Futebol brasileiro na ‘Nova Rússia’ da Record

E não é que o futebol também foi tema da série sobre a ‘Nova Rússia’, exibida no final de 2009 pelo Jornal da Record? Então, só recapitulando, a emissora enviou para o maior país do mundo Vinícius Dônola e Jean Ribeiro, que passaram 10 dias por lá recolhendo material para a reportagem.

Mas aí vem a Ana Paula Padrão e carrega no verde logo na abertura: não, AP, os russos não são, nem de longe, tão apaixonados pelo futebol quanto o brasileiro. Eles gostam sim, muito, mas o velho esporte bretão briga com o hóquei no gelo pela preferência nacional, com o tênis, o basquete e, pasmem, a Fórmula-1, logo abaixo nos patamares de popularidade.

Mas uma coisa dá visibilidade ao futebol, no entanto: ele movimenta muito mais a economia do que todos os outros, por isso, aparece mais. Já o hóquei… Bom, o gelo é o habitat natural do russo, o hóquei é um esporte mais físico – e onde os russos são megatitulados e donos do disquinho – são todos fatores que contribuem para que a brincadeira sobre patins seja top por lá. Bem verdade que a URSS abiscoitou alguns títulos no futebol, mas…

Outro fato que vale lembrar é que, com a crise, quase metade dos atletas brasileiros (incluindo aí vôlei e basquete também) deixou os clubes do país (lembre aí Giba do vôlei e outros tantos do futebol). O dinheiro praticamente sumiu. Mas, quando voltar, certamente os clubes brasileiros voltarão a ser assediados. Muito legal também mostrar como a infra-estrutura dos clubes da premiê-league russa está anos-luz à frente da nossa. A visão macroesportiva por lá enxerga longe. Há a cultura interdisciplinar, de que um basquetebolista precisa de um parque aquático adequado, que o futebolista precisa de uma pista de corrida adequada e de que um time de voleibol precisa de um ‘hotel’ de categoria. Com isso, eles estão investindo na base e no intercâmbio, para desenvolver o talento nas gerações futuras.

Legal também foi mostrar o ‘Bulldog’ do Lokomotiv, Rodolfo, ex-Flu que é dono do time moscovita, depois de amargar anos no futebol ucraniano. ‘O futebol lá é meio pegado’, diz o Bulldog. E ele foi gentil. Eu diria, sem medo, que o pau come nos gramados. Uma nova prova de que futebol sem elementos de hóquei não faria muito sucesso… Já o Íbson, ex-Fla, conta como sofre com o idioma. ‘A gente vira mestre da mímica’, diz a esposa do ex-rubro-negro. Enquanto Rodolfo desfila um russo bem articulado e é elogiado pelo massagista. Tirou onda!

E o Tasarov, intérprete do Lokomotiv – figura carimbada nos círculos lusófonos de Moscou – entrega logo: ‘Brasileiro é mais preguiçoso que o russo para treinar’. No entanto, conheci vários (e várias) pessoas que atestavam a disposição dos verde-amarelos nas noitadas e com as loiras russas.

Uma coisa que faltou na matéria foi o ‘extra-campo’: como a gente já viu aqui no blog, a chapa esquenta nas arquibancadas. Torcidas vivem em guerra, têm cânticos marciais, racistas e ofensivos a tudo e a todos. Controlar os ‘boleishiki’ russos é tarefa inglória para a polícia. Nos poucos momentos da matéria onde a arquibancada é focada, dá pra notar que os gringos não são lá muito amigos… Mas isso já é outra história.

Curtam aí a matéria do Dônola e do Jean. Vale a pena!

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