) após ter sido criada no meio religioso pelo pai. Junto com mais um filho, os três viviam por lá, até que o pai teria resolvido mudar para o Canadá, deixando ambos sozinhos. Ao que parece, o filho teria voltado e a mãe, desesperada, iniciou uma busca para ter a filha de volta.

A jovem estaria trabalhando com transcrição de livros religiosos sagrados, já que os ‘staroverye’ são contra a sua publicação e impressão. A mãe de Ustina perdeu contato com ela há algum tempo e avisou a Interpol que a moça estaria na aldeia staroverye. Localizada, Ustina disse apenas que gostava de morar ali e que era bem tratada – embora existam outras denúncias contra a comunidade, ainda não comprovadas. Mas, como seu visto estava expirado, não havia outra opção senão a deportação para o Brasil

Na aldeia, ao norte de Krasnoyarsk, Ustina vivia como uma russa de 4 séculos atrás: tirava água de poço, fazia pão, colhia cogumelos e, todas as noites copiava textos, à luz de velas.

Segundo o porta-voz do Ministério do Inteior da Rússia, da divisão de Krasnoyarsk, Pavel Markanov, ela foi encontrada bem e falava otimamente russo: ‘Ela tem sotaque e vocabulário do século 19. Disse que queria escrever para sua mãe, mas não era fácil fazê-lo do meio da floresta… Embora seja russa, goste daqui e queira ficar, seus documentos são de brasileira e estão vencidos, então, entramos em contato com a embaixada do Brasil e a mandamos de volta’.

À porta do avião, antes de partir, Ustina disse, com seu sotaque:

– Мне шибко нравится в России. И поэтому мне не шибко хочется отсюда уезжать! Если получится, я обязательно сюда вернусь. (Eu gosto muito daqui. E por isso não quero ir embora. Se tudo der certo, eu obrigatoriamente vou voltar para cá)

Sobre os staroverye – também chamados de старообрядчество, древлеправославие ou simplesmente раскол – são uma dissidência da Igreja Ortodoxa Russa, que separou no século 17, sob ordens do Patriarca Nikon, após a reforma iniciada pelo Czar Alexei Mikhailovich. Existem muitas nuances e diferenças na liturgia Starovera. Você pode conferir algumas aqui.

No Brasil, existem ainda algumas comunidades ‘starovery’, no Mato Grosso, Paraná e em Goiás. A maioria chegou na onda migratória após a revolução de 1905, recebida com asilo dado pelo governo Brasileiro.

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4 respostas para “Brasileira ‘crente antiga’ achada na Sibéria é deportada”

  1. ZO disse:

    não entendi por que ela foi deportada?

  2. Luiza disse:

    Meu Deus! Que loucura! Como ela vai ser infeliz aqui… Ela estava completamente adaptada…

  3. Bremm disse:

    Eu havia pensado em ir para Primavera do Leste, passar uns tempos. Depois dessa, melhor não.

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