Ex-líder da DDR conta ‘trairagem’ de Gorbachev

‘E os russos odeiam ou adoram Gorbachev?’ é uma das perguntas que mais são feitas quando descobrem que você morou na Rússia. A resposta é na lata: odeiam. Ponto. Assim mesmo, sem titubear. Perguntei isso a muita, muita gente, e quase todos responderam sem hesitar. Sem contar os que xingaram as próximas gerações do ex-líder soviético. Trata-se de uma figura muito, mas muito mais influente – aliás, só influente – no mundo ocidental. Segundo pesquisas da Fundação Politika, a popularidade do velho Gorbi gira em torno de 0,5% em seu país. E isso é uma das poucas constantes no mundo político de lá.

Ainda vou falar mais dos causos do ex-secretário geral. Hoje, lembrei de trazer seu temido nome à tona depois de saber que o controverso Egon Krenz, ex-líder e último secretário-geral da Alemanha Oriental – a famosa e temida DDR – acaba de lançar um livro chamado ‘Herbst 89’ (outono de 89). Em suas páginas, Krenz conta sua versão para os últimos meses da extinta metade comunista da Alemanha. ‘Gorbachev fez jogo duplo comigo. Ele me afirmou, categoricamente, que uma reunificação não estava na agenda da URSS. Mas, ao mesmo tempo, ele já estava desenhando os detalhes do processo com a Alemanha Ocidental’, acusa.

Krenz permaneceu no poder por menos de dois meses, de 18 de outubro até 3 de dezembro, no apagar das luzes da DDR. Após ser removido do poder, via renúncia, ele foi julgado na nova Alemanha em 1997 e condenado a seis anos de prisão, pelos crimes cometidos durante o regime. Hoje ele é um ferrenho defensor da Alemanha comunista e inimigo declarado do ex-premiê soviético. Usa sem pudor a palavra ‘Anschluss’ (anexação) para descrever a reunificação alemã. Para Krenz, a Alemanha Ocidental agiu exatamente da mesma forma que a Alemanha nazista com relação à Áustria, em 1938, quando os dois países foram ‘fundidos’ unilateralmente por Adolf Hitler.

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