Guias ‘ripam’ turistas em Moscou

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O Komsomolskaya Pravda de hoje traz um relato interessante. Um de seus repórteres, Alexander Netchaev, fingiu ser turista e contratou uma guia para passear pela capital. O resultado, chocante: a guia o enrolou de todas as formas possíveis. Inventou datas históricas, levou a lugares errados e até extorquiu o pobre durante a pausa para o cafézinho.

Para não dar pinta com o sotaque, Netchaev fingiu ser um incauto norueguês. O repórter escolheu um dos muitos homens que vendem tours pela Praça Vermelha, que oferecia “uma chance única de encantar-se com as catedrais do Kremlin de Moscou e com a vista das Colinas de Vorobyovy”. O titio então, fechado o pacote, chama uma de suas guias.

Logo no primeiro tour, a moça apresenta o Kremlin de Moscou. “É um dos mais maravilhosos monumentos da humanidade. Foi construído em 1147…” e é logo interrompida pelo “norueguês”. “Pare. Como assim? Moscou foi fundada em 1147!”. E a moça se desculpa e ameaça: “Ah, é verdade. Mas se você quiser ficar se atendo a datas, posso lhe dar tudo nos detalhes”. O repórter finge se interessar, claro.

E a moça não para. Imaginando que o rapaz não entende russo, fala ao telefone com alguém, na língua de Pushkin, para saber as datas ao certo: “Cara, tem um mané aqui que quer saber as datas de construção do Kremlin! Como que eu vou saber? Procura aí na internet pra mim…”

Em seguida, mais um vacilo. “No Kremlin de Moscou, há 19 torres…”. No que o repórter logo interrompe: “Como assim? São 20!”. E a guia novamente tenta corrigir o erro. Mais pra frente, a guia tenta cobrar do rapaz US$ 10 para entrar no Mausoléu de Lenin. Sendo que a entrada é gratuita.

Nas Colinas de Vorobyevy (Vorobyevye Gori), nova goiabada da loirinha. “Eram conhecidas como Colinas de Lenin até 91…”. E o repórter avisa: “Mas eu ouvi dizer que só mudaram o nome em 99…”.

Mas o pior aconteceu no coffee break. A moça pede uma salada, café e sobremesa para o gringo e diz que tudo custou 750 rublos. Quando na verdade, o preço é de 420. Ou seja, a mocinha enganou, extorquiu e até ofendeu o nosso destemido turista.

A ideia é interessante. Mas aposto que isso acontece em qualquer canto do mundo – embora eu ache que brasileiros e russos têm uma tendência em comum para serem espertinhos. E o exemplo do ‘norueguês’ Netchaev serve de aviso para todos nós, durante as viagens: se vai contratar um guia, escolha um experiente e use uma agência. Ou então ande com um livrinho, um PDA. É mais seguro.

PS.: Em tempo, Moscou foi fundada em 1146, as primeiras construções na área do Kremlin foram em 1156 e a primeira ‘versão’ do Kremlin foi começou a ser construída por Dimitri Donskoi em… 1367!

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