Chernobyl 24 anos: a ameaça é maior do que a gente imagina

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Chernobyl segue uma bomba relógio. Enquanto o ‘sarcófago’ não sai, o presidente ucraniano faz sua chantagem, pedindo dinheiro e ameaçando os vizinhos com a herança nuclear que o país – e o mundo – receberam da União Soviética: uma incontável quantidade de material contaminado com elementos até 400 vezes mais radioativos que as bombas de plutônio usadas em Nagasaki e Hiroshima.

Enquanto seu país afunda, crise após crise, o ‘gerente’ atual do problema, Viktor Yanukovich, repete a chantagem que todos os seus antecessores – sem exceção – fizeram: ou o mundo arruma 400 milhões de euros para terminar a obra, ou todo mundo corre risco de uma nova explosão seguida de uma nuvem altamente radioativa. Isso é fato. O material ativo segue derretendo o sarcófago precário construído e mantido a duras penas pelo país e um consórcio internacional.

O fato é que a construção de uma estrutura definitiva para conter o material nuclear já custa quase 20 vezes o estimado inicialmente. E ainda não tem prazo para terminar. Isso em função da péssima gestão ucraniana. E, provavelmente, não vai terminar nunca. As obras foram interrompidas durante a crise econômica do início do ano passado e não têm prazo para serem retomadas.

E, ano após ano, mais rastros da destruição são descobertos. Hoje, o KP da Bielorrússia publicou uma matéria sobre as pequenas cidades e propriedades que vão sendo analisadas e estudadas após se tornarem ‘cidades-fantasma’ depois do acidente nuclear.

Mas o mais chocante é que esses lugares – eventualmente propriedades ricas – são visitadas por saqueadores, que buscam objetos de valor para revendê-los nas grandes cidades. São coisas com altíssimo nível de contaminação por material emissor de raios gama, que podem causar uma infinidade de malefícios a seus receptores.

Imagine a cena: um sujeito, seja em Kiev ou Minsk, compra um suposto objeto de decoração ou uma obra de arte. Sem saber, está levando algo roubado das áreas isoladas por radiação. Agora, imagine que esse comprador viaja até a Alemanha, por exemplo, com o objeto. Imagine o estrago que essa estupidez já causou e ainda pode causar. Alguém está livre? Não. Alguma autoridade faz alguma coisa? Não. Afinal, a zona de exclusão tem uma frágil segurança. E o mundo não está nem aí. Uma tragédia derivada de Chernobyl é apenas questão de tempo.

Ano passado, no aniversário de 23 anos, fiz alguns textos e entrevistas sobre a tragédia. Como nada muda, o material ainda está atual. Vale dar uma espiada. Clique aqui.

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