Gazeta Russa: suplemento da RG agora sai pelo Estadão

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Pego carona na segundona, dia em que sai o suplemento ‘Gazeta Russa’ no Estado de São Paulo, para, depois de uns probleminhas chatos com a migração dos dados, resumir os trabalhos do blog. E tenho a impressão de que é a primeira edição do cadernóvski no gazetão paulista, depois da ida do Jornal do Brasil para limbo dos periódicos. É, ele era publicado no quase finado ‘Jotinha’ há coisa de 1 ano, mas graças ao restrito número de leitores do falecido, o suplemento se manteve um ilustre desconhecido (relembre a estreia no JB).

Pois bem. Agora, no Estadão, a coisa tende a mudar de figura, afinal, são algumas centenas de milhares de leitores, contra uma vintena de milhares no JB. E o look esculhambado ‘feito-nas-coxas-às-sextas-feiras’ também acabou. Agora, tem que ter qualidade. Afinal o Estadão anda todo bonitão, depois da reforma visual. E tem um diferencial enorme agora: a presença de jornalistas brasileiros de bom nível na equipe. Avisado pela amiga Clarice, corri até a banca pra garantir meu exemplar.

A mudança começou pelo nome, ‘Gazeta Russa’ – que acho inferior ao antigo ‘Rússia Hoje’. Mas tá valendo. Outra coisa que notei foi o ‘descolamento’ (previsível) do Estadão da Rossiskaya Gazeta (RG): no cabeçalho, vem em caixa alta ‘Suplemento Comercial’ e ‘Este suplemento foi produzido e publicado (…) sem o envolvimento de O Estado de São Paulo’. Ou seja, está claro para o leitor que o espaço pode ser editorial, mas é (muito bem) pago.

De cara, já lendo as matérias, uma coisa que me chamou atenção: ao folhear as oito páginas, foi o menor foco dado ao governo (lembro que a RG é estatal…) de todos os que já li. Nos tempos do JB, era governo pra cá, Putin pra lá, Medvedev pra acolá… Agora, sempre que dá, o viés é geral, o que torna tudo muito mais interessante de ler.

Mas não perderam a mania de mesquinhar. Ora, se o suplemento é mensal – como eu acho que entendi – será que não dá pra pagar um time de 3, 4 jornalistas lusófonos pra fazer um caderninho mais atraente pros brasileiros? Dou meu exemplo: quando comecei o blog, pensei muito e decidi NÃO fazer o óbvio, as notícias do cotidiano, as quais você tem acesso através das agências. Não tem o menor atrativo falar de incêndios, de exportação, de uma forma impessoal… Isso vem tudo pelas agências! Quer ler isso? Vai no G1! Suplemento – e blog – é pra se soltar, brincar, atrair. Hardnews a gente tem de sobra.

Mas olha só, a gente já vê uma luz no fim do túnel: a matéria com estudantes brasileiros ficou pequena – era o filé da edição. A gente adora ler sobre estudantes brasileiros nos confins do planeta. A receita do varenki é uma ideia legal, ainda teve o calendário cultural… E mesmo a matéria do Islã ficou bacana. Mas o estilo russo é diferente do nosso. Falta cadência e sobram referências culturais (de quê adianta mencionar o ‘Nasha Rasha’ no lide? Alguém conhece?). Eu acho um estilo riquíssimo, mas tem que lapidar. Afinal, por que Bulgakov nunca fez sucesso no Brasil?

Ё-моё…, poxa, faltou a história do Sagbo, um negro eleito para a Junta Administrativa de Novozavidovo, que virou uma notinha (embora eu lembre que o caso do ‘Obama Russo’ tenha sido muito mais emblemático, o Joaquim Crima, que ainda há de falar comigo!). Isso era megalegal! É o tipo de coisa que se comenta no almoço!

Uma coisa que me incomoda também é a falta de carinho. Ora, se o nome do caderno é ‘Gazeta Russa’, me parece claro que tudo vai girar ao redor do maior país do mundo. Então, faz sentido ter ‘Rússia’, ‘russo’ e ‘russa’ em quase todos os títulos, subtítulos e lides? Nos jornais de lá, é sempre uma delícia ler os títulos de duplo sentido, as referências literárias… Por que não manter o estilão no nosso ‘GR’? Precisa empobrecer pra vir pro Brasil?

Ah, e continua faltando mais link entre Rússia x Brasil no caderninho. Tem comércio pra caramba acontecendo, iniciativas culturais, brasileiros morando lá, russos morando aqui, intercâmbio turístico, estudos, físicos. Perguntem aos russos sobre o Brasil, enquetes, quiz… Dá pra brincar mais. Sobretudo agora, quem não vai querer ‘sair no Estadão’?

Mas olha, no geral, já melhorou mil por cento em relação ao que era. Antes, era simplesmente intragável. Agora, tem um caminho. Basta parar de querer explicar a Rússia… é ir seguindo a regra de ouro de Tyutchev:  Умом Россию не понять, Аршином общим не измерить: У ней особенная стать — В Россию можно только верить. É botar o ‘ver para crer’ em ação.

Ah, e a última página valeu o cadernão! No geral, é muito mais молодцы, ребята! do que как вам не стыдно! E você pode dar uma espiada em tudo via e-paper aqui.

4 COMENTÁRIOS

  1. Segundo um colega meu, o Estadão é um jornal que gosta de fazer da Rússia um bonequinho de “vudu”. Felizmente, de acordo com o aviso, eles não se metem nos tópicos veiculados pelo encarte.

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