Pravda: professor da USP visita Centro Lusófono em São Petersburgo

Como a maré tá braba pra mim (leia-se trabalho até o pescoço e sem carnaval), vou postar rapidinho aqui uma matéria do Pravda, em português, sobre um dos nossos, o professor Bruno Gomide, da USP, que esteve em São Petersburgo para divulgar nossos trabalhos aqui do Brasil. E também muito legal saber sobre esse centro lusófono da Universidade Hertzen.

Confira a matéria no original aqui.

Professor da USP visita Centro Lusófono em São Petersburgo

Bruno Gomide destaca em palestra o crescimento do interesse do leitor brasileiro por autores russos nos últimos tempos

SÃO PETERSBURGO – O Centro Lusófono Camões, da Universidade Estatal Pedagógica Hertzen, de São Petersburgo, recebeu, na segunda quinzena de janeiro, a visita do professor de Literatura Russa do Departamento de Línguas Orientais da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da Universidade de São Paulo (USP), Bruno Barretto Gomide, coordenador da pós-graduação na área.

Para alunos da Universidade Estatal Pedagógica Hertzen, o professor Bruno Gomide fez uma palestra abordando assuntos como o ensino da Língua e da Literatura Russa na USP e o grande interesse do leitor brasileiro pela literatura russa, especialmente nos últimos tempos, o que tem sido comprovado pela publicação de grande número de traduções. O professor destacou ainda o começo do interesse do leitor brasileiro pela literatura russa, a partir de traduções de segunda mão de edições francesas, lembrando que só mais tarde os livros de autores russos passaram a ser traduzidos diretamente para o português.

Durante a visita ao Centro, Gomide ofereceu vários exemplares de Nova Antologia do Conto Russo (1792-1998), por ele organizada e lançada recentemente, além de outros livros de autores russos, todos publicados pela Editora 34, de São Paulo. Ao lado de nomes como Púchkin, Gógol, Dostoiévski, Tchekhov, Tolstói, Pasternak, Bábel e Nabókov, a Nova Antologia do Conto Russoapresenta outros autores vistos como menos conhecidos, como Odóievski, Grin, Chalámov, Kharms, Platónov e Sorókin, num total de 40.Durante sua estada em São Petersburgo, Gomide, em companhia da professora Diana Shpilevskaya, ex-aluna do Centro Lusófono Camões, foi recebido também pelo professor Vsevolod Bagno, diretor do Instituto de Literatura Russa da Academia das Ciências, instituição conhecida como Casa de Pushkin. Em seguida, foi recepcionado no Centro Lusófono Camões pelo professor de Português Vladimir Ivanov, que representou o diretor da instituição, professor Vadim Kopyl, afastado temporariamente por problemas de saúde. Em diálogo com alunos e ex-alunos do Centro, o professor voltou a abordar os temas de sua palestra.

CURRÍCULO

Bruno Gomide nasceu no Rio de Janeiro em 1972. É doutor pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), com estágio de doutorado na Universidade da Califórnia, em Berkeley. Realizou cursos nas Universidades de Illinois, Indiana, Cambridge e Linguística de Moscou. Foi pesquisador-visitante no Instituto Gorki de Literatura Mundial, em Moscou, com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa no Estado de São Paulo (Fapesp). É o organizador do grupo de trabalho de Literatura Russa da Associação Brasileira de Literatura Comparada (Abralic).

Tem publicado artigos em periódicos internacionais, como Tolstoy Studies Journal e Vopróssi Literaturi, e participado dos principais congressos de eslavística. Publicou o livro Da estepe à caatinga: o romance russo no Brasil (1887-1936) pela Editora da Universidade de São Paulo (Edusp), sua tese de doutorado, que obteve menção honrosa no prêmio de teses da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), do Ministério da Educação, no triênio 2004-2007.

CENTRO LUSÓFONO

Professor da USP visita Centro Lusófono em São Petersburgo. 16441.jpegFundado em 1999, o Centro Lusófono Camões começa o ano, em média, com 15 estudantes russos de Português. Os estudantes entram no nível zero, passando para o nível médio, chegando ao nível superior. Em média, formam-se de sete a oito alunos por ano. Desde a sua fundação, o Centro já publicou em edições bilingue livros como o Guia de Conversação Russo-Portuguesa Contemporânea, Poesia Portuguesa Contemporânea(2004), que reúne poemas de 26 poetas portugueses, e Vou-me embora de mim (2007), do poeta português Joaquim Pessoa.

Em 2006, com o apoio da Embaixada do Brasil em Moscou, o Centro publicou o livro Contos e, em 2007, Contos Escolhidos, de Machado de Assis (1839-1908), ambos em edição russo-portuguesa, com prefácios/ensaios do professor Adelto Gonçalves, doutor em Literatura Portuguesa pela USP. O Centro tem também a intenção de publicar em breve uma coletânea de contos e ensaios de autores brasileiros em edição bilíngue.

SERVIÇO – As instituições, editoras e autores do mundo lusófono que quiserem ajudar a enriquecer o acervo do Centro devem enviar os seus livros para:

Prof. Vadim Kopyl

CENTRO LUSÓFONO CAMÕES

Moica 48 – UNIVERSIDADE ESTATAL PEDAGÓGICA HERTZEN k. 14

Saint Petersburg – Russia

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Algumas dicas legais para sua ‘russificação’

Dando um tempo na densa política, fiz uma listinha das cerimônias, superstições e manias mais populares no dia-a-dia dos russos têm, e que podem ser úteis, seja para quem vai fazer viagens de trem e não vai naquele esquema primeira classe, seja para quem achou sua cara-metade por lá.

Provavelmente, você, que é interessado em cultura russa em geral, já leu algumas por aí. Nesse caso, não custa relembrar. Já para você que quer viajar para lá, é uma boa dica para fazer bonito e ganhar pontos preciosos com os amigos locais. Essas são as que me lembro, e mais importantes, acho.

Se você lembrar de outras, comente!

No trem:

- Quando você estiver compartilhando espaço com outras pessoas, mesmo que sejam total estranhos, é sempre de bom tom dividir o que quer que você tenha para comer, beber ou fumar.

- Recusar comida que lhe é oferecida pode ser uma ofensa muito séria

Bebendo vodka (ou qualquer coisa alcoólica):

- Vodka é para brindar, não para bebericar sozinho ou encher a cara aleatoriamente. Se você quiser muito beber ‘solo’, o que não é de bom tom, tente ir de 100 em 100 gramas (um copo pequeno), em vez de mamar direto na garrafa.

- Ainda sobre vodka, NÃO se enche copo erguido no ar, NÃO se brinda com copo vazio, NÃO se enche copos segurando a garrafa por baixo, NÃO se deixa garrafa vazia sobre a mesa e, sobretudo, álcool posto no copo NÃO volta para a mesa. Deve ser bebido!

Cotidiano:

- Se você for convidado para ir a casa de alguém, leve sempre alguma coisa, um presente, como um bolo, alguma bebida ou uma lembrança. Isso é MUITO bem visto.

- Apertar as mãos, enquanto não estão os dois no mesmo recinto (por exemplo, você está fora do vagão e a outra pessoa, dentro), dá azar. Entre ou saia!

- Se você for dar flores para alguém, assegure-se de que elas vão em número diferente. Um número par de flores só é usado em funerais…

Socialmente:

- Retire casaco, botas, chapeu e ornamentos sempre que entrar em algum lugar, seja vagão de trem, casa, bar ou no Teatro Bolshoi.

- É sempre melhor ir MUITO arrumado para algum lugar do que MAL arrumado. Russos não toleram muito bem informalidade ou a nossa ‘mulambagem’. A lógica lá é outra: mais fácil reparar numa simplicidade exagerada.

- Seja sempre cavalheiro. Embora os russos atualmente estejam muito mais para homens das cavernas, as mulheres russas sempre vão esperar que alguém lhe abra as portas, acenda seu cigarro, sirva seu vinho…

- Ao entrar em igrejas, homens devem abaixar a cabeça em reverência. Mulheres não são obrigadas a cobrir a cabeça, mas isso é um gesto de respeito. Minissaias, ombros de fora e decotes, jamais. E tirar fotos também é inadequado. Na dúvida, informe-se.

- Jamais, jamais, jamais, assobie dentro da casa de alguém. Certamente, isso vai lhe render uma bronca. Se vai ser polida ou uma tremenda grosseria, é impossível dizer. Assobiar dentro de casa afugenta o dinheiro, dizem.

- Jamais, jamais, jamais demonstre algo de ruim que aconteceu, em si mesmo ou em outra pessoa. Por exemplo, ao demonstrar que alguém quebrou o braço em 2 pedaços, jamais aponte para seu braço para mostrar onde. Faça isso no ar. Usar alguém como ‘cobaia’ pode acabar em briga séria…

Indo viajar:

- Está se preparando para viajar? Após tudo arrumado e antes de sair de casa, todos devem se sentar e fazer silêncio por alguns instantes. Preferencialmente, para lembrar se esqueceram algo…

- Da mesma forma, jamais volte para buscar algo esquecido em casa após uma viagem. Se não for o passaporte, deixe para trás.

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Vídeo pró-governo mostra provável ‘Rússia sem Pútin’

Enfim, o governo Pútin resolveu reagir aos protestos em massa dos últimos meses, que exigem eleições limpas e que Vladimir Pútin deixe o poder. Além da marcha ‘Za Putina’ (a favor do governo), que reuniu quase tantas pessoas quanto as ‘marchas dos descontentes’, um vídeo viral circula pela internet, mostrando o que seria da Rússia sem o atual premiê e virtual futuro presidente.

As imagens são perturbadoras. E usam a tática do terror psicológico, uma distopia fulminante que causa impacto. Com a ação, Pútin e seu partido se aproveitam da maior fraqueza da oposição: justamente sua fragilidade e ausência de uma liderança forte. Lembro que, nas manifestações populares, andam lado a lado liberais, comunistas, anarquistas e neonazistas. Uma bomba-relógio. Todos têm seu microlíder e não há nenhum forte nome político.

Segundo as pesquisas para a eleição presidencial, apenas um nome pode sequer ameaçar que a eleição não tenha um segundo turno: Gennady Zyuganov, líder do partido comunista, nascido em 1944. Ou seja, de uma geração tão ou mais afeita ao autoritarismo e à ausência de quaisquer possibilidades democráticas. Além de zyuganov, não há a menor possibilidade de qualquer outro político russo sequer ameaçar Vladimir Pútin.

Por mais bizarro que isso possa parecer, o cenário distópico, exagerado e aterrorizador do vídeo viral pró-Pútin – ou pelo menos alguns dos eventos nele contidos – são extremamente possíveis. Grupos extremistas no poder, desmembramento da Federação Russa, enfraquecimento econômico, guerras internas. Tudo isso é e foi mantido longe do país, ao longo dos últimos anos, via mão de ferro do atual premiê. Esse autoritário pulso forte é sua maior qualidade – seu maior capital político – e sua maior fraqueza, pela qual é duramente criticado interna e externamente.

Assitam ao vídeo. Vale muito a pena. Abaixo, eu fiz uma tradução rápida do que o narrador fala, para que todos possam acompanhar mais esse capítulo da guerra ideológica na Rússia. E, como disse no Facebook ontem, eu não queria estar na pele dos russos, que terão que escolher entre Pútin ou Zyuganov. E, se não for Pútin, quem será? Triste dilema.

(Ah, antes que os democratas me crucifiquem por postar esse vídeo, lembrem-se: eu não sou nem a favor nem contra Pútin. Essa é uma escolha única e exclusiva dos russos. O que eu tento fazer é mostrar um pouquinho do que acontece por lá, coisas que vão além das bobagens que a gente lê por aí.)

Em Moscou, a oposição grita “Rússia sem Pútin”. Imagine, Vladimir Putin não existe mais. O que será da Rússia sem Pútin?

Março de 2012: eleições presidenciais canceladas. Duma dissolvida. Na avenida Sakhárov, realiza-se a maior manifestação de insatisfeitos. Em um mês, se formam no país 200 partidos. Os liberais dividem entre si o poder. É formado um governo de transição. A ONU saúda a chegada da verdadeira democracia à Rússia.

Maio de 2012: Todos os grandes negócios são limitados. Boris Nemtsov vira diretor da GazProm, esposa de Alexei Naválni – a VTB (banco nacional do comércio russo), Evgenia Chirikova, o ministério dos Transportes e a RosNeft. Em um gesto de boa vontade, todo o arsenal nuclear da Rússia é transferido para o controle dos EUA. Após o conflito no poder, os nacionalistas saem de controle e começam a propagar o caos.

Setembro de 2012: Mais uma onda da crise econômica. Centenas de bancos quebram. O governo de transição decide fechar a AvtoVaz. Em Toliati acontece o primeiro protesto exigindo independência da Rússia. Greves em massa das usinas e fábricas. Os negócios na bolsa são suspensos após o índice RTR cair ao seu nível mais baixo. Dólar dos EUA custa 100 rublos. O banco central começa a produzir dinheiro indiscriminadamente para pagar as dívidas das aposentadorias. Hiperinflação. O preço de uma bisnaga de pão sobe para 100, 200, 300, 500 até 1.000 rublos. Em Moscou, um em cada dois estão desempregados.

Novembro de 2012: conflitos entre nacionalistas fascistas e grupos étnicos acontecem em todas as grandes cidades russas. Milhares de mortos entre os inocentes. Para a Duma de São Petersburgo vencem os fascistas. A marcha dos aposentados famintos de toda a Rússia em Moscou é dissipada com armas de fogo.

Março de 2013: depois de um inverno de fome, decretam a saída da Federação Russa o Primore (no extremo oriente), Kaliningrad, Tatarstão, Bashkíria e a Yakútia. As repúblicas do Cáucaso Norte se unem em um Emirado. Centenas de exilados que não desejam viver sob um estado islãmico fogem para a Rússia. Os conflitos étnicos crescem e se tornam uma guerra civil. Nacionalistas põem em ação tentativas para tentar acabar com a ameaça do Cáucaso, que são frustradas. Em mais uma visita aos EUA, Alexei Naválny pede asilo político. O governo de transição declara sua própria dissolução.

Junho de 2013: Com o objetivo de se proteger a população civil, Kaliningrado é ocupado pelas forças da OTAN. Sob o pretexto do restabelecimento da ordem e de ajuda humanitária, a China ocupa e põe sob sua administração Yrkutsk, Chita, Blagovechenskii e Khabarovsk. Vladivostok é ocupado por uma força de paz japonesa.

Agosto de 2013: A Geórgia ocupa a Osétia do Norte e a região de Krasnodar. Stavropol, após severos conflitos pelas ruas da cidade, é ocupada pelos guerrilheiros do Emirado Caucasiano. O mundo fala em uma catástrofe global na Rússia.

Dezembro de 2013: Naválny recebe o Prêmio Nobel da Paz e o de Literatura, pelo livro “Memórias de um ano no poder”.

Fevereiro de 2013: A Geórgia realiza os Jogos Olímpicos de Inverno em Sochi. Os desportistas da Rússia não são aceitos no país. Durante a transmissão da abertura dos jogos, na Praça Bolotnaya, em Moscou, acontecem pogroms em massa e desordem completa. A cidade vive em estado de anarquia. Há lutas por remédios. Comunicações por satélite são desligadas. Não há televisão nem internet. Nas casas, luz e água quente são desligadas por 2 horas todos os dias. Os moradores da cidade são recomendados a não sair de seus apartamentos.

Rússia sem Pútin. You’re welcome.

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‘Beijo de Pútin’ fatura prêmio no Festival de Sundance

Eu tento, mas não consigo não falar de Putin. Mas agora é um motivo mais artístico. O polêmico documentário da dinamarquesa Lise Birk Pedersen, ‘Putin´s Kiss’, ou ‘O Beijo de Putin’, levou o prêmio ‘World Cinema Cinematography Award for Documentary Filmmaking’ do Festival de Sundance 2012, o que, em linhas gerais, poderia ser algo como melhor documentário.

O filme conta a história de Masha Drokova, uma então séria ativista do movimento ‘Nashi‘, a juventude de Putin, grupo muitas vezes acusado de autoritarismo e ultranacionalismo. A jovem acaba colocando em dúvida sua crença no atual premiê russo ao se aproximar de grandes nomes da oposição, como o jornalista Oleg Kashin, espancado em Moscou, e Ilya Yashin.

Como obviamente ainda não vi o filme – e recomendo que vocês vejam o trailer aí embaixo -, minhas impressões ainda são breves, mas confesso que nutro uma certa simpatia por ele, por mostrar essa pequena mas relevante faceta sombria, pós-moderna e até mesmo fascista da Rússia. Fiquei muito impressionado com a ideia, com os rumos que o documentário tomou e com a figura de Masha.




A diretora dinamarquesa deu algumas entrevistas, e também gostei muito do que ela falou. Ao que parece, decidiu virar documentarista após se frustrar com as fotos de uma viagem pela China, quando tinha 16 anos. Frustração que também me aflige sempre após minhas viagens – as fotos quase nunca captam a essência dos lugares.

Sobre como foi fazer o filme por lá, numa época tão conturbada, ela diz que a dificuldade número foi o fato de não falar russo. ´Fazer um filme na Rússia não é como um passeio no parque, mesmo que você não fale a língua. Eu queria contar uma história sobre a Rússia moderna, mas, conforme o filme progredia, eu percebi que se tornou um sintomático panorama do péssimo clima político que encontramos naquele país estes dias´, diz a diretora Pedersen (abraçada com Masha na foto) à revista do Festival de Sundance.

Agora é esperar para conferir. E você pode ler mais (em inglês) sobre o filme aqui.

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Conheça o Pussy Riot, a versão moscovita do Femen

Eu conheci o ‘Pussy Riot’ depois de um post no famoso blog ‘English Russia’. Mas tenho certeza de que a maioria ignora a existência do grupo, que é Formado por oito garotas – supostamente bonitas.

Apesar de serem consideradas uma versão russa do grupo ucraniano Femen, o ‘Pussy Riot’ se apresenta vestido com roupas coloridas e balaclavas. Tocam um punk rock alucinado, sempre em lugares bizarros, como tetos de ônibus, andaimes em estações de metrô e, recentemente, na Praça Vermelha. E, invariavalmente, acabam presas, graças às letras completamente ofensivas ao governo.

No último final de semana, acabaram em cana após a fatídica aparição na Praça Vermelha, quando tocaram sob -10 graus celsius seu ‘hit’ ‘БУНТ В РОССИИ – ПУТИН ЗАССАЛ’ (Bunt v Rossii – Putin zassal’, algo como ‘Revolta na Rússia – Putin está se mijando’. Durante o ‘concerto’, os policiais meio que não acreditaram na visão improvável e surreal. Ouviram um pouco e, quando a música acabou, os homens da lei recolheram as rebeldes.



Puxando mais um pouco pela memória, e com a ajuda do Google, lembrei que elas também tocaram perto da delegacia onde o dissidente político Alexei Naválnyi era mantido preso, em dezembro. Ou seja, promessa de mais agitação pela frente.

Aqui, a letra do futuro hit:

“ПУТИН ЗАССАЛ”:

К Кремлю идет восставшая колонна
В ФСБшных кабинетах взрываются окна.
Суки ссут за красными стенами
Riot объявляют Аборт Системе!

Атака на рассвете? Не стану возражать
За нашу и вашу свободу хлыстом карать
Мадонна во славе научит драться
Феминистка Магдалина пошла на демонстрацию

Бунт в России – харизма протеста
Бунт в России – путин зассал
Бунт в России – мы существуем
Бунт в России – райот райот

Выйди на улицу,
Живи на Красной
Покажи свободу
Гражданской злости

(проигрыш на квадрат)

Недовольство культурой мужской истерии
Дикий вождизм пожирает мозги
Православная религия жесткого пениса
Пациентам предлагается принять конформность

Режим идет к цензуре сновидения
Пришло время подрывного столкновения
Стая сук сексистского режима
Просит прощения у феминисткого клина.

Бунт в России – харизма протеста
Бунт в России – путин зассал
Бунт в России – мы существуем
Бунт в России – райот райот

Выйди на улицу,
Живи на Красной
Покажи свободу
Гражданской злости

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