Урок русского мата ou lição de ‘morfologia’ em russo

Esse textinho está relacionado ao post sobre a estudante que, na chaleira, falou meia dúzia de impropérios a Vladimir Vladimirovich Putin, aquem eu aqui trato como Vova. Lógico que ela travestiu seu ‘francês’ com as siglas novas criadas para as novas ‘polícias’, cujas siglas nos fazem pensar que, ou tem alguém realmente muito idiota ou muito, mas muito de sacanagem, no meio do ministério que cuida da segurança na Rússia. Eu, sinceramente, não sei em qual dos dois acreditar… O textinho circula insanamente na RuNet. Pena que, ao traduzir para o português, vai perder 113% da graça. Vou deixar como tá, já que todo mundo aqui fala russo, né?

Теперь в России полиция! Запоминаем: Полицейский инспектор дорожного и  общественного контроля (ПИДОК),полицейское управление патрульно-постовой службы(ПУППС),отдел полиции соблюдения общественного спокойствия  (ОПСОС), полицейский инспектор защиты детства и юношества (ПИЗДЮН),  полицейский инспектор службы контроля за автотранспортом (ПИСКА), полицейский инспектор дорожного регулирования (ПИДР), полицейская  дорожно-регулировочная служба (ПДРС), участковые будут называться Сотрудники участковой квартальной инспекции (СУКИ), вместо  ГАИ-государственная единая инспекция(ГЕИ),и еще не повезло Железнодорожному отделению полиции… Где ты работаешь? В ЖОПе!

ЭТУ СТРАНУ НЕ ПОБЕДИТЬ!!! Передавай друзьям…пусть посмеются !

PS.: A dica foi da Inna Shimbaleva, senhora do nosso bom amigo Shashkov, e professora de música de altíssimo nível, em Vancouver, no Canadá.

PS 2.: Óbvio que мат, em russo, não significa ‘morfologia’. É algo muito maior que isso: мат é a arte de falar um zilhão de impropérios com meia dúzia de radicais, outra dúzia de prefixos e alguns sufixos.

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Mais uma vez, um filme de terror

Quem achou que o pesadelo do terror tinha acabado, após os ataques ao metrô, ano passado (leia aqui, aqui, aqui e aqui), se enganou. Mais uma vez, Moscou foi alvo de um insano ataque, como todo mundo já leu. Dizem que duas bombas explodiram no setor de desembarque internacional do aeroporto Domodedovo, o maior e mais movimentado da Rússia. Nem precisa dizer o caos que acabou sendo ou falar das dezenas de vítimas…

Esse vídeo tem imagens fortes

Estive algumas vezes por lá, no Domodedovo. Não perde em quesito de segurança para nenhum aeroporto americano. São dois pontos de check-in, praticamente. Você tira sapato, casaco, abre mochila, passa por raio-x, verificação pessoal… Há agentes – fardados e à paisana por todos os lados.

O grande problema do Domododedovo é o trânsito: uma grande via é a porta de chegada de carros para lá. E ela está sempre congestionada, provocando uma enorme bagunça para desembarcar/embarcar. Isso em dias normais. Imagine após um ataque terrorista. Uma nota triste foram os taxistas, cobrando até 20 mil rublos (cerca de 700 dólares) por uma corrida até o centro. São, em sua maioria, imigrantes, vítimas do ódio dos locais. Lógico que isso não se justifica, mas a gente sabe que ódio se paga com ódio. Mas, logo depois, o Aeroexpress foi liberado para retirar todos dali, de graça.

Não sou especialista em segurança, óbvio, mas imagino que por isso que o ataque tenha acontecido no desembarque. Muita gente esperando gente o tempo todo, a segurança é desnecessária, enfim, uma vulnerabilidade crítica do sistema em escala mundial. Não estranhe se, em breve, começarem a revistar as pessoas na entrada dos aeroportos.

As imagens… Bom, as imagens são chocantes. Vi umas fotos, enviadas por conhecidos, jornalistas, pegas nos twitteres, facebooks… Tem uns vídeos aqui, no twitter do @stas_grigoryev. Enfim, nada que vá acrescentar qualquer coisa. Bombas, explosões, corpos, sangue. Não adianta nada a gente ver isso.

Mas deixo aqui uma mensagem para você, que pensa em ir para a Rússia, que comprou passagem: vá. A chance de você ser vítima de um ataque terrorista lá é menor, muito menor, do que ser vítima de qualquer tipo de violência aqui no Brasil. A estatística joga a favor.

Infelizmente, assim como a criminalidade faz parte da nossa vida, o terrorismo faz parte da deles. E, da mesma forma que a gente não deixa de viver aqui – e como as pessoas não deixam de vir para cá -, eles seguem vivendo a vida deles lá e a gente segue indo para lá.

PS.: Logo após os ataques, muitas pessoas dizem ter recebido o SMS “МАМА скинь срочно денег на номер…. я в аэропорту” (Mamãe coloque crédito nesse número… eu estou no aeroporto)

PS 2.: Via twitter, as pessoas publicam seus números de telefone, para que outras pessoas liguem e as tirem de lá. Assim como quem está de carro publica seu número, para que outras pessoas liguem e combinem caronas. De graça. Bom uso de rede social.

PS 3.: Mais um bom uso: as placas dos taxistas que estão extorquindo pessoas durante esse momento de crise também estão indo parar no Twitter e as autoridades prometem punição severa.

PS.: 4: Há uma lista das vítimas aqui

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Chefe da polícia botou a cara na multidão durante o tumulto

Durante o tumulto na Praça Manezhnaya, em dado momento, o chefe da polícia de Moscou, o general Vladimir Kolokolsev apareceu e foi para o meio da multidão tentar negociar o fim do conflito. Ouviu as reivindicações dos manifestantes – que eram basicamente ‘justiça por Sviridov’ e a prisão dos acusados. Escutou muitos gritos, palavrões e tudo mais. Mas teve coragem. E acabou resolvendo o conflito, de alguma forma.

Em dado momento, ele exige: ‘Retire a máscara’, no que é retrucado. ‘Não retiro’. Um tenente se aproxima e reitera a ordem: ‘Retire a máscara, vocês fala com o general’. O rapaz exaltado retruca: ‘Não retiro a máscara. Vamos conversar ou não’.

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Em outro momento, o mascarado comanda o general: ‘Diga ao povo que o sr. vai resolver a questão do Cáucaso’. E o policial respondo: ‘Isso eu não posso resolver’.

‘Onde está o assassino’, diz o mascarado. ‘Como vocês o libertaram? Quanto ele os pagou? Quando ele será punido?’. E o general responde: ‘Nós tomamos medidas, mas o inquérito determina que ele fosse solto. Nós não punimos, esse é um trabalho para a procuratura’. E o mascarado pergunta: ‘Para quê o sr. veio aqui, então?’

De repente, a massa começa a gritar: ‘Pizdabol’, que é algo como ‘mentiroso’, ‘enchedor de linguiça’, mas é um palavrão.

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O sonho da Rússia começa a desmoronar

O caldeirão russo, enfim, entornou. Desde o último dia 10, brigas em massa, conflitos com policiais, protestos, vandalismo, agressões gratuitas e justiça pelas próprias mãos parecem ter dominado as principais cidades russas. Moscou, São Petersburgo, Ryazan, Volgograd… O cenário parece ser o mesmo para onde quer que se vá. A receita? Uma tensão étnica, um governo omisso com o crescimento da xenofobia, justiça que não funciona, violência e uma migração descontrolada.

Apesar de tudo já estar se encaminhando para esse cenário há anos, o estopim para a detonação dessa bomba social foi o assassinato do engenheiro e torcedor do Spartak Egor Nikolaevich Sviridov, no último dia 6 de dezembro. Egor tinha 28 anos e morreu baleado após uma briga com um grupo que seria natural do Cáucaso norte – região que faz parte da Federação Russa, ao sul do país – sendo o acusado do crime da Kabardino-Balkária, e os outros, do Daguestão.

Além do crime – e, obviamente, do fato de o assassino ser do Cáucaso -, causou indignação a libertação do acusado, no entender de muitos, absolutamente normal, visto que parece não ter havido flagrante.

Nos dias que se seguiram, houve uma imensa mobilização entre torcidas de futebol, grupos políticos, ativistas e do povo em geral – dentre todos esses, lógico, alguns que simpatizam com movimentos de extrema-direita e tendem à xenofobia. Com isso, no último sábado, dia 11, mais de 10 mil pessoas se reuniram no Centro de Moscou, nas praças Manezhnaya, Vermelha e entornos, para protestar e pedir justiça para o assassinato de Sviridov.

A movimentação começou na Bulevard Kronshtadskii e, naturalmente, milhares de pessoas começaram a se reunir no coração da capital russa. Em princípio, tudo ia bem, em calma. O frio intenso de cerca de menos cinco graus não impediu a enorme concentração de pessoas. A polícia e o OMON – a tropa de choque da Rússia – observavam, prestes a entrar em ação. É claro que, em um bando de milhares de manifestantes, havia um grupo exaltado, que começou a xingar a polícia. E eis que a mesma entrou em ação, dando início ao que se chama de ‘sábado sangrento’. Dezenas de feridos, um morto e um policial em estado grave, além de uma nação eletrificada pela tensão do conflito.

A fotoreportagem que reproduzo abaixo é do blogueiro Ilya Varlamov. Clica que tem muito mais lá no blog dele.


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A partir daí, criou-se uma onda de pânico. Pela internet, rádio e TV, o conselho era: evitem sair de casa. Evitem o metrô. Evitem o centro da cidade, seja ela qual for. A qualquer momento, uma nova manifestação poderia começar e acabar.

De seu lado, os imigrantes do Cáucaso também resolveram se organizar. Em uma carta amplamente difundida, um blogueiro convoca todas as nações do Cáucaso (chechenos, dagestanis, kabardino-balkários, ossetas, georgianos, ingushes, armênios, azerbaijões…) a esquecerem as diferenças e se unirem pela defesa de seus direitos: ‘Nós vivemos aqui, trabalhamos, conversamos com todos, temos amigos de origem eslava. Mas até quando deveremos ser culpados por todos os pecados e problemas daqui?’

E o blogueiro defende ainda o suposto assassino de Sviridov, o checheno Aislan Cherkisov: ‘O que acontece quando te atacam pelas costas? O que acontece quando bêbados fanáticos, porcos congelados, partem pra cima de você? Se você tem uma pistola, é natural que vá se defender. Agora, eles armam esses ‘atos pacíficos’. E é claro que o objeto de atenção desses atos pacíficos seremos nós, caucasianos’.

Não sou russo, nem caucasiano, mas tenho logicamente grandes amigos dos dois lados. Conheço o Cáucaso – e conheço bem – e sei que são povos complicados. Mas também são amistosos além da conta. Se há uma migração descontrolada em direção, sobretudo a Moscou e Petersburgo, acontece em função da política do governo, de exclusão e sufocamento da região. Se são localidades subdesenvolvidas e pobres, obviamente, seus moradores vão migrar para onde haja maiores possibilidades de uma vida melhor. Exatamente como acontece aqui, no Brasil. Mas com um desequilíbrio gigantesco no fluxo, uma crescente onda de terrorismo e medo, e uma necessidade de auto-afirmação, a tendência é que realmente isso acabe em sangue.

Como conheço o Cáucaso, sei que muitas vezes os russos étnicos são discriminados em muitas localidades. Vivem com medo e são os primeiros a deixar o local em caso de tensão. Se é um ciclo vicioso, russos x caucasianos x russos, é provável. Mas o que se vê em Moscou é simplesmente uma busca de equilíbrio – de uma maneira equivocada. Falar em ‘Rússia nazista’, ‘Rússia xenófoba’, ‘Rússia fascista’, é simplificar o problema. A forma com que o governo lida com o Cáucaso é equivocada: não dá independência, não integra e não estimula a convivência. Deixa tudo como está. E, como estamos vendo, do jeito que está, não vai mais ficar.

Para tentar deixar uma reflexão, cito o blogueiro que lembrou do filme ‘Avatar’, como paralelo para a situação – e que mostra que os russos realmente têm nos caucasianos o principal culpado para uma suposta ‘degradação’ do eslavismo. No filme, o planeta Pandora é habitado pelos Na’vi. Os homens, chegando lá, querem as riquezas de Pandora, e para isso estão dispostos a aniquilar os Na’vi. Entretanto, a raça local se insurge e vai para a guerra. Sob o mote ‘Pandora é nossa. Vamos expulsar os invasores’. Qualquer semelhança de ‘Pandora para os Na’vi’ com ‘Rússia para os russos’ não é mera coincidência.

Como se muda isso? Talvez um misto de menos migrantes, desenvolvimento do Cáucaso, concessão de maior autonomia às regiões e uma massiva campanha de inclusão social dos imigrantes.

Agora, toda e qualquer agressão a negros, latinos, árabes, russos-asiáticos e orientais é sim, uma demonstração gratuita de nazifascismo da Rússia. Como a que aconteceu no domingo, quando um rapaz de uma das repúblicas da Ásia Central foi brutalmente espancado até a morte por um grupo de 15 russos. Isso sim, é nazifascismo gratuito.

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Vazamento suspeito: vídeo da agressão a repórter

Taí o suposto vídeo da agressão ao repórter Oleg Kashin, do ‘Kommersant’. O tal apanhou muito. O que se diz, no entanto, é que as imagens seriam muito mais nítidas do que essa aí. Afinal, sempre que algo ‘vaza’ na mídia da Rússia, a gente desconfia. Afinal, cano que não passa água…

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