Mais uma chance para o vinho e a água georgianas

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Plakat irônico feito pelo KP: 'Não beba vinho georgiano!'A água e o vinho georgianos são delícias proibidas na Rússia desde 2006, após um ‘incidente comercial’. Agora, depois de uma série de novos encontros, parece que o embargo russo vai ser levantado. A bola, segundo o Kremlin, está com os georgianos, ou seja, devem cumprir ‘os protocolos’ para o retorno das importações. Os georgianos, por sua vez, sabem que a celeuma é muito mais política do que sanitária. E estão ávidos para que os negócios sejam retomados, já que o mercado russo é gigantesco.

O embargo dura desde 2006, quando a Rússia alegou que tanto a água mineral – essencialmente a Borjomi – quanto o vinho georgianos eram fabricados sob baixos padrões de qualidade e não atendiam aos padrões russos de segurança sanitária. Teriam sido achados em lotes da bebida metais pesados, pesticidas, coliformes fecais… Tudo isso, claro, enquanto a Geórgia tentava uma vaguinha na OTAN. Enfim, muito suspeito o comportamento, que repercutiu mal por todo o mundo.

Além disso, como a gente bem sabe, há um outro enorme motivo para essa confusão: a Rússia, há tempos, sonha em entrar para a Organização Mundial do Comércio, da qual a Geórgia é um membro. Entretanto, todos os novos participantes só podem ser admitidos se houver um consenso.

E aí, claro, o pequeno país caucasiano só aceitaria o gigante vizinho se a tal pendenga comercial fosse resolvida. Tudo isso, claro, extra-oficialmente, já que a Geórgia, através de seu presidente Saakashvili, repete ad aeternum que só quer ‘transparência’ nas negociações comerciais e que ‘não tem vinho sobrando’ para vender na Rússia. Como se vinho georgiano fosse encontrado em qualquer lugar mundo afora… Basta lembrar que, até 2006, 9 de 10 garrafas da bebida produzida no país caucasiano eram vendidas para a Rússia.

Isso para não mencionar as disputas políticas pela Osétia do Sul, Abkházia e outras tantas que envolvem os vizinhos desde o fim da União Soviética – e mesmo antes e durante o jugo comunista. Ou seja, o embargo, pensando em longo prazo, foi um tiro no pé das pretensões diplomáticas russo-georgianas, que não eram e nunca foram esssencialmente amistosas.

Água mineral BorjomiNão sou nenhum Renato Machado, mas sempre ouvi falar das maravilhas dos vinhos georgianos. Até que, uma vez na Rússia, provei. Depois, tive a chance de beber alguns tipos na própria Geórgia: Kvanchkara, Kindzmarauli e Oussakhelouri (ok, tive que buscar os nomes no google…). Assim como a água de lá – a famosa Borjomi – são mesmo umas maravilhas. Dessas que pouca gente conhece por aqui.

O fato é que o vinho georgiano é uma iguaria espetacular. E a água mineral Borjomi, idem. Para quem não sabe, de acordo com a história, os georgianos – ou o povo que habitava aquela região – teria inventado a vinicultura cerca de 5 mil anos antes dos europeus sequer provarem a bebida feita das uvas. E eu duvido que o Renato Machado conheça as uvinhas Rkatsiteli, por exemplo, uma das responsáveis pela produção local. E duvido também que alguém saiba o quão milagrosa é a água mineral carbonada Borjomi – que, aliás, incrivelmente acaba com sua ressaca em 5 minutos!

Mapa da produção de vinhos georgianos

Vinhos georgianos

Aqui tem algumas propagandas de vinho georgiano e de água mineral Borjomi clássicas. Confere aí.

Se quiser ver mais propagandas, basta clicar aqui.

As fotos foram tiradas dos blogs passionatefoodie e theartoflifemagazine, que também têm informações legais sobre vinho georgiano. Valem uma visita!

1 COMENTÁRIO

  1. […] O líder georgiano não é bobo. Ele sabe que os russos ainda têm uma ligação muito forte com a Geórgia, apesar da guerra e dos anos de hostilidades. Entre a juventude russa, claro, há uma rejeição a todos os povos do cáucaso, sem distinção. Mas Tbilisi pensa e age diferente da velha classe de raposas políticas que habita o Kremlin. Basta lembrar que a média de idade dos ministros georgianos é de 37 anos, ou seja, é um país dinâmico, que, apesar dos conflitos, não parece ter interesse em rusgas. Saakashvili também está de olho nas divisas do turismo que os Jogos Olímpicos de Inverno de Sochi, ali do lado, podem gerar. Afinal, se você vai a Sochi, vai à Geórgia, beber um bom vinho e comer um delicioso khachapuri… […]

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