E não é que o presidente Lula descobriu a Ucrânia?

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Lula, enfim, visitou a Ucrânia. E parece ter ficado encantado não só a bela premiê Yulia Timoschenko, mas também com as possibilidades de negócios entre os dois países, dois ilustres desconhecidos. “Nós descobrimos hoje um pedaço da Terra. Eu só estive aqui uma vez, em trânsito, quando seguia para a China. Mas deveria ter vindo antes, confesso, já que existem muitas possibiliades de negócios entre nossos países”, falou Lula, em seu discurso.

Nosso presidente aproveitou para lembrar um pedaço da história, já que, ao que parece, a Ucrânia descobriu o Brasil um “pouquinho” antes: cerca de 120 anos atrás. “Vocês foram a nosso país para construir uma vida. Hoje, são 450 mil descendentes de ucranianos que ajudaram a construir o Brasil”, disse Lula, quase agradecendo.

Por sua vez, a primeira-ministra Yulia Timoschenko, surpreendentemente, mostrou estar bem a par dos programas de energia alternativas do Brasil e sabatinou Lula com muitas perguntas e análises de possibilidades. Afinal, das receitas da Ucrânia, 47% são oriundas da exportação metalúrgica – um altíssimo risco econômico, que emprega tecnologias obsoletas e é extremamente poluidora. “Cerca de 50% da energia de nosso país vem de usinas nucleares. E apenas 1% é combustível limpo. Uma tragédia”, justificou a premiê. Timoschenko pretende elevar esse número em até 30% nos próximos 15 anos. Mas, dada a situação atual do país – com um cenário de intranquilidade econômica e política – ela própria admite: “É uma missão difícil, praticamente impossível. Mas vamos nos empenhar, agora com a ajuda do Brasil”.

Lula e Timoschenko aproveitaram o encontro para assinar tratados diplomáticos e jurídicos. Na primeira esfera está o fim do regime de vistos para turistas, e o estabelecimento de normas diferenciadas para que trabalhadores e estudantes dos dois países possam ter o trânsito facilitado. O acordo segue nos mesmos moldes daquele assinado com a Rússia em 2008 e do que vigora com a União Europeia.

Entretanto, o mesmo precisa ser aprovado pelo poder legislativo dos dois países (o acordo com  Rússia ainda não tem prazo para entrar em vigor, embora já esteja com suas bases definidas, segundo o Itamaraty. E, na esfera jurídica, também foi assinado um acordo que trata da extradição de criminosos julgados nos dois países. Ou seja, Ucrânia e Brasil deixam de ser refúgios legais para cidadãos de ambos os lados. Embora, de acordo com dados do MRE, não existam registros de tais casos…

Os líderes também acertaram a cooperação bilateral para a realização do projeto ‘Ciclon 4’. Trata-se do desenvolvimento de um foguete utilizado para transporte de aparatos para o espaço, e que será lançado a partir da base aeroespacial de Alcântara, no Maranhão. Desde modo, a cooperação entre as agências espaciais brasileira e ucraniana não só devem seguir a todo vapor, como devem ganhar ainda mais investimentos. Sobretudo do lado brasileiro.

Enfim, de olho no know-how adquirido e desenvolvido pelos cientistas e engenheiros ucranianos, herança dos tempos soviéticos, a visita de Lula tem um interesse estratégico: ao mesmo tempo que busca novos mercados, também fortalece laços políticos com um país que possui uma tecnologia com preços muito mais competitivos em relação aos vizinhos europeus, mas que anda com o orgulho ferido por ser sempre esnobado pelo mundo ocidental. Desta forma, o Brasil atuaria como um parceiro na reinserção da Ucrânia no panorama mundial e ainda se beneficiaria com a transferência tecnológica a preços módicos. Uma relação fundamentalmente ganha-ganha. Isso, claro, num primeiro momento.

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