Dias inesquecíveis na Alania

Como todas as pessoas que gostam de viajar, tenho vários souvenires dos lugares por onde passei. Mas, de todos eles, os que me dão mais orgulho são aqueles que “conquistei” em minha passagem pelo Cáucaso. Duas adagas e um “chifre”, usado para tomar vodka e vinho especial em ocasiões especiais com pessoas especiais.

Depois de alguns dias na Ossétia do Norte (ou Alania), decidi que precisaria comprar uma lembrança típica do local. E as variedades não eram poucas: tipos de vodka, tecidos, minaturas dos montes karmadon e feokdon e muitas outras coisas me chamavam atenção. Mas nada se comparava ao “kinzhal” (adaga) e ao “rog” (chifre) típico do Cáucaso, para beber vinho e, eventualmente, vodka.

Em uma das mais simpáticas lojas da Prospekt Mira (avenida principal de Vladikavkaz, capital da Ossétia do Norte), fui com um amigo comprar meu souvenir. E acabamos batendo papo com um senhor ossetino muito simpático, que, ao saber que eu era brasileiro, me convidou para uma janta em sua casa. E mais: não me vendeu nem a adaga nem o “rog”.

Então, mais tarde fomos visitar o Sr. Aslambek, onde fomos recebidos com toda pompa (há um ditado de lá que diz “o convidado é um santo”). Depois de muita comida e alguns brindes, fui presenteado com uma das adagas – a reta, das fotos -, que seria a típica da região, com delicados contornos. E com um “rog”, onde bebi muito vinho e muitas doses de vodka, com muitos e longos brindes, sempre em três línguas: russo, ossetino e português. Me foi dito que eram lembranças para um grande amigo do povo ossetino. E confesso que hoje sou um grande fã daquele pequeno pedacinho de terra, lugar de muitos heróis, muita cultura e muita simpatia.

E sr. Aslambek, no lugar de patriarca da casa, me explicou que, no Cáucaso, ninguém tem pena de usar os mais caros metais para adornar um chifre e torná-lo seu “copo”. O rog pode ser pendurado, dura por gerações – não quebra fácil como vidro ou cristal -, é leve, fácil de carregar pelas subidas das montanhas e faz parte da vestimenta típica do caucasiano.

Mas, não bastassem todos esses motivos, o mais importante seria que, uma vez que se entorna o vinho no rog, ele tem que ser bebido. O rog não cabe na mesa, não fica de pé e, se for pendurado na roupa, o vinho derrama. O vinho tem que ser bebido por cada um e a cada brinde. Uma espécie de “carpe diem”. E eu nunca me esqueço do ditado:  “Na stol rog ne postavish, na potom vino ne ostavish… Shtoby vino nalitoe bylo vypito kazhdym i kazhdy raz za zdarovye”. (Se não se põe o rog na mesa, não sobra vinho para depois. E que vinho entornado seja bebido por cada um a cada brinde à saúde).

E, para fechar, a outra adaga foi presente de outro grande amigo, depois de uma festa em meu último dia na Ossétia do Sul. Isso após tocarmos “Back in the USSR”, dos Beatles. Não dá para esquecer né?

 

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Uma resposta para “Dias inesquecíveis na Alania”

  1. […] um comentário Todo mundo ainda acha que eu fui um completo idiota por ter feito, em 2002, uma viagem pelo Cáucaso – Osétia do Norte, do Sul, Daguestão, passagem pela Chechênia, Armênia e Geórgia. Tudo […]

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