Mais um aniversário de Chernobyl…

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Olha, nessa semana, já estava preparado pra enxurrada de matérias de/sobre Chernobyl. Como eu mesmo não tive tempo de preparar nada, aplico o princípio do ‘quem não sabe, bate palma’. Entre uma e outra coisa lida aqui, descobri que o camarada Rafael Maranhão, parceiro dos idos tempos de faculdade, tinha ido pra Ucrânia fazer uma cobertura especial. Fiquei preocupado quando soube da viagem do amigo pra Chernobyl, mas aí o cara falou que tomou as precauções e torcemos para que tudo permaneça bem.

Sobre o desastre nuclear, não há muita coisa nova para se falar. Mas vou reproduzir aqui a matéria do craque para o ‘Globoesporte.com‘. Aliás, bato palmas de pé, sobretudo para o lide da matéria, um dos melhores, mais sutis e sensíveis já escritos sobre a tragédia.

Pripyat fica no norte da Ucrânia, a duas horas de carro da capital Kiev e bem próxima da fronteira com a Bielorrússia. Tem um hotel de seis andares, um grande centro comercial, um centro cultural com salas de teatro e cinema, um parque de diversões e uma piscina olímpica coberta com área para saltos ornamentais. O que Pripyat não tem são moradores.

Vou postar somente um bom pedaço do texto. Mas recomendo fortemente que você clique aqui e leia o resto, além de ver a galeria de fotos. Vale a pena.

“Pripyat fica no norte da Ucrânia, a duas horas de carro da capital Kiev e bem próxima da fronteira com a Bielorrússia. Tem um hotel de seis andares, um grande centro comercial, um centro cultural com salas de teatro e cinema, um parque de diversões e uma piscina olímpica coberta com área para saltos ornamentais. O que Pripyat não tem são moradores. Há 25 anos, todos os 50 mil foram evacuados às pressas. Não faziam ideia do perigo que corriam com o acidente ocorrido um dia antes no reator 4 da central nuclear de Chernobyl que, de tão próxima, podia ser vista do topo dos edifícios onde viviam. Achavam que estariam de volta dentro de alguns dias e que assistiriam à inauguração do estádio de futebol da cidade. Viraram os primeiros refugiados de um acidente nuclear da história.

Quase uma década depois do acidente alguns moradores foram autorizados a voltar a Pripyat caso quisessem recuperar seus pertences. A maioria nunca pisou lá novamente. A cidade fantasma virou cenário de jogos de videogame, objeto de estudos científicos e ponto turístico. Entra-se lá apenas acompanhado de guias autorizados, que seguem de perto os passos dos visitantes para evitar a retirada de objetos contaminados pela radioatividade e atos de vandalismo, como os que danificaram bastante o interior dos prédios.

Hoje quem circula pela principal praça da cidade, antigo cartão postal de Pripyat com o centro cultural e o Hotel Polissya, são pequenas cobras que se escondem na vegetação contaminada. É difícil vê-las entre as raízes das árvores, até que a presença dos seres humanos faz com que se agitem e dispersem em busca de abrigo. Esse é o caminho até o ginásio central de Pripyat, localizado atrás do centro cultural. Na quadra, as balizas ainda estão no lugar para uma partida de handebol que ou foi interrompida ou nunca chegou a ser disputada.

O esporte mais popular ali, porém, era outro. As paredes de um dos lados da quadra, entre as portas dos vestiários, têm molduras cobertas com dezenas de fotos e recortes de jornais e revistas sobre jogos de vôlei. São imagens empalidecidas, faltando pedaços, em sua maioria registros de partidas da seleção da União Soviética. Numa é possível identificar que se trata dos então ainda recentes Jogos Olímpicos de Moscou, em 1980, em que os soviéticos conquistaram a medalha de ouro nos torneios masculino e feminino.

Do lado oposto da quadra, pelas janelas sem vidraça do ginásio central, surge a roda gigante que não se move desde 1986 e que virou marca da cidade abandonada. Logo atas dela vê-se os postes dos refletores do estádio de Pripyat, que estava em fase final de construção. Parque de diversões e estádio seriam inaugurados oficialmente no feriado de 1º de maio, Dia do Trabalhador e uma das mais importantes celebrações do período comunista. Cinco dias antes o reator 4 de Chernobyl explodiu espalhando resíduos radoativos pelo ar.

O estádio onde a bola nunca rolou seria a maior praça de esportes da região, com arquibancada central coberta e uma pista de atletismo ao redor do gramado. Até então havia apenas um pequeno campo nos arredores da cidade, com arquibancadas de madeira. Após o acidente, o novo estádio de Pripyat virou base para helicópteros de transporte dos soldados que arriscavam a vida despejando areia e chumbo para tentar conter o incêndio no reator. Eram medidas desesperadas contra um acidente sem precedentes, causado por uma falha no que deveria ter sido um teste de segurança. O estádio também foi usado como pista de pouso para retirada de doentes e feridos. Por isso, ainda é um dos locais com níveis de radiação mais altos da cidade.

Pripyat começou a ser construída em 1970, batizada com o nome do rio que corta a região e que motivou a escolha do local para a instalação do complexo de Chernobyl, a apenas 3 km de distância dali. Era uma das “atomograd”, as “cidades nucleares” projetadas para os funcionários das usinas e seus familiares, exemplos de modernidade e do sucesso do programa energético da antiga União Soviética. Pripyat foi elevada à categoria de município em 1979. A maior parte de seus moradores viveu menos de uma década lá.

Há sete anos, alguns deles resolveram criar uma comunidade virtual, o site Pripyat.com, que acabou virando um ponto de encontro dos que foram obrigados a abandonar suas casas em toda a área de exclusão de 30 km criada após o acidente nuclear. Os responsáveis pelo site tentam manter viva a história de Pripyat e lutam para que a cidade seja preservada como um museu ao ar livre, protegida contra invasores e com limites para atividades turísticas. Um dos idealizadores do movimento, o fotógrafo e ex-morador de Pripyat Alexander Sirota escreveu certa vez sobre o lugar de onde veio.”

O resto está aqui.

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