Déjà-vu: fim do plutônio na Rússia de novo…

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Hoje foi um dia histórico: às 8 da manhã, no horário de Moscou, o último reator nuclear à base de plutônio foi desligado em Krasnoyarsk, na usina de Zheleznogorsk. O aperto simbólico do botão ‘Stop’ (sim, é stop em russo mesmo) se deu ao comando do presidente Dmitri Medvedev, que encontra-se na cúpula sobre segurança nuclear de Washington.

Mas, apesar de ser um fato a ser comemorado, ainda deve se ter calma. A antiga URSS construiu 14 usinas nucleares à base de plutônio e manteve boa parte delas funcionando até 1994. De lá para cá, foram sendo desativadas aos poucos. Entretanto, em alguns casos, como o de Zheleznogorsk, os reatores também geram aquecimento para a água que chega até as cidades, durante o inverno. No caso de Zheleznogorsk, especificamente, trata-se realmente do último reator em atividade (há 46 anos operando). Em 2009, a Rússia também fez um estardalhaço para eliminar o plutônio como combustível: fechou o reator.

Entretanto, as autoridades locais se apressaram em alertar para o fato de que, caso haja carência de água e aquecimento, o reator voltaria a funcionar. A Rosatom (órgão que gerencia as usinas nucleares por lá), debochou do fato, dizendo que era um ‘absurdo’ tal informação. Pois bem, veio o inverno e… o ADE-2 de Zheleznogorsk foi religado. Pronto. Faltou aquecimento, volta o plutônio.

Por isso, agora, uma grande parte da imprensa russa faz cara de deboche quando o governo anuncia o fim do plutônio. Ainda há mais de 60 toneladas ativas do elemento em usinas e nas 17 mil armas nucleares do arsenal do país. E, creiam, a Rússia não consegue achar outra fonte de energia, que não o Pu-239, para se aquecer no inverno. Usinas como Zheleznogorsk seguem prontinhas, apenas com o reator desconectado do sistema, funcionando em modo ‘reservogo ozhidanya’, algo como em `stand-by` com um log monitorando a atividade nuclear. Basta um friozinho a mais e…

Em tempo, o plutônio é um elemento químico pesado, não encontrado na natureza, obtido através de bombardeio do urânio. Alguns isótopos, como o o Pu-239 (usado em usinas e aparatos nucleares), podem ter meia-vida de até 24 mil anos. Lembra das aulas de química? Pois é. Meia-vida é o tempo que o elemento químico radioativo leva para perder METADE de sua atividade. O Pu é uma das substâncias mais tóxicas da humanidade. Basta a ingestão de um milésimo para causar a morte de um ser humano. Teoricamente, uma quantidade de 4kg seria suficiente para exterminar toda a humanidade e mantê-la desta forma por milhões de anos.

Ah, e as usinas do Brasil utilizam urânio, como em boa parte do mundo. E nosso país é dono da quinta maior reserva desse material do mundo. Entretanto, o processo de enriquecimento de urânio é altamente controlado pelas agências internacionais de energia nuclear (já tivemos, no passado, os mesmos problemas que o Irã tem…). Teoricamente, o Brasil tem tecnologia para enriquecer urânio, mas fica limitado pelas agências. Teoricamente, não há uso de plutônio no nosso país.

A título de curiosidade, recomendo o filme ‘Pu-239’, que conta a história de um ex-funcionário de uma usina atômica injustiçado, que rouba um pouco de plutônio após ser contaminado e pretende vendê-lo no mercado negro. Muito interessante.

1 COMENTÁRIO

  1. O brasil e um pais pacifico. isso naum quer dizer nada. alguem que quer paz .tem que estar preparado para guerra precisamos ter varias armas nucleares em submarinos. avioes em ponto estrategicos misseis de longo alcance pra nossa defesa . vcs miltares patriotas precione o governos. naum podemos ter presidente filho de chocadeira ex fernando collor.

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