Making of: ‘a vida de brasileiros – ou não – esfumaçados em Moscou’

Durante esses dias de calor e fumaça em Moscou, vira e mexe alguém me perguntava como os brasileiros estão se virando por lá. Como eu já contei aqui, em 2002, passei uma situação bem parecida, com os incêndios ao redor da capital e a fumaça escondendo a beleza de uma das minhas cidades favoritas. Como desta vez estou do lado de cá do aquário, conversei com alguns pra ver quem contava as histórias mais interessantes, para tentar emplacar uma matéria sobre o tema.

Para começo de conversa, procurei o Lenp, que está há pouco tempo na Rússia, 3 meses, mais ou menos. Lembro que, na equação tempo/espaço russa, 1 mês pode ser uma eternidade ou um piscar de olhos… Lenp trampa numa agência de publicidade e é um cara gente fina e sossegado. Já a Marina Darmaros, que conheci por lá em maio último, fez um mestradaço na RUDN e está de malas prontas após três anos comendo pel’meni. Mas quem acompanha no blog sabe que dela eu sou fã há algum tempo, já. Desses dois veio a nata das pequenas entrevistas.

Mas, além deles, achei que faltava um tempero russo ao saladão ‘como é a vida na fuligem’. Para isso, recorri à eterna fonte Darya Beldinskaya, uma advogada casca-grossa que mora fora da cidade – até por segurança, dada a natureza de seu trabalho. Beldisnkaya deu uma apimentada bem legal, com seus comentários sempre definitivos sobre a Rússia e seu ‘carmaggedon’. Os ingredientes estavam na mesa.

Daí, veio a materinha que os amigos do G1 acabaram usando hoje. Lá eles também tiveram a ideia de fazer uma arte antes/depois com umas fotos geniais que a Marina tinha. Ficou excepcional. Acho que, agora, dá pra ‘nós que aqui estamos e por vós esperamos’termos uma ideia de como é a (sub)vida em tempos de crise natural. Minha participação nessa orquestra foi apenas tocar o címbalo. Os instrumentos já estavam todos azeitados e a batuta do maestro já se movia no ar.

Dá uma lida aí, que acho que ficou legal.

‘Evito ao máximo sair de casa’, conta brasileira que vive em Moscou
Onda de calor na Rússia provoca incêndios; fumaça encobre a capital.
População usa máscaras para diminuir o incômodo com a fuligem.

A fumaça que atinge cidades da Rússia por causa dos incêndios provocados pela forte onda de calor altera o cotidiano da população. De acordo com brasileiros que moram em Moscou, a situação já passou do nível tolerável.

“Evito ao máximo sair de casa”, relata a jornalista Marina Darmaros, que mora há três anos em Moscou. Ela diz que esse é o pior momento que já viveu na capital russa.

Enquanto as autoridades do país tentam controlar os mais de 500 focos de incêndios ativos, uma mudança no rumo dos ventos trouxe novamente, neste fim de semana, a fumaça e o cheiro de queimado para Moscou. Além da capital, as cidades de Nizhnyi Novogorod, Ryazan e Vladimir também amanheceram cobertas pela nuvem de fuligem.

Os incêndios no país foram provocados por uma onda de calor, que já dura quase dois meses. No total, 54 mortes foram confirmadas em função dos incêndios,  em uma área de 200 mil hectares atingida pelas chamas. Embora as autoridades garantam que o pior das queimadas e da onda de calor já ficou para trás, apenas o início das chuvas, esperado para o fim de agosto ou início de setembro, deve pôr fim ao tormento dos russos.

Marina afirma que os russos estão conformados com a fumaça. “Reclamam, mas sabem que não vai adiantar”, diz. Ela afirma que “a mídia fala sobre o assunto, mas alguns tópicos só estão na imprensa internacional”, diz referindo-se a regiões de Sarov e Bryansk, áreas altamente contaminadas pela radiação de Chernobyl, onde o fogo poderia criar uma nuvem tóxica e se espalhar pelo país.

Poucas casas e prédios têm aparelhos de ar-condicionado ou mesmo ventiladores. Desta forma, a única maneira de fazer o ar circular – e evitar sofrer com a violenta onda de calor que castiga o país – seria abrindo as janelas. E é aí que a fumaça entra. Ou seja, é preciso optar entre ficar trancado em casa e sofrer com o calor, ou suportar a fumaça e o cheiro de queimado e fuligem.

O publicitário brasileiro Luís Eduardo Nogueira, que está há três meses em Moscou, relata que, ao chegar no país, se deparou com um calor impensável. A fumaça, disse ele, piorou as condições.

“Eu ganhei uma máscara cirúrgica de uma colega de trabalho. E como no meu apartamento não tem ar condicionado e a calefação está ligada, era impossível ficar dentro, com as janelas fechadas. Passei muito tempo dentro da agência em que eu trabalho, inclusive o final de semana. E alguns colegas meus de trabalho fizeram o mesmo”, relata.

Nogueira também sentiu os efeitos do calor e da fuligem. Além da ardência no nariz e nos olhos, enfrentar a nuvem nas ruas é uma tarefa árdua. “Não usando máscara, ao andar um metro parece que se anda uns três quilômetros. O ar está muito pesado”, conta acrescentando que, quem pode, deixa a cidade nos finais de semana. Mas, mesmo isso não garante uma melhora na qualidade.

A advogada Darya Beldinskaya, que mora na cidade de Vidnoe, a 35 quilômetros de Moscou, na área metropolitana, diz que nas tradicionais “Dachas” – as casas de campo dos russos – a preocupação é constante. “Como estamos mais perto das áreas em chamas, a fumaça é muito densa. E há ainda o medo de que o fogo se espalhe e chegue até nós”, conta.

“Infelizmente, já estamos acostumados. Sempre enfrentamos adversidades, naturais ou não. Frio, neve, calor, enchente, guerras, fome… Faz parte da vida do russo lutar para sobreviver. A fumaça incomoda, mas nós vamos vencer”, diz Beldinskaya.

Para ler a matéria original, no G1, com a artezinha show de bola, basta clicar aqui. E, além de agradecer ao povo citado acima, faço uma menção honrosa ao Moreira, que deu uma enorme e inesperada moral, ao chamar o texto na home do Globo ex-online. Espero não demorar muito até pintar a inspiração pra próxima!

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3 respostas para “Making of: ‘a vida de brasileiros – ou não – esfumaçados em Moscou’”

  1. marina disse:

    parabéééns, amigo! de domínio novo e td hein? a matéria ficou muito legal e o truque com as fotos nem se fala! eu é que sou sua fã e estou sempre passando aqui (mesmo qdo aqui era ali). boa sorte no novo endereço 😉

  2. Interessante. Gostei.

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