‘É preciso relativizar a escala das manifestações’, diz analista

3
60
views

Não, eu não estou quieto sobre os protestos na Rússia por ser pró-Pútin. Nem fui obrigado pela FSB a ficar quieto. Meu silêncio sobre a (nem tão) efervescente situação político-social russa é puramente uma obra do acaso, que fez com que meu tempo encolhesse muito – e inviabilizasse incursões mais profundas no tema. Prometo corrigir esse erro em breve.

Por ora, cito uma entrevista interessante da correspondente do Globo Deborah Berlinck com Tatiana Kastoueva Jean, uma franco-russa, com formação no prestigiado MGIMO de Moscou e outros títulos peso-pesados. Basicamente, Kastoueva Jean dá uma ‘amansada’ na revolução idealista e traça um panorama realista das possibilidades de mudança no jogo político por lá. O mais interessante, porém, é que sigo procurando uma análise que traga resposta para a seguinte pergunta: em vez de protestar de forma que beira a irracionalidade, o que a oposição russa está costurando?

‘A Rússia é uma imitação de democracia’, diz pesquisadora
Tatiana Kastoueva Jean afirma que regras são adaptadas para servir ao presidente Putin

GENEBRA — A Rússia não é uma ditadura: é um simulacro de democracia. As regras são adaptadas para servir ao presidente Vladimir Putin. É o que diz Tatiana Kastoueva Jean, pesquisadora do Instituto Francês de Relações Internacionais.

O GLOBO: A polícia está buscando opositores em casa. O que acontece com a democracia russa?

TATIANA KASTOUEVA JEAN: Putin não esperava uma onda de contestação tão forte depois das eleições legislativas em dezembro. Foi uma má surpresa. Ele tenta de tudo para recuperar a confiança das pessoas e combater esta onda de oposição. Mas a Rússia não é uma ditadura. A luta contra a oposição está restrita, por enquanto, ao Judiciário e segue a lei à risca, mesmo que nem sempre siga o espírito da lei.

É possível que a Rússia caminhe para uma ditadura?

TATIANA: A Rússia é um modelo de imitação da democracia. Todos os órgãos democráticos, o Parlamento, as eleições, funcionam. Mas a natureza das instituições mostra que há manipulação dos instrumentos habituais de uma democracia. É um simulacro de democracia.

Ela não é uma democracia real?

TATIANA: No exterior, tudo funciona como uma democracia. Só que o interior é mudado e adaptado para servir aos interesses do governo. Exemplo: Putin voltou atrás na decisão de anular as eleições diretas para governador. Há instrumentos que fazem com que a eleição não seja tão direta assim. Há um filtro presidencial na escolha das candidaturas. O sentido da democracia foi desfigurado.

A lei que aumentou a multa a manifestantes é outro exemplo disso?

TATIANA: Exatamente. As razões que apresentam são sempre as mesmas: proteger a lei e impedir a desordem pública. Mas todo mundo sabe o verdadeiro objetivo.

Putin ainda tem seis anos de governo. O que esperar dos protestos?

TATIANA: É preciso relativizar a escala das manifestações. Elas não têm nada a ver com a dimensão dos protestos da Revolução Laranja (realizados na Ucrânia após as eleições presidenciais de 2004, que muitos viam como fraude). As manifestações na Rússia permanecem confinadas aos centros urbanos. Eles são feitas por classes médias e urbanas que aproveitaram bem os anos de crescimento no governo Putin, mas querem ir além dos ganhos da transição. É uma classe média que viaja, vê outros países e está cansada de um regime corrompido.

Quem apoia Putin?

TATIANA: Putin tem mais de 50% de apoio da população, com destaque para a classe operária e parte dos funcionários públicos. Mas sua popularidade se fissura cada vez mais. Ele vai continuar a jogar com a lei porque precisa manter as aparências. Acho que ele conseguirá ir até o fim de seu governo. Se houver um perigo para ele, veremos quando ele tentar mais um mandato.

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/mundo/a-russia-uma-imitacao-de-democracia-diz-pesquisadora-5185920

3 COMENTÁRIOS

  1. Bom dia, Fabricio
    Nos últimos meses, desde as eleições parlamentares no final de 2011, venho me debruçando nesta nova e inesperada “reação política”, digamos assim, na Rússia. Uso esta expressão, porque a cena política russa estava apática, amorfa mesmo, desde a chegada de Vladimir Putin ao poder em 2000. Putin assumiu um país falido, socialmente muito pior do nos tempos da perestroika de Gorbachev ou da estagnação brezhneviana, repleto de máfias e oligarcas que mandavam e desmandavam a bel prazer, o Cáucaso à beira, literalmente falando, da explosão, bagunça política, instituições em pandarecos, pesadelo de investidores, enfim. A Rússia daqueles tempos não era o sonho de consumo de nenhum governante. Verdadeira carne de pescoço. Putin melhorou, digamos, 90% desta calamidade. Por isso foi eleito o Homem do Ano da revista Time em 2007. Já expressei neste blog a minha simpatia pelo atual presidente russo, não escondo isso de ninguém, nem acho que deveria ter vergonha por isso. Gabo-me de ter um bom conhecimento deste personagem e sua administração, coisa que pouquíssima gente tem por sinal. Não fujo do debate, mas reconheço que o “putinismo”, por assim dizer, tem as suas falhas. Até aí tudo bem, afinal de contas qual é o político, sistema político ou ser humano que é infalível? Muitos ficam espantados com a minha defesa de Vladimir Putin. Dizem coisas do tipo “como pode existir alguém assim? Credo…” ou “tem louco para tudo…” e por aí vai. Mas se eu acredito que Putin não é santo, muito menos acredito que seja o ogro retratado nos jornalões do Ocidente ou pela plêiade de pseudo-experts em Rússia. Fazer o quê? Nunca tive a tendência de ter um comportamento estilo “manada”, ou seja, se um sujeito qualquer supostamente sabido em tal assunto diz algo, logo esta é a verdade e devo segui-la sem contestações. Não sou tampouco pautado por idolatria ou tietagem a Putin, até porque nem o conheço pessoalmente, longe disso – ou por fé cega a um homem que mora em um lugar para lá de distante, mas tenho fundamentos para defendê-lo, sim. Não obstante, acho que a grande vitória do movimento oposicionista russo será fazer que Vladimir Putin abandone a idéia de permanecer por mais 12 anos no poder. Seria um erro, acredito eu, se Putin tentar mais uma vez a eleição em 2018. Estranho falar isso de alguém reeleito há pouco, mas creio que já seria um tremendo lucro Putin conseguir terminar o mandato, saindo de cabeça erguida do Kremlin. Deve-se dizer a favor de Vladimir Putin que este segue a constituição russa à risca, que permite sim este tipo de manobra política. Não há, portanto, ilegalidade jurídica alguma nisso. Mesmo que o espírito da lei seja quebrado. Estas coisas fazem parte do jogo político em qualquer nação civilizada. Mas o fato é que vivemos em uma era que as pessoas não toleram mais as mesmas coisas e pessoas por muito tempo no mesmo lugar. É uma era pós-moderna, em que tudo é muito rápido, em tempo real, multimídia e, principalmente, descartável. Inclusive as pessoas. Talvez seja este o erro de percepção, ao menos momentâneo, de Putin: achar que os jovens também almejam a “estabilidade” prometida e obtida à sociedade nestes últimos 12 anos. Para a sorte de Vova, o “momentum” dos protestos permaneceu, na melhor das hipóteses, estável. Não aumentaram em intensidade, como parecia lógico acontecer. No cenário mais realista, estas, vá lá, 100.000 pessoas que foram às ruas é o máximo que a oposição consegue reunir. Muito longe do 1 milhão de almas prometidas para um feriado nacional e com tempo bom, condições que seriam propícias para amealhar tamanho povo. É logico que a situação pode piorar. Para todos os lados. Afinal, a Rússia é aquilo que Winston Churchill diria: Russia is a riddle wrapped in a mystery inside an enigma.
    Saudações e abraço,
    Felipe

  2. Putin deve ficar no poder mais 12 anos e o quanto for necessário. Ele devolveu o orgulho e o poder aos russos novamente! Existe é um complô ocidental contra ele.

  3. Alisha and Phil are both psychotic. However, this is Phil’s trend find them young, mold them how he likes them, then he gets bored and moves on. However, now Phil is fnlaily looking old. So he must be feeling old. So maybe he’ll hold onto this young girl for safe keeping. Either way, I wish Achsha had more self respect than to engage in Phil’s demeaning life. Phil should be ashamed of himself for preying on the young. As far as Alisha, don’t know her well. But remember her being a complete psycho after phil and her married. cocaine will do that sort of thing . referencing BOTH parties in that marriage. May God watch over your heart, Achsha.

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here