Inimigo ficando íntimo: xenófobos na Chechênia

É da Chechênia o prêmio ‘solução inovadora’ ano. O que fazer para tentar convencer líderes idiotas de movimentos fascitas que seu país não tem só bandido? Chame-os para um café. Foi exatamente essa a solução que o presidente Checheno Ramzan Kadyrov criou para tentar amenizar a tensão dentro da Rússia.

Para quem não lembra, em dezembro último, a Rússia ferveu com os fascistas. Depois da morte de um torcedor do Spartak Igor Sviridov, os choques entre grupos étnicos do Cáucaso e russos xenófobos chocou o mundo. Para tentar quebrar essa onda, Kadyrov convocou nada mais, nada menos que dois dos líderes dos mais temidos, radicais – e banidos – movimentos direitistas russos: a União Eslava (que em russo é cлавянcкий союз, cujas iniciais são, não por acaso, SS) e o DPNI (Movimento contra a imigração ilegal).

Tudo começou em fevereiro, com negociações entre autoridades chechenas e líderes dos movimentos radicais. Então, os líderes Dmitry Demushkin, da SS (aliás, como é surreal existir um movimento SS na Rússia…) e Aleksandr Belov, do DPNI, foram convocados para ir até a Chechênia e conferir como vivem lá quem eles chamam, frequentemente, de usurpadores, marginais e criminosos.

Já no país, a duplinha não parou de usar suas camisas “Я Русский” (eu sou russo). Em linhas gerais, de acordo com os próprios, a visita causou uma ótima impressão, ao ponto de ambos desejarem que ‘tudo o que foi feito na Chechênia fosse feito no resto da Rússia’, em referência à ordem e à tranquilidade no país.

Um fato interessante: ainda que ambos não tenham se tornado ‘amantes da Chechênia’, uma coisa chamou muito atenção deles. A ausência de bêbados e de fast-foods. Foi, institivamente, a primeira coisa que notaram na mesa do chefe de polícia local. Em vez de uma garrafa de vodka, o livro da história chechena.

E ainda tiveram tempo de fazer campanha para o polêmico presidente local, Kadyrov. O definiram como ‘sábio, obstinado, jovial e interessado em fazer o bem para seu povo’.

O fato é que, como disse ontem, o Cáucaso não é para principiantes. Cada dia, uma ação inédita – como essa de convidar os xenófobos para o país – mexe no delicado xadrez da área. Mas uma coisa é certa: o multietnicismo russo disputa uma corrida com a extrema-direita. Quem ganhar, leva o país do futuro.

Русские националисты хотят, чтобы в России стало, как в Чечне

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2 respostas para “Inimigo ficando íntimo: xenófobos na Chechênia”

  1. Lude Nunes disse:

    Interessantíssima notícia. Com efeito, a última coisa que eu esperaria do líder de um povo demonizado por seus opositores seria um convite para uma visita. E os racistas ainda aceitam! E elogiam! Uma guerra de xingamentos de baixo calão seria mais plausível… A Rússia [e, por que não, suas repúblicas] com efeito não se pode compreender pela razão. Deve ser por isso que a Rússia é tão única, surpreendente, assombrosa, desconcertante e incompreendida pelos outros povos. А она мне нравится 😉

  2. […] isso, a oposição começa a se unir em um ‘ambicioso partido’, comandada por…Dmitri Demushkin, famoso líder do movimento radical e facista […]

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