Ex-premiê é condenada e põe a Ucrânia em xeque-mate

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Enfim, saiu o veredicto do julgamento da ex-premiê ucraniana Yulia Timoschenko: sete anos de prisão por abuso de poder durante a crise do gás de 2009 com a Rússia. Vale lembrar que a conhecida política é, hoje, líder da oposição do país, o que, certamente, ‘ajudou’ na sua sentença.

Timoschenko, de 50 anos, chegou à corte por volta das 8h, junto com seu marido Oleksandr e sua filha, Yevgenia. Após a leitura da sentença, ela lembrou que órgãos de todo o mundo classificaram seu julgamento como ‘falso e politicamente motivado’.

A Rússia avaliou o veredicto como ‘medida política contra a Rússia’ . Já a União Europeia garantiu que, se a ex-premiê fosse condenada, isso implicaria na suspensão dos acordos de participação do país na comunidade. Leia opiniões e análises aqui, aqui e aqui.

O jogo do poder na Ucrânia é complicado. Sempre com manobras sujas e baseado num sistema político e judiciário altamente corruptos, o país não consegue sair do atoleiro em que se encontra desde o fim da União Soviética. Timoschenko, por exemplo, é uma filha de oligarcas da indústria de petróleo e gás, multimilionária, que entrou para a política em 1996, ao ser eleita deputada.

Após ser reeleita por duas vezes, se tornou ministra de energia do país, no governo de Viktor Yuschenko, em 1999. Foi acusada de corrupção e presa em 1991, pelo então presidente Leonid Kuchma. Ambos seu antigo sócio e seu marido eram procurados pela justiça ucraniana por… corrupção.

Mas Timoschenko tem notórios progressos na política: teria erradicado a… corrupção no setor de energia, elevado absurdamente o orçamento e a arrecadação de sua pasta e, efetivamente, perdeu boa parte de sua fortuna e se tornou uma pessoa ‘mais pobre’ depois de sua entrada para a política.

Se tornou primeira-ministra mais uma vez em 2005, e alternou no poder com Viktor Yanukovych e Viktor Yushchenko. O fato é que, durante seus mandatos, a Ucrânia teve significativas melhoras. Por outro lado, ela é tida como uma socialista que quer renacionalizar o estado.

Em 2009, após mais uma tentativa de reforma política, ela descreveu a Ucrânia como ‘absolutamente ingovernável’. Parece que a coisa não melhorou muito. Vamos ver no que vai dar essa condenação. Mas, desde já, é uma pena para a Ucrânia, mas essa demonstração de instabilidade e falta de apelo democrático.

2 COMENTÁRIOS

  1. Considerando o governo ucraniano atual, não fico surpreso com o resultado.

    Sei que a Timoshenko não é uma mulher indefe(c)tível, mas ela também não é incapaz de gerir a Ucrânia. Penso que ela é bem menos corrupta que o Iushenko.

    No final das contas, considero um retrocesso no processo de democratização da Ucrânia. Espero sinceramente que o veredito mude.

    • Concordo que, hoje em dia, ela seria a mais viável opção – até por falta de alternativas.
      Só não concordo quando se fala em ‘processo de redemocratização’ da Ucrânia. Pra mim, nunca existiu isso. Eles só estão melhores que Venezuela, Rússia e Bielorrússia pq alternam o poder entre 4 pessoas, não entre 2 ou 1… Triste

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