Língua russa na berlinda em mais um país

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Mais um capítulo na ‘caça à língua russa‘, que ocorre nos países da antiga União Soviética. Depois dos países bálticos (Lituânia, Letônia e Estônia) e de alguns países caucasianos e asiáticos, agora é a vez do Tadjiquistão tentar banir a língua russa de toda e qualquer utilização oficial, segundo a agência Ria-Novosti. Ainda não é uma proibição de sua utilização em transmissões de rádio e TV, como na Ucrânia e Estônia, mas é um grande passo para uma ‘afirmação nacional’, muito criticada pelo seu caráter unicamente político.

O Tadjiquistão fica ali no Centro da Ásia, vizinho dos gigantes Uzbequistão, China e Paquistão, e sempre foi um grande produtor e exportador de algodão e alumínio. Sua capitão é Dushambe e, depois de sua independência, em 1991, se afundou por cinco anos em uma arrasadora guerra civil, da qual poucos tiveram notícias, mas que matou cerca de 100 mil pessoas e deixou mais de 1 milhão de refugiados. O conflito só chegou ao fim em 1997, por intermédio de Emomalii Rahmon, que permanece no poder desde 1992 até hoje.

Por essas condições precárias, o Tadjiquistão acabou sendo um país miserável, onde as pessoas vivem com menos de US$ 1 por dia, segundo a ONU. A língua tadjique – considerada um dialeto do persa iraniano – praticamente morreu no início dos anos 90, quando era praticamente falada apenas pelos mais velhos, desprovida de gramática única e que sofria com as centenas de dialetos entre os povos do país.

Emomali Rakhmon, em uma medida considerada populista e ‘antipática’, quer agora ressuscitar oficialmente o tadjique. O russo, amplamente usado, falado e que ainda dá alguma esperaça para os tadjiques – que ainda vêem na migração para a Rússia uma esperança de ter vida melhor -, seria oficialmente banido das repartições oficiais e seria ensinado nas escolas como língua secundária, de ‘comunicação interétnica’.

Ouvi o tadjique muitas vezes em Moscou, sobretudo nessa última vez, e digo: é iraniano – que a gente conhece dos inúmeros filmes. Os tadjiques me parecem  pessoas simpáticas, mas com um aspecto muito comum: a desilusão com seu país e a cara de sofrimento. Sempre ressabiados em falar de política. Como são muito vítimas de preconceito na Rússia, sempre abrem um enorme sorriso – muitas vezes com dentes de ouro e prata – quando alguém estende a mão para cumprimentá-los. Lembro do porteiro do prédio de uma amiga – um gente boa sem fim -, que não entendia como a gente conversava com ele…

O problema é que, ainda hoje, existem pouquíssimos gramáticos de tadjique. Mesmo nos jornais, ainda são cometidos erros grosseiros, publicadas variações, misturas e outras atrocidades contra a língua do país. Nas escolas, poucos estudam o tadjique – de olho no russo, que ajuda na hora de uma eventual mudança para o vizinho ‘rico’. Ou seja, para dar um gás no tadjique, o ditador Rakhmon terá que investir tudo na promoção e educação. Ou então vai correr o risco de não ter sua nova lei entendida pelo povo…

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