‘Herança’ soviética tem seus dias contados

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A Rússia vive uma espécie de revisionismo sem fim do período soviético. Nomes de ruas, prédios, monumentos, praças e até cidades são mudados ao bel prazer dos novos políticos, ansiosos por resgatar o passado puramente russo e esquecer o legado soviético.

Basta lembrar a confusão que foi criada no início de julho, quando o presidente das ‘Estradas de Ferro da Rússia’, Vladimir Yakunin, anunciou a mudança do nome da maior e mais velha estação ferroviária do país, a Leningradskii Vokzal, para Nikolaevskii Vokzal. Segundo Yakunin, a LV foi construída em 1824 sob ordens do imperador Nikolai I e foi chamada de ‘Peterburgskii’. Em 1856, por ordem do imperador Alexander II, foi renomeada para ‘Nikolaevskii’, mas, após a Revolução, passou a ser chamada ‘Oktyabrskii’ e, um ano depois, virou, enfim, ‘Leningradskii’.

Agora, o Partido Comunista parte para o ataque e propõe, na Duma, que se vete quaisquer mudanças de nomes de ruas e logradouros em todo o país pelo prazo de 10 anos. De acordo com o líder dos vermelhos, Alexei Kornienko, muitos políticos estão aproveitando o estado de crise para tomar medidas populistas, de olho em interesses próprios e ‘procurando levantar a auto-estima do país com medidas inúteis e custosas’.

Kornienko cita como exemplo a campanha para o plebiscito que será realizado na cidade de Ulyanovsk. Segundo o comunista, já foram gastos quase 10 milhões de rublos (cerca de R$ 1 bilhão) em propaganda. O objetivo do governo local é mudar o nome da cidade para Simbirsk, mesmo contra a vontade de 65% da população, segundo as últimas pesquisas.

E o outro lado: para o líder do partido liberal democrata da Rússia, o polêmico Vladimir Zhirinovskii, não se trata apenas de ‘renomear’ ou de ‘revisionismo’. ‘O objetivo é retornar aos nomes históricos tradicionais russos, sem identificação com este ou aquela ideologia política’. E defendeu, além da mudança do nome da cidade de Ulyanovsk, que as cidades de Kirov e Nogiinsk voltem para seus nomes anteriores à Revolução: Vyatka e Bogorodsk, respectivamente.

No meio do tiroteio, frequentemente ainda é achada a principal representante da casa imperial dos Romanov – última dinastia da monarquia russa e herdeira do trono – a princesa Maria Vladimirovna. ‘Agradeceria ao governo se fosse feita justiça e se os verdadeiros nomes russos fossem restaurados’, disse, à agência Interfax.

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