Falar russo salva nossa pele… no consulado dos Estados Unidos!

“De onde você tirou a ideia de estudar russo?” é uma pergunta recorrente que vira e mexe tenho que explicar, não importa onde esteja. E aí também tenho que explicar o que faço com a língua russa (lembrando sempre que sugestões malcriadas são sempre ignoradas). Pois é. Falar russo e ter ido várias vezes lá – e morado também – vira e mexe me abrem portas. Já foram tantas vezes que até perdi a conta. Mas a de hoje, realmente, foi fora da escala: ganhei o visto americano mais fácil da História por…falar russo!

Então, foi assim: eu e minha senhora planejamos, já há algum tempo, visitar o império dos ianques. Como um evento de marketing por lá esse ano corre o sério risco de ser prestigiado pela Sra. Vitorino, resolvemos juntar “lé com cré” e entrar com o processo, pedindo o famigerado visto.

Pagamos taxas, preenchemos formulários, reunimos inúmeros documentos e, preparados para a temida sabatina cruel e impiedosa, fomos para o consulado dos Estados Unidos da América, ali no Centro do Rio. Filas, revistas, segurança e tal, deixamos os celulares e fomos para a salinha de espera. Senha, chama daqui, impressão digital dali, enfim, chegou a hora da “entrevista-massacre”.

Antes, como de costume, ensaiamos as respostas – o que é ridículo, já que tudo era verdade e não temos nada a esconder, além de zero vontade de permanecer lá. Passado o nervosismo, fomos para a fila das entrevistas. Aí começa o terror. Discussões, choro, ameaças, vistos negados, perguntas absolutamente indiscretas, que ouvimos ali na fila (eu fiquei sabendo o salário de todos que ali estavam, os valores de seus carros e seus bens. Fora eu um sequestrador…), perguntas que deveriam ser respondidas em inglés, enfim, chegava nossa fatídica hora. Gado indo para o abate…

Eis que, para nossa surpresa, pegamos uma simpática oficial consular, que nos deu até bom dia. Abrimos nossos envelopes, preparamos a seleção de inúmeros documentos e entregamos nossos passaportes à senhora. Eis que ela olha para minha cara, abre meu passaporte e comenta:

– Nossa, quantos carimbos, vocês viajam bastante, né? Humm… Vejo aqui que vocês foram para a Rússia uma, duas, várias vezes!

Confesso que senti o pânico fechar minha garganta e enrolar minha língua. Mas segui ouvindo:

– Você fala russo? Morou lá?

É minha deixa. “Sim”, respondo. “Morei um tempo lá, me formei aqui na UFRJ e fui lá ativar a língua, fiz uma especialização… A sra. já foi lá?”. Opa, pergunta idiota, afinal, estamos no consulado americano…

– Não, mas adoraria ter ido! Estudei 18 meses de russo na universidade, nos EUA, mas nunca consegui falar. Isto é, leio, mas não sei o que significa. Deve ser ótimo falar russo, e muito raro por aqui, não?

Respondo que é bom, que gosto e que isso me faz um jornalista melhor. A oficial ficou tão feliz, mas tão feliz, que não viu documentos, não perguntou nada. Sequer abriu o passaporte da minha esposa. “O seu visto está concedido!”, disse, com um enorme sorriso. E ainda peguntou se a gente não queria um visto “business”. Afinal, não se sabe o dia de amanhã… Total da entrevista: menos de cinco minutos. Tensão? Zero. Os Estados Unidos conseguiram nossa simpatia ali mesmo.

E, mais uma vez na vida, falar russo e ter morado lá me abriu portas. Inesperadas. Alguém mais duvida que isso me traria apenas a chance de dar aulas, ter aulas, ter feito excelentes amigos, ter conhecido o país mais fantástico sem intermediários, ler monstros como Tolstói e Tchekhov no original, ter um blog…

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