Começa campanha ‘Diga não ao preconceito’ em Moscou

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Vivo dizendo e repetindo: Moscou – e o resto da Rússia – são lugares altamente racistas. Óbvio que digo isso com dor no coração e sabendo que a imensa maioria da população jamais seria capaz de um ato de ignorância contra estrangeiros. Tenho pelo menos uma dezena de histórias de ataques, perseguições e tensão no ar, tanto pela capital quanto em outras cidades. Os alvos? Africanos, em sua maioria, e asiáticos. Caucasianos são vítimas de um outro tipo de racismo, talvez o mesmo que os árabes enfrentem hoje nos Estados Unidos.

Talvez por isso Moscou tenha aderido com tanta força à campanha Europeia contra a discriminação racial, que já chegou a 12 países. Aliás, além do poder público da capital russa, o grande alvo da ação são os jornalistas. A ideia é iniciar a transformação da consciência social através de massivas mensagens através da mídia. Para isso, centenas de cartazes como esse aí do lado foram espalhados por toda a Moscou, com os dizeres “Diga não à discriminação. Todos são diferentes, mas todos são iguais’. Uma atitude absolutamente louvável e que, esperamos, aja positivamente na cabeça daqueles que acreditam na baboseira de raça superior. E estes, infelizmente, ainda fazem um grande barulho na sociedade por lá.

Segundo pesquisa da britânica BBC, conduzida em junho/julho últimos, cerca de 60% dos negros que moram em Moscou já foram vítimas de ataques físicos motivados pelo racismo. E 25% destes já foram agredidos mais de uma vez. Asiáticos, africanos e estrangeiros em geral, moradores da cidade, são frequentemente atacados, daí evitarem andarem sozinhos ou em horários menos movimentados. Evitam ainda andar de metrô ou sair em feriados nacionais, quando há partidas de futebol ou próximo aos dias de nascimento ou morte de Adolf Hitler.

Da matéria da BBC que ajudou a compor este post, cito o comentário de Svetlana, Moscow, Russia: “However sad it is, I have to admit that these facts are true. We are in 21st century, but still attitude towards non Russian people here in Moscow remains the same. Foreigners at least are treated with suspicion; at most they are attacked, bullied. I don’t see that many Africans on the streets, you can hardly find them in public places. Even though I know that many study in Moscow. When you see Africans in Moscow, they always go in large groups of four or five people, never alone. Seeing a black person here is still exotic. Ordinary people just stare at them, but there are groups of youngsters, who think that Africans should not be here. Listening to all of this horrible stories on radio, TV about Africans being attacked, I am surprised why there are any who choose to come to Moscow.”

Oficialmente, há cerca de 10 mil africanos vivendo na cidade, mas acredita-se que este número seja pelo menos o dobro, contando com os ilegais. Particularmente, acho muito contrasenso que o país que mais sofreu com o nazismo hoje adote a retórica furada de Hitler e a suástica como símbolo. São garotos que não sabem pelo quê seus pais e avós passaram para que hoje eles estejam aí.

Vamos torcer para que a campanha seja um pontapé inicial para a mudança global na atitude dessa molecada que ainda acha que as pessoas se resumem à cor de sua pele.

1 COMENTÁRIO

  1. Depois de ler este post, acabei de desistir de conhecer a Rússia. Quando viajo quero me sentir bem no local, e não ficar preocupada se vou sofrer algum tipo de discriminação e até mesmo ser agredida pelo simples fato de ser negra. Ainda mais viajando com um bebê. Parabéns pelo excelente post.

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