Como é viajar num Tupolev para o Cáucaso

Dando mais um tempo na onda de ‘Nova Revolução Russa’, volto ao tema Cáucaso – que, aliás, estará no blog ainda esta semana, com o ‘Não Conta Lá em Casa’ em Vladikavkaz e Beslan, na Ossétia do Norte -, agora com um post curioso sobre o Daguestão, terra de Roberto Carlos e seu esquadrão futebolístico.

Um pouco depois do retorno do pessoal do ‘NCLC’, o grande amigo Rafael Maranhão também precisou ir para a pequenina e temida república do Cáucaso Russo. O cara vira e mexe tá lá na terra gelada fazendo excelentes matérias sobre futebol e tudo nessa órbita. Coincidentemente, é um daqueles caras que enxerga além dos clichês e consegue matérias legais com algo novo (você pode ler uma delas aqui). Bom, dei uma pequena ajudinha nessa viagem também, e lá foi ele ‘curtir’ Makhachkalá.

As tais ‘matérias legais’ futuras, espero, estarão devidamente reproduzidas aqui no blog em breve. E o Rafa foi camarada o bastante pra dar pra gente aqui do blog um post com alguns toques bem legais. O primeiro deles é sobre um assunto do ‘Não Conta Lá em Casa’ que gerou muitos comentários e e-mails: como é viajar naqueles aviões-espeluncas até o Cáucaso?

A Daguestan Airlines, e aí a Wikipédia me ajudou nisso, é a companhia que serve o pequeno país. ‘Independente’ da Aeroflot desde 1996, tem hoje uma frota de cinco aviões Tupolev 154 (eram seis, mas um se acidentou em 2010, no Domodedovo, em Moscou…). E é exatamente de um desses que o primeiro toque do Rafa fala.

E aí, deixo ele contar pra gente como foi essa experiência tensa:

Aqui vão algumas fotos dos Tupolevs. A primeira é do ‘tupola’ da ida, da DagAir, contra o sol com celular já na chegada a Makhachkala. A segunda é a galera se espremendo pra furar fila e entrar no avião. O Tupolev da volta era da south East Airlines, que é subsidiária da DagAir. Por fora, deram uma pintada na lataria. Por dentro, é a mesma coisa. A mesma decoracão velha e parecendo mofada.

A terceira é da saída de emergência. Quem senta ali pode esticar as pernas, mas não tem onde apoiar as bandejas. Não que o servico de bordo seja farto: refresco de laranja ou suco de tomate. C(h)afé ou chá com limão. Também servindo um micromuffin com doce de leite (que eu esqueci o nome mas vc vai saber). Repare no detalhe da segunda porta de emergência que está vedada com uma fita adesiva sobre o aviso de saída, porque virou mais uma fileira de cadeiras. O sujeito encolhido na foto está, como todo mundo estava, morrendo de frio, pq a calefacão estava desligada.

A quarta não pegou bem o espaco interno, mas dá para notar o aperto e o porta-bagagens minúsculo cujas portas (algumas) abriram na aterrissagem.

Por fim, os bancos que inclinavam pra frente se alguém não estivesse sentado. Não havia controle para recliná-lo. Era torcer para ele não descer sozinho e você levar com o joelho de alguém nas costas ou dar uma joelhada nas costas de alguém.

Depois, tem a foto do banheiro do Tupola. Não dá exatamente para ver os detalhes. Ele parece até maior do que é, não dá para ver o pedal da descarga e a luz da câmera deixou o ambiente um pouco mais iluminado. Também não dá pra ver aquele fiozinho de água que sai da torneira e, obviamente, nem pra sentir o cheiro de cigarro, hehe.

A outra foto é a do servico de bordo. Um refresco de laranja de máquina e um bolinho bem pequeno, tipo muffin, com recheio de doce de leite.

A última a pista de Makhachkala com a neve nas montanhas, a primeira nevasca havia caído exatamente naquela noite. Não sei se esse carrinho que aparece era do servico de emergência. Olha, a dúvida sobre viajar armado foi desfeita. o cara na fila do raios-x tinha uma arma. Teve que assinar uma papelada lá e a arma seguiu no avião, mas não com ele.

Eu confesso que até o acidente com o time de hóquei de Yaroslav eu nem estava me ligando muito nessa história dos aviões precários da Rússia.

Uma outra coisa que o Rafael notou foi uma espécie de ‘boom’ imobiliário (juro que não tem aí nenhum trocadilho) numa região específica de Makhachkalá. Kaspiisk, um município vizinho, agora é onde estão todos os novos empreendimentos locais. ‘O novo estádio, a concentração do Anzhi e os projetos imobiliários estão concentrados na estrada entre Kaspiysk e Makhackala. Porque fica mais perto do aeroporto, do mar e porque você não precisa nem pisar em Makhackala. Além disso, não tem nada lá e é sempre mais fácil construir do zero do que reconstruir o que está caindos aos pedaços. Por outro lado, é em Kaspiysk que fica uma base militar que já foi algumas vezes alvos de ataques.’

Aí fui conferir isso com meus amigos daguestanis. Realmente, a região é uma das mais caras do país. Um apartamento de dois quartos custa, em média, R$ 160 mil, em Kaspiisk, que fica a uns 20km da capital, no trajeto entre o aeroporto e Makhachkala. Mas é bem interessante pra gente conhecer um pouquinho mais desse rincão russo (ou daguestani).

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