Estrangeiros na Rússia: panorama, medo e expectativas

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‘Tem muitos estrangeiros em Moscou?’. É outra perguntinha básica que sempre me fazem. Pelas experiências pessoais, sei que são muitos e faz parte da cultura local receber gente de todo canto do mundo. Aliás, tanto a capital quanto São Petersburgo são cidades muito cosmopolitas em todas as suas esferas de vida. Conheci árabes, gente da Europa Ocidental, americanos, equatorianos, japoneses, chineses, indonésios, africanos… É gente que tenta se integrar e sofre com a burocracia da máquina russa. Mas o panorama geral é bem mais complexo.

A Rússia é o segundo país do mundo que mais recebe – e recebeu – imigrantes, perdendo apenas para os Estados Unidos. Hoje, estima-se que cerca de 15 milhões vivam no país. Oficialmente, de acordo com o Instituto de Economia de Moscou, 4,9 milhões fazem trabalhos que russos não topam (limpam ruas, lavam pratos, dirigem ônibus…). Mas este número pode chegar a 10 milhões, contando os imigrantes ilegais. E recebem salário médio de US$ 300/mês, o que pode ser considerado ‘miséria’ para um lugar caro como a Rússia.

E o país vive um drama, uma vez que sua força de trabalho cai 1,2% ao ano – devido, em grande parte, a problemas tais como o consumo de álcool -, enquanto a economia cresceu 7% até 2007, antes da crise global. Ou seja, o país precisa dos estrangeiros para se movimentar. Por outro lado, a xenofobia e os ataques a estrangeiros disparam ano a ano. Em 2005, foram 435. Em 2006, 575, segundo o instituto SOVA. Em 2008, foram mais de mil e este número tende a ser superado em 2009. Gente com feições asiáticas, caucasianas, morenos, mulatos ou negros andam sempre com medo e evitam sair à noite sozinhos.

E a política estatal não ajuda muito. A Duma – parlamento russo – estabelece cotas de estrangeiros para cada cidade/região, e para cada nacionalidade. Para se ter uma ideia, oficialmente, Moscou só pode abrigar 800 mil estrangeiros de um total de 6,1 milhões que o país pode receber (embora se saiba que a capital tenha ao menos 10 vezes mais migrantes). E a multa para quem emprega ilegais pode chegar a 800 mil rublos (cerca de US$ 27 mil). Cria-se, assim, um ambiente cruel de exploração de trabalhadores, sem vínculo, que paga mal e os sujeita aos policiais, que não tem pena de extorquí-los.

Nas universidades

No campo acadêmico, o panorama é similar. Segundo dados oficiais, são mais de 200 mil estudantes estrangeiros em toda a Rússia, representando 160 países. Destes, 80% vêm dos países da antiga União Soviética (atual ‘Comunidade dos Estados Independentes’). E vivem não só em Moscou, se espalhando por Tomsk, Novosibirsk, Volgograd, Kazan, Voronezh, Yekaterinburg, Khabarovsk, Vladivostok e outras, em 656 instituições de ensino superior.

Deste número, cerca de 90 mil não pagam absolutamente nada pelos estudos. Mas vivem em condições muitas vezes subumanas nos alojamentos. E todos querem, obviamente, estudar em Moscou – que recebe 43% dos pedidos de bolsa que chegam ao país. E, é claro, a Universidade Estatal de Moscou é a que mais recebe estrangeiros: são 5,5 mil com vínculo ativo na MGU. Um número impressionante.

Imigrantes ‘bem-vindos’

Segundo uma pesquisa da agência de imóveis ‘Usadba’, a maioria dos estrangeiros que vive na capital russa e tem condições de alugar oficialmente um imóvel é composta de jornalistas, médicos, professores, trainees em companhias transnacionais e chefs em restaurantes da moda. São jovens especialistas, sem família e sem filhos, que têm entre 25 e 25 anos, e que representam cerca de 35% do total de migrantes. Outro grupo – que compõe quase 20% dos ‘agregados’ à Rússia – são as jovens famílias, que têm entre 35-35 anos, até dois filhos pequenos e alugam imóveis maiores e mais caros, em regiões mais nobres. E destes, 85% são ingleses, frances, alemães ou holandeses.

Outros 20% são profissionais altamente qualificados, entre 35 e 45 anos, sem família, que recebem altíssimos salários e trabalham em empresas profundamente estabelecidas no mercado russo ou mesmo em estatais. Ainda há o grupo dos funcionários de embaixadas e diretores-top de grandes empresas (15%) e o grupo dos profissionais liberais, que montam pequenos negócios no país (cerca de 5%).

E as regiões de Moscou com a maior concentração de estrangeiros são – obviamente – as mais nobres: Tverskaya, Ostozhenka, Arbat, Plyuschiha, Leninskii Prospekt, Patriarshie Prudy e Krylatskoe.

2 COMENTÁRIOS

  1. Gostaria de estudar lingua Russa em Moscou por periodo de 6 meses de Jan 2014 –à agosto 2014 se possivel morar no incio em casa de familia para melhorar o entendimento . Como proceder , quem contactar e quanto custaria , tenho condições de me manter là com meu proprio dinheiro . Aguardo

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