Mande o presidente para os EUA

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Que tal participar da campanha ‘Yuschenko – mala – América’? Pois é exatamente essa a idéia do movimento do partido comunista da Ucrânia, que arrecada fundos para enviar o presidente Viktor Yuschenko para os EUA, por ter supostamente cedido a todos os interesses dos americanos e praticamente ‘entregar’ o país. E o mais interessante é que o ‘projeto’ foi anunciado em uma sessão do parlamento nacional, a plenos pulmões. E contou com o apoio de toda a ‘verhovna rada’ – o nome dado ao plenário local. Tem até ‘selinho’ para ser colocado em sites…

O movimento começou com uma passeata em Odessa, no dia 10, e foi ganhando simpatizantes por todo o país. Nikolaev, Simferopol´, Zaporozhye, Dnepropetrovsk, Donetsk, Lugansk, Zharkov… Uma atrás da outra, as cidades foram aderindo e organizando carreatas, passeatas, manifestações e etc. a favor do ‘envio’ do líder. E os slogans eram sérios: ‘Abaixo Yuschenko’, ‘Nós falamos russo’, ‘OTAN na Ucrânia – não!’, ‘Patriotismo sim, fascismo não’. A idéia é chegar a capital Kiev no dia 23 e fazer um enorme ‘carnaval’ para despachar Yuschenko

E uma coisa curiosa é que, nesses países ex-soviéticos, qualquer aglomeração ou protesto deve ter autorização do Estado. E óbvio que Yuschenko não autorizava, mas mesmo assim, o movimento seguia – muitas vezes com participação dos próprios policiais. E os homens da lei até depositavam um dinheirinho na urna…
 
Parece que as medidas populistas do líder, dentre as quais proibir transmissões na língua da vizinha Rússia, não surtem efeito. O nacionalismo ucraniano ficou seriamente ferido com a atual crise no país: o Produto Interno Bruto (PIB) da Ucrânia deverá recuar este ano 5%, enquanto a moeda nacional, a hryvnia, perdeu cerca de 40% do valor entre setembro e dezembro de 2008. A taxa de desemprego gira em torno de 11%  – cerca de 2 milhões de pessoas. E a taxa de aprovação do presidente é de parcos 3%.

Ah, só para lembrar: Yuschenko é aquele presidente, líder da ‘Revolução Laranja’, que teve o rosto desfigurado por um envenenamento, em 2004. E que vive brigando com a primeira-ministra, Yulia Timoschenko, a loirinha do penteado engraçado. E a esposa dele nasceu em Chicago e só se tornou ucraniana em 2005, após ser acusada até de ser agente da CIA…


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