Mais uma viagem pela ‘Gazeta Russa’

5
50
views

Na última segunda-feira, saiu a edição deste mês da Gazeta Russa, suplemento da Rossiskaya Gazeta no Estadão. Como eu falei dela em sua estreia no jornal de SP, nada mais justo do que falar desse segundo número também. Até porque, nesta edição, teve uma pequena colaboração minha em uma das matérias.

Bom, para começar, gostei muito da rapidez dos textos. Entraram mais no clima do Brasil e deixaram o ‘cronismo’ de lado. Já no lide da primeira matéria (sobre Khimki), o texto começa com ‘quem vai a Moscou e aterrissa no Sheremetyevo pode avistar uma enorme faixa de mata…’. Já dá a impressão de que o assunto não é uma bobagem. E praticamente todos os textos têm algum link com o Brasil (=alvo, o leitor brasileiro).

Além disso, tem a história legal do Vadim Isakov, um russo-israelense maluco que fez um ‘diário dos hospitais porcaria’, que é uma ideia legal e que é só uma questão de tempo até pegar por aqui, tem uma de economia sobre a carne brasileira por lá, enfim, uma primeira página bem mais atraente!

[nggallery id=5]

A lamentar a história do Tigr – uma espécie de blindado russo que a polícia do RJ quer comprar, algo como um ‘minicaveirão’, que é apenas uma notinha na terceira página – e a mania eterna que o Estadão tem de inventar uma língua russa. Ver escrito ‘Abecásia’ é uma coisa irritante. Ora, nós temos, no planeta Terra, uma tabela internacional de transliteração. Como é que você vai ignorar que o ‘X’ em russo se fala ‘há’? Daí que o Estadão, que já tinha inventado um novo escritor, Anton Checov, agora inventa um país – ou região, sei lá – chamada ‘Abecásia’. Ora, Abecásia??? Deve ficar perto da Abházia. Provavelmente o escritor e gênio da literatura, Tchehov, também já esteve lá…

Bom, a matéria sobre Khimki vale ser lida. Aliás, preciso tentar contar essa história, até para tentar entender tudo também. É a velha história ‘progresso x floresta’. E tem um comentário do Yuri Schevchuk, do DDT. Aí a gente vê que tem gente safo fazendo o cadernão… Aliás, agora não tem ‘Rússia’ em todos os títulos e subtítulos! Legal, a gente já sabe que a gazeta é russa.

Gostei muito da matéria sobre os estrangeiros que trabalham na Rússia. Além de estar bem clean, conta um dado que pouca gente sabia: o país é um excepcional mercado para trabalhadores altamente qualificados – desde que não tenham frescurinha com o clima. Afinal, um salário de R$ 36 mil não seria nada mal né?

No final, na última página, uma matéria sobre o Aleksandr Blok – um dos meus favoritos, aliás. Curtinha e tal, mas deu pra fazer eu pegar o livro e reler algumas coisas. E ali também tem minha pequena colaboração: uma materinha sobre a vinda do Mikhail Baryshnikov ao Brasil. Infelizmente, tirar o cara da toca é missão impossível. Parabenizo a colega Fernanda Godoy, baseada em NY, pela excelente e sublime entrevista com o maior bailarino vivo no mundo, publicada no Segundo Caderno do jornal O Globo, do último domingo.

No geral, acho que o cadernão está engrenando. Para os entusiastas, é uma grande notícia. Afinal, chega de ler sobre a Rússia como se fosse aquele país ex-comunista onde tem neve pra tudo quanto é canto, né?

Ah, você pode ler em e-paper aqui.

5 COMENTÁRIOS

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here