D. Carvalho diz que foi ‘dopado’ na Rússia e depois desmente

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E a polêmica do dia envolvendo russos e brasileiros veio da boca de atacante Daniel Carvalho, que soltou o verbo ao dizer que engordou por ter tomado as famosas ‘bombas’ nos tempos de Moscou: ‘Eles acabaram me dando uns anabolizantes. Infelizmente eu não sabia o que estava tomando e acabei engordando praticamente oito quilos em um ano’, disse, em entrevista à Rádio Estadão/ESPN.

Hoje no Palmeiras, o atleta jogou pelo menos 5 temporadas no CSKA de Moscou, cravou que ‘na Rússia não existe exame antidoping’. Mais que rapidamente, o Gustavo Hofman, que cobre futebol russo para a ESPN, tuitou uma entrevista no canal esportivo com Grigory Telingater, um dos jornalistas do Sport-Express, um dos maiores periódicos especializados em esporte da Rússia, que negou essa informação. ‘Lembramos até de um goleiro do CSKA que foi pego no doping há dois anos. Existem, sim, os exames, embora ainda haja muitas perguntas para a Federação Antidoping’. A matéria completa, com vídeo e áudio, você vê aqui.

Mais tarde, ao ‘Sovsport’, Daniel Carvalho disse que foi tudo um mal entendido e que ele não tomou ‘doping’. Foram injeções de ‘добавка’, ou suplemento, na boa linguagem. Quando perguntado se outros atletas, ou brasileiros, também receberam o mesmo ‘suplemento’, ele desconversou: ‘Não sei, só posso responder por mim’. O ‘Sovsport’ ainda reproduziu uma declaração do médico do Palmeiras, duvidando da versão do jogador.

Ao ‘Sport-Express’, Daniel Carvalho foi menos polido. Disse que, quando soube que o conteúdo das injeções iriam direto para o coração, parou de tomar. ‘Não sei se eram anabolizantes, não tenho conhecimento médico para dizer. E, se foram, aconteceu dez anos atrás, ficou no passado. Se não foram, peço desculpas aos russos pelas palavras inoportunas’.

O diário também reproduziu uma declaração do diretor geral do CSKA, Roman Babaev, que, além de debochar das declarações do atleta, garantiu que tudo é um ‘monte de besteiras, um absurdo’. ‘Vamos entrar em contato com ele e esclarecer se ele falou isso mesmo ou não. Acho que amanhã podemos saber de onde essa informação apareceu’.

Também achei muito estranha a informação do Carvalho, dizendo que não há controle sobre doping no futebol russo. Como a gente bem sabe, as coisas não são lá muito preto no branco por lá – o dinheiro rola solto e muita coisa é feita às escuras. Mas, no atual nível de organização, poder econômico e aspirações do futebol daquele país, ainda mais se levarmos em consideração que se trata da sede da Copa do Mundo Fifa de Futebol, depois do Brasil, é bastante difícil acreditar que sejam tão amadores.

Puxando pela memória – ainda sem chamar o seu Google -, lembro do caso de Berezuskii e Ignashevich, investigados por doping em 2009, e de Igor Titov, ‘craque’ também pego nos exames, em 2004. Aliás, ainda hoje, a Ucrânia suspendeu, por dois anos, o goleiro Rybka, da seleção nacional e do Shakhtar. É Ucrânia, mas a metodologia e a organização são bem semelhantes.

Mas, para pilhar um pouco, cito essa entrevista com o supercomentarista russo Gennadii Orlov, de 2009, na qual ele fala na lata que ‘todo mundo sabe que nossos esportistas usam doping. Esquiadores, biatletas, atletas em geral, todos se dopam… E continuam a fazê-lo!’.

O engraçado é que tudo isso aparece no dia em que a Gazeta Russa publica uma matéria interessantíssima com Guilherme de França Reis, empresário de jogadores de futebol brasileiros na Rússia, dizendo que ‘diferente de Vágner Love, os jogadores querem prolongar sua estadia’ no país. Vale a pena ler!

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