Vôlei nas praias de Moscou com ajuda dos amigos
ago 11, 2011 Cultura, Matérias, Trânsito
Algumas semanas atrás, recebi um pedido de ajuda para uma equipe de jornalismo que estava indo para Moscou e queria preparar umas matérias-side (aquelas que não são exatamente sobre a pauta principal, mas sobre as curiosidades que circundam o objetivo da matéria) na capital russa.
Como se tratava de um pedido urgente, e eu obviamente estou aqui no Brasil, tentei mobilizar alguns amigos para ver no que dava. A pauta era uma das etapas do Circuito Mundial de Vôlei de Praia, que, obviamente, contava com alguns brasileiros. Então, seria de bom tom mostrar coisas legais da capital russa, da vida na Rússia, fazer analogias, ter boas sacadas.
Indicado pela Marina, o Danilo, ao que parece, foi o escolhido para ajudar a turma da Mônica – sem trocadilhos – e aparece ali pelo 1m12 do vídeo. Também participou a Natalia Bodilevich, do restaurante mais legal de Moscou, o ‘Brasileiro’ (não deixem de passar lá!).
As materinhas foram ao ar no Globoesporte ao longo de julho, se não me engano. E são uma ótima oportunidade para quem quer conhecer ou lembrar da atmosfera gostosa e curiosa da capital russa. Quem sabe até a Mônica não se anima e escreve umas linhazinhas pro blog, contando sua experiência – profissional e corrida, a gente sabe – na ‘capital mundial do Kremlin’, como a gente costuma brincar.
O vídeo está aqui embaixo e recomendo dar uma assistida!
Tags: globoesporte, matérias, moscou, turismo, vôlei de praia
Frota de elite
set 15, 2010 Na imprensa, Polícia, Trânsito
Tá, eu sei que não é novo, mas tenho que recuperar. Vocês sabiam que, na Rússia, tanto o corpo de bombeiros quanto a polícia têm legítimos Porsches Cayennes nas suas frotas? Pois é. Coisa fina, pra deixar a gente aqui morrendo de inveja.
Cada carro – ou máquina – custa em torno de US$ 100 mil e é o objeto-do-desejo-mor da classe noveau riche dos russos. As meninas só querem andar nele e os caras só sonham em guiá-lo. Privilégio disponível para alguns policiais, bravos combatentes do fogo e meliantes a caminho da delegacia…
O Komsomolskaya Pravda, cara-de-pau que é, ligou para os Bombeiros e perguntou ao assessor de imprensa. Para quê vocês precisam dum carro esportivo de luxo desse naipe? ‘Foi um presente de nossos amigos alemães, de uma concessionária Porsche. Ele foi convertido num carro contra incêndio, com bombas d’água, mangueiras e uma série de instrumentos especiais. Os alemães deram ele de presente ao prefeito Luzhkov, pelos 860 anos da cidade e pela construção de um centro automotivo. E o prefeito repassou ele a nós’, teria dito Evgenii Bobylev.
Já sobre os carrões na frota policial, ninguém sabe de nada. Provavelmente, devem ter sido presentes também. Agora, deve ser uma briga na DP pra ver quem vai sair com essa viatura aí. E, cá pra nós, ser preso e pegar carona no trator alemão não é nada ruim. Pelo menos você ainda tira uma onda…
Na Rússia, é melhor estacionar bonitinho. Senão…
jun 23, 2010 Polícia, Trânsito
Bom, pro povo não dizer que tou exagerando, boto aqui alguns dos exemplos ‘criativos’ de partizans das calçadas, que tentam convencer na marra os animais a não pararem seus carros em qualquer lugar.
‘Eu estaciono como uma aberração, um monstro’. E, depois, um exemplo do adesivo em ação numa besta que parou seu carro de forma absolutamente bisonha.


‘Eu estaciono como um idiota’. Esse adeviso foi, inclusive, usado por policiais em algumas cidades… É uma das mais antigas campanhas e tem um site com zilhões de imagens de estacionamentos absolutamente inacreditáveis. Dá uma espiada aqui, que vale muito a pena.
Outro que foi ‘encampado’ pelo poder público: ‘Eu estaciono que nem um veado’

Esse é mais radical. Que os amigos russos me perdoem pelo palavrão grosseiro – e os brasileiros, maioria, também: ‘Eu estaciono que nem um filho da puta’. E reparem como ele é difícil de tirar…

Esse pega pesado. ‘Eu estaciono como uma loira’. Tinha que ser ucraniano né? O site tá no adesivo e aqui.

Ah, não curte adesivo? De repente você prefere um grafitezinho. Mais cool, moderno, estiloso, né? No primeiro, se lê ‘GRAMA’. No segundo, ‘Eu estaciono na grama’.


Moral da história: estacione direitinho na Rússia. Ou reze…
Tags: adesivos, carro, estacionamento, trânsito
Nevasca histórica, 1700km de trânsito e dicas contra o frio
dez 22, 2009 Trânsito, Vida na Rússia
É o frio. Ontem, segundo os institutos de meteorologia, muitas cidades da Rússia tiveram a maior nevasca dos últimos 130 anos. E, provavelmente, da história, já que, vai saber, como essas coisas eram medidas no tempo do onça. A média de temperatura foi de -22ºC com sensação térmica na casa dos -30º. Bom, o fato é que, quem mora lá, esta comendo o pão que o ‘chert’ amassou. E congelou. Se você é brasileiro e planeja conhecer a Rússia, é melhor pensar duas vezes. Com esse frio, tudo pode acontecer. E o que é pior, pode não acontecer.
Para se ter uma ideia do que aconteceu, ontem a capital russa parou. De acordo com o nosso índice ‘Yandex. Probki’, uma espécie de CET de lá, que mede o a fluidez do trânsito, foram 1700 km de trânsito parado em Moscou, quase a mesma distância de Moscou até Ekaterinburgo – para efeito de comparação, o recorde de SP gira em torno de 300km.
E o tão eficiente metrô também foi a nocaute: as estações ficaram absolutamente lotadas, já que os trens circulavam com intervalos de até 20 minutos, quando o normal é 90 segundos… Os aeroportos também funcionaram ao ‘Deus dará’: quando a pista era limpa e a nevasca dava uma trégua, eles despachavam o máximo de aviões possível. Voltou a cair gelo, fecha tudo de novo.


Sei que essas dicas são lá meio inúteis, já que poucos vão experimentar esse frio ao menos uma vez na vida, que dirá viver sob ele. Mas coletei aqui e ali umas info interessantes sobre como viver nesse ambiente para lá de inóspito.
Para começo de conversa, você deve estar se perguntando: as coisas funcionam? A resposta é: sob essa temperatura, não. Eletrônicos, coisas mecânicas e hidráulicas congelam a partir de -20ºC. Então, se você viajar e pegar esse frio, nada de sacar a máquina digital ou analógica, MP3 players, kindles e afins. Fundamentalmente, graças às baterias de íon-lítio, que perdem a propriedade abaixo de 5º em questão de minutos – baterias de níquel-cádmio, no entanto, têm resistência maior.
Outro problema para os aparelhinhos eletrônicos são os CIs – circuitos integrados. Potenciômetros, resistores e mesmo as soldas tendem a queimar/abrir quando você tenta ligar seu aparelho num ambiente de temperatura negativa. Ora, ele vai pular de -10 para +30. E eles não foram feitos pra isso. Logo, se você precisa usar seu note, chegue a algum lugar quente, espere uns minutos e mande brasa.
Já os celulares têm outro problema, além da bateria: o teclado. Seus contatos são de cobre, que perde a flexibilidade/contato abaixo de zero. Novamente, espere alguns minutos antes de usar. Como via de regra, quanto mais caro é seu ‘gadget’, menos chance ele tem de funcionar no frio. Se até seu chiclete vai para o espaço com essa temperatura, imagina seu MacBook…
Carros requerem cuidados especialíssimos. Os russos não lavam seus carros – ou lavam muito raramente – nessa época. A variação brusca de temperatura detona a pintura, a cera, os vidros e qualquer acabamento de borracha ou plástico. Afinal, a água estaria a, no mínimo, 10º, enquanto o ambiente, a -20º. Um deltaT de quase 30º, isso descontando o ‘negativo’.


Outro ponto crucial é a bateria. Seus elementos são placas e uma solução de ácido sulfúrico e água que, obviamente, pode congelar ou perder dramaticamente sua propriedade. Logo, ligar o carro direto pode decretar seu fim. O jeito é virar a chave para a posição 1, aquela que só as luzes ficam acesas. Depois de alguns segundos, dê a partida e fique alguns minutos parado.
Mais um fator decisivo é a gasolina. Essencialmente, não deixe ela chegar na reserva. Aliás, nem confie, pois o medidor pode não entender a compressão de volume com esse tempo. Sem contar que as impurezas do fundo e eventual cristalização de uma gasolina menos pura, aquela que fica no fundo do tanque, pode entupir o sistema de injeção – ou carburador, no caso dos Zhigulis. É tanque cheio. E com gasolina de qualidade. E não deixe entrar muito ar no tanque.
Ao abastecer, tente fechar o máximo possível do tanque com um pano, enquanto coloca a bomba. Ar frio no tanque = cristais de gasolina = carro parado. Aliás, se o carro parar por conta disso, ou de algo relacionado ao frio, ache um estacionamento com aquecimento e relaxe alguns minutos. Deve ser suficiente para o que quer que esteja deixando seu carro moribundo sumir.
No próximo post, vou falar sobre como cuidar de uma máquina um pouco mais avançada sob essa temperatura: o corpo.
Tags: congela, dicas, eletrônicos, frio, metrô, motor, nevasca, trânsito
Russos descobriram ‘Dia sem Carro’ pelo rádio. Parados no trânsito
set 24, 2009 Trânsito
Para quem não sabe, também teve ‘Dia sem Carro’ na Rússia. E, para quem não sabe, lá a tentativa dos ‘ecos’ foi um retumbante fracasso. Muito maior do que o mesmo ‘feriado’ aqui nas nossas terras. Para começo de conversa, já lembro aos que chegaram agora: o trânsito de Moscou é, senão o pior, o top 3 de piores do mundo (olha aqui e aqui). Na hora do rush + neve + sexta-feira, faz São Paulo parecer Tegucigalpa. E, na outra ponta da minha argumentação, está o fato de que, assim como o brasileiro, o russo é um bicho naturalmente malandro.
Só pra contextualizar: o tal ‘Dia sem Carro’ foi inventado na Europa (a Rússia também é meio Europa, mas você sabe que quando a gente fala Europa, quer dizer Alemanha, França, Inglaterra…) em 1998. E a Rússia tentou aderir em 2008. Mas não houve campanha nem nada, então o tal ‘ecoferiado’ passou batido. Esse ano, o governo entrou na brincadeira e investiu pesado. E junto com o governo, vem boa parte da mídia do país. Para se ter uma ideia, o metrô de Moscou iria custar a metade do preço no tal dia e foi ventilado o seguinte slogan: “Não se espante se topar com Yuri Luzhkov no metrô”. (Luzhkov é o prefeito da capital).
Dá uma espiada em como ficou o trânsito por lá.
Mas aí entrou a ‘malandragem’ russa. Caleijados com os enormes engarrafamentos, os moscovitas pensaram que, com todo mundo aderindo, o trânsito iria fluir melhor. Então, com todos contando com a consciência ecológica alheia, não deu outra: ninguém deixou o carro na garagem e o trânsito, que já era péssimo, conseguiu ficar pior. Foi um dia de pandemônio. Geralmente, às 9h da manhã, a média de engarrafamentos por lá é de 350km, de acordo com o índice Yandex. Ontem, bateu 400km. Para se ter uma ideia, SP atinge 100km no mesmo horário. E assim foi não só em Moscou. Piter, Vladivostok, Novosibirsk, Voronezh… O dia foi solenemente ignorado.
Aqui, a repórter do ‘Komsomolskaya Pravda’ pergunta aos motoristas se eles sabiam do ‘Dia sem Carro’. É cada desculpa esfarrapada…
No geral, os russos lidam com esses ‘dias’ de conscientização de forma meio debochada e blasé. Na ‘Hora da Terra’, a adesão foi ridiculamente baixa. Ninguém quis ficar às escuras para salvar o Planeta. E tem ainda o inacreditável ‘Dia sem Celular’, proposto pelo cineasta Timur Bekmambetov (famoso pelos filmes ‘Night Watch’ e ‘Day Watch’), no qual ele sugere que as pessoas desliguem seus telefones móveis para libertar-se, ao menos por um dia, da ‘dependência celular’.
Nas colunas de opinião dos jornais, a mesma opinião, exposta de uma forma ou de outra: para que os russos entrem na brincadeira, alguém vai ter que se coçar. Seja dando presentinho, seja dando adesivo, fitinha, qualquer mimo que dê uma alegria para o cidadão. E não é que a engraçada conclusão também cairia muito bem aqui no Brasil?
Depois falam que russo é muito diferente de brasileiro…Tudo bem que poucos vão entender, mas vale conferir a cobertura dos jornais de lá. É o tipo do caso que a imagem diz tudo.
Tags: dia sem carro, engarrafamento, moscou, trânsito
















