Fim de semana de protestos contra e a favor de Putin

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Sob o gelo de um inverno que começa a ficar cruel, há um caldeirão em ebulição na Rússia. Depois das eleições parlamentares de 4 de dezembro, o país parece ter perdido a estabilidade política. Em meio a acusações – nacionais e internacionais – de fraudes grosseiras, simpatizantes pró e contra o governo se organizam em protestos que vão ficando cada vez mais constantes e inflamados.

E, enquanto Dimitri Medvedev, o presidente atual e virtual futuro premiê até se esforça em eventos e discursos para tentar acalmar os ânimos (como no episódio na principal universidade do país, quando um estudante o perguntou se estaria disposto a aceitar uma pena similar a de Saddam Hussein), Vladimir Putin, o atual premiê e virtual futuro presidente debocha, ignora e minimiza o turbilhão político (como quando, num claro desdém, ao ser perguntado por uma repórter sobre as manifestações, respondeu ‘prostestos, que protestos?‘).

Ontem, dia 29 de janeiro, uma enorme manifestação de apoio ao governo – e a Vladimir Putin – aconteceu em Ekaterinburgo, a quarta maior cidade russa, na região central do país. Segundo a polícia, foram 15 mil participantes, mas os líderes da oposição duvidam dos números, baseados nas fotos do protesto. Os participantes chegaram de ônibus e trens, de várias cidades próximas, para a praça da cidade.

“Ônibus foram colocados para nós na fábrica, vimos listas com antecedência dos que iriam ao comício”, disse a Reuters Andrei Mandure, operária de uma fábrica de produtos químicos na cidade de Lesnoy. “Não há bons candidatos. Yavlinsky foi banido. (então) quem mais a não ser Putin?”, disse Sergei, um russo de 46 anos de Kirovgrad, quando questionado em quem votaria em março. O protesto em Ekaterinburg foi o segundo em grande escala a favor do governo. O primeiro aconteceu em Kemerovo, na Sibéria, em 24 de janeiro, atraiu cerca de 6 mil pessoas e foi prestigiado pelo premiê e candidato Putin, que não compareceu ao ato organizado em Ekaterinburgo.

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Mas a resposta da oposição veio rápido, embora já estivesse planejada há tempos, capitaneada por Alexey Naválny e Boris Akunin, da ‘Liga dos Eleitores’ (“Лига избирателей” em russo). Em Moscou, Volgograd e outras cidades, os opositores organizaram uma enorme carreata por algumas das principais vias das duas cidades. Para participar, bastava exibir uma fita branca em algum lugar bem visível do veículo. O protesto foi batizado, principalmente, de ‘Rua Branca’, é chamado de ‘Círculo Branco’. (“Белое кольцо”, “Белый круг”, “Белое Садовое” или “Белая улица”). Veja o minuto a minuto da ação, em russo.

Чтобы акция удалась, надо выехать на внутреннюю сторону кольца и проделать не менее одного полного круга. Держитесь правых рядов, приветствуйте друг друга и подвозите пешеходов с белой символикой в руках и на одежде. Ведь те, у кого нет машины, тоже захотят присоединиться к Белому кругу…

Nas redes sociais, a adesão havia sido confirmada por 2 mil indignados, que seguem exigindo ‘eleições limpas’ (за честные выборы) no país. Segundo dados oficiais, da polícia russa, participaram da ação ‘cerca de 20 veículos’. Já os manifestantes estimaram em mais de mil os veículos que participaram da carreata (автопробег). Os dados oficiais foram alvo de deboche nos twitteres de opositores, que classificaram como ‘brincadeira’, ‘piada’ e até ‘miopia’ e ‘idiotismo espacial’.

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E essa montanha-russa (e poucas vezes na história esse trocadilho fez tanto sentido) está longe de acabar. As eleições presidenciais são em 4 de março, mas, um mês antes, a oposição já conseguiu que fosse aprovado (sim, na Rússia, toda e qualquer manifestação pública deve ser aprovada antes pelas autoridades) o que pode ser o maior protesto de todos, no dia 4 de fevereiro. Por sua vez, Putin não cansa de declarar que não se preocupa com os manifestantes, que faz o melhor para todos os cidadãos e que as últimas eleições foram ‘as mais limpas da história’. Mesmo que seu maior parceiro político, Medvedev, já tenha admitido, repetidas vezes, ‘erros’ no transcorrer do pleito.

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