Mais Baryshnikov no Brasil: texto para a Gazeta Russa

E aqui vai o textinho sobre o Baryshnikov, publicado na Gazeta Russa de 4 de outubro. Como disse no post anterior, infelizmente, não consegui falar com o próprio. Embora um pouco frustrado, fiquei feliz em ver a entrevista dele ao Globo, para a Fernanda Godoy, que mora em Nova York. Coisas da vida… Ao texto, então:

“Quando o Brasil e Mikhail Baryshnikov se reencontrarem, no próximo dia 19 de outubro, em SP, ambos vão perceber que muita coisa mudou desde os últimos passos dados por aqui, no palco do Centreventos Cau Hansen, em Joinville, em 2007. Aos 62 anos, mas com um vigor de garoto, a lenda viva da dança esbanja maturidade, agora ao lado da espanhola Ana Laguna. E o país do samba prova, a cada visita do bailarino, que há lugar em seu coração para os movimentos precisos, firmes e delicados da dança contemporânea.

Baryshnikov, nascido na Letônia, acolhido pelos EUA – onde brilhou nos palcos, no cinema, e na TV – já conhece bem os palcos verde-amarelos: essa é sua 5ª visita ao país. Após uma visita solo, em 1998, e outra com sua companhia, a Hell`s Kitchen, em 2007, traz o espetáculo Três Solos e Um Dueto, com coreografias dos renomados mestres Mats Ek, Benjamin Millepied e Alexei Ratmansky.

E o espetáculo em parceria com Ana Laguna é mesmo especial. Trata-se de sua maior turnê pela América Latina – além das cinco cidades pelo Brasil, ele se apresenta ainda na Argentina e no Peru, onde nunca esteve. E uma viagem dessa natureza, para profissionais com a idade mais avançada (Mikhail tem 62, Laguna, 54) requer cuidados especiais. Ambos viajam com uma equipe própria de profissionais para tentar minimizar o impacto dos voos, compromissos, ensaios e 12 apresentações em menos de um mês. Uma rotina pesada mesmo para simples mortais, que dirá para dois experientes ícones da dança.

E, se o nome Baryshnikov inspira grandiosidade, sua simplicidade e humanidade sempre surpreendem a todos. No RJ, ele não fez nenhum pedido de estrela. Nada de centenas de toalhas brancas ou dezenas de frutas exóticas em hoteis cinco estrelas. O que ele exige, única e exclusivamente, é poder ensaiar muitas horas por dia, nas vésperas das apresentações. Segundo Maria Rita Stumpf, produtora da turnê, Baryshnikov só fez dois pedidos: não ser tratado como celebridade, mas sim como bailarino; e que seus espetáculos tenham preços, senão ‘populares’, pelo menos acessíveis a todos os públicos – e isso se confirma com os lugares mais baratos sendo vendidos a módicos R$ 50, coisa impensável quando se tem em mente espetáculos de dança contemporânea desse nível.

Mas, afinal, qual a diferença entre as turnês? O que poderia atrair o público, já que esta é a quinta visita do artista ao país? Para Maria Rita, cada aparição é única. E o espetáculo de agora, ao lado de Ana Laguna, é mais especial ainda, pois pode ser a última chance de vê-lo em ação por aqui. ‘Ele não quer ficar fazendo turnê o ano todo, todo ano. Mas incluir a América do Sul acontece em função da apreciação que ele tem pelo nosso país’, diz a produtora, explicando ainda que foram dois anos de montagem do espetáculo e a negociação para a vinda da dupla ao Brasil. Um longo caminho até os aplausos do público verde-amarelo.

Além de encantar o público, Misha – apelido em russo derivado de seu nome, Mikhail – também pretende cumprir outros objetivos em terra brasilis. O primeiro e mais importante é sempre lapidar novos bailarinos, ajudar a formá-los e a criar espaços. Para isso, além de manter seu centro de referência, o Baryshnikov Arts Center, em Nova York (www.bacnyc.org), sua equipe vai dar ‘master classes’ nas praças das apresentações por aqui. Serão entre 15 e 20 sortudos bailarinos, com boa qualificação e selecionados para um treinamento inesquecível com algumas das maiores lendas da dança de toda a história.

O outro de seus objetivos, em sua nova passagem pela América Latina, é divulgar seu ainda pouco conhecido trabalho como fotógrafo. Ele traz consigo ‘Dominican Moves’,  seu portfólio de fotos feitos na ilha caribenha, onde ele tem uma casa de veraneio, em Punta Cana. A exposição, que já passou por lugares como o Museu Pushkin, em Moscou, o Metropolitan Opera House, em NY e o Kennedy Center, em Washington, retrata movimentos de dançarinos do país da América Central, em uma surpreendente fusão de ritmos.

E estar em nosso país, mesmo após todas essas visitas, não deixa de ser um encanto para Baryshnikov. ‘Ele gosta muito daqui, tem fascínio pelo Rio de Janeiro, está muito empolgado para conhecer o Peru. Toda essa turnê deixa ele muito empolgado’, diz Maria Rita. De fato, uma coisa comum aos russos é o encanto pela Cidade Maravilhosa – e pelo tão prometido calor dos países latinos. ‘Poder vir ao Brasil, trabalhar aqui, estar aqui, parece sempre ser um privilégio para Misha’, completa a produtora. E para a gente, certamente, também é.

Onde e quando:         

São Paulo (19 e 20 de outubro, no Teatro Alfa

Porto Alegre (27 de outubro, no Teatro do SESI)

Rio de Janeiro (29 e 31 de outubro, no Theatro Municipal),

Brasília (4 de novembro, no Teatro Nacional Cláudio Santoro)

Manaus (14 e 15 de novembro, no Teatro Amazonas)

Detalhes do espetáculo (texto da assessoria):

Em Três Solos e Um Dueto, Mikhail Baryshnikov e Ana Laguna brilham em um programa de quatro peças . O primeiro é Valse-Fantasie, com coreografia do russo Alexei Ratmansky, no qual  Baryshnikov dança o tema do compositor Mikhail Glinka (1804-1857),  considerado o pai da música erudita russa. A seguir Ana Laguna dança uma versão de Solo for Two, criada especialmente para ela pelo coreógrafo sueco Mats Ek, com quem é casada. O terceiro segmento traz uma nova versão do incensado número Years Later, em que Baryshnikov dança à frente de imagens de si mesmo jovem, em coreografia do francês Benjamin Millepied, o principal nome do New York City Ballet. No encerramento, os dois artistas voltam juntos ao palco em Place, peça de 22 minutos coreografada por Mats Ek, na qual Baryshnikov e Ana Laguna interagem, em movimentos harmoniosos,  com uma mesa e um tapete, trazendo os elementos cenográficos ao centro da narrativa.”

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Uma resposta para “Mais Baryshnikov no Brasil: texto para a Gazeta Russa”

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Leia o post anterior:
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