Doutoranda do RJ representa o Brasil na MGU

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O motivo mais básico de se criar um blog é ‘comunicação’. Então, a gente escolhe um tema e vai encontrando pessoas que têm os mesmos interesses que você. Eventualmente, você faz amigos que o destino, de alguma forma inesperada, colocou no caminho. Fiquei muito surpreso com a história da Ana Tereza, que, numa dessas jogadas, acabou indo parar na MGU – Universidade Estatal de Moscou – que é, disparada, a melhor da Rússia. Lá, ela trabalha como leitora, uma pessoa que acaba, de certa forma, representando o Brasil no meio acadêmico. Uma posição muito legal e respeitada.

Então, a Ana está lá, vestindo nossa camisa, ensinando um pouquinho da nossa língua, literatura e cultura para os russos. Vira e mexe a gente bate papo, então pintou a ideia de botar ela no nosso círculo. É legal para as pessoas descobrirem que a Rússia não é um bicho de sete cabeças, nem é o fim do mundo. Embora tenha, como todos os lugares, suas dificuldades, peculiaridades e coisas muito legais.

A Ana é formada em Letras, português-literaturas pela UERJ, mestre em Literatura Brasileira também pela UERJ e doutoranda em Ciência da Literatura pela UFRJ. Ou seja, ralou para estar onde está e bota o nome do nosso país lá no alto. E, se você também tem vontade de ‘acabar’ lá de alguma forma, tem gente que está fazendo acontecer. Basta você se dedicar que, mais cedo ou mais tarde, vai rolar.

Então vamos lá!

O que você faz em Moscou e o que fez para chegar aí?
Em novembro do ano passado, me inscrevi pelo site da Capes no programa de Leitorado, que é um convênio do Ministério da Relações Exteriores com as embaixadas do Brasil. Cada candidato indicava 3 opções de países nos quais gostaria de ser leitor. Indiquei aqueles que não pediam proficiência na língua, e um deles era a Rússia. Em janeiro, recebi um comunicado do DPLP informando que a Universidade de Moscou tinha me escolhido. Foi uma grande surpresa.

Como você se sentia antes de viajar? A Rússia era aquilo que você esperava?
Fiquei bastante tensa, porque não tinha informações sobre o país e não conhecia ninguém aqui. Comecei uma busca na internet por pessoas que pudessem me dar algumas informações sobre o país e acabei contatando a pessoa que implementou o programa na MGU, a professora doutora Arlete Cavaliere, da USP. Ela me esclareceu muitas coisas e foi minha grande incentivadora antes da viagem. É óbvio que sofri um grande choque cultural quando cheguei, e acho que talvez no primeiro momento tenha sido pior do que imaginei, porque não fazia ideia do que é realmente a máquina burocrática russa. É muito papel.
 
Como é a experiência de trabalhar com universitários que querem aprender sobre nossa cultura num país tão distante?
Essa é uma experiência da qual nunca vou esquecer. Além do grande interesse em aprender mais sobre nossa cultura por parte de alunos e professores, eu também estou aprendendo muito. É uma troca cultural muito interessante e que está sendo importantíssima.

Qual foi o seu pior momento aí? E do que mais gostou?
O pior foi quando eu passei mal aqui e me dei conta de que perto de mim não havia ninguém que me entendesse (russos, em geral, não falam inglês) se eu precisasse de ajuda. Gostei de muitas coisas, mas conhecer a cidade histórica foi muito bom, assim como conhecer uma ‘dacha’ (casa de campo russa).

E como esta sendo se virar com a lingua?
Estou tendo aulas de russo na MGU e tento me virar com o que já aprendi. Quando não dá certo, apelo para o gestual… e às vezes é hilário…

Qual a principal diferenca entre os russos e os brasileiros?
Como diria Zeca Baleiro, é o “approach” (risos)… O primeiro contato com um russo é sempre meio traumático, não sei se é só o temperamento ou se a entonação da língua também interfere. Eu sei que às vezes uma simples explicação pode parecer um tremendo esporro. Depois de ultrapassada essa fase, russos podem ser muito amigos. Os colegas da universidade, por exemplo, são sempre muito disponíveis quando preciso da ajuda deles. E são russos.

E a diferenca entre estudar no Brasil e na Rússia?
A diferença é brutal, a começar pelo fato de o curso de Letras ser em tempo integral. Quem estuda 8 horas por dia durante 4 anos não tem a mesma formação de quem estuda 4 horas por dia durante 4 anos, né? Fora isso, a disciplina é a palavra de ordem aqui. Os alunos são muito cobrados, principalmente em produtividade acadêmica. Em outras palavras, não dá pra comparar.

E como você esta se preparando para o inverno? O que as pessoas aconselham?
Eu ganhei um casaco de inverno de uma amiga, e estou comprando algumas peças que encontro, mas o fato é que ainda não encontrei uma bota de inverno… Acho que algumas coisas, só no outono mesmo. Quanto aos conselhos, cada um fala uma coisa. Tem gente que diz que não é um drama, tem gente que diz que eu vou sentir muito e ficar deprimida… A única coisa que posso fazer é me preparar psicologicamente.

Como você  resumiria esse pais para quem não conhece? Aconselharia conhecer?
Apesar do choque inicial, recomendo fortemente conhecer Moscou, porque é uma cidade de vida cultural intensa, tem uma história interessante e importante, ou seja, uma experiência muito boa para aqueles que apreciam História e Arte e querem conhecer um país diferente.

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