Mistérios pós-comunistas – O McDonald´s na Rua Arbat

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Quanto você acha que valeria arrendar o metro quadrado na Av. Atlântica, digamos? Ou em qualquer endereço nobilíssimo de sua cidade? 500 dólares? Mil dólares? Bom, em Moscou, o McDonald´s paga 1 mísero rublo por cada metro quadrado. POR ANO. Ou seja, a loja de uma das marcas mais famosas e valiosas do mundo paga 1577 rublos por 365 dias, numa loja de 1577 metros quadrados no endereço absolutamente mais nobre da capital russa. Ah, e lembro que 1 rublo vale… R$ 0,06!

Dito assim, parece até normal, se a gente não conhecesse a história e os preços de lá. O contrato foi firmado logo após o fim da União Soviética, em algum lugar dos obscuros anos 90. Não se sabe quando, como ou onde o termo – que vale por 49 anos – foi assinado, mas o escândalo vira e mexe vem à tona. Mas não fosse o boom imobiliário que a capital russa vive nos anos 2000, talvez não soasse tão absurdo. Afinal, Moscou é hoje a 3ª cidade com o metro quadrado mais caro do mundo – custa US$ 4212, em média, de acordo com dados do GED Analytics, em junho (imagine que seu apê de 90m2 valeria US$ 380 mil se estivesse lá). Mas ocupou, durante 3 anos, o topo do ranking, tendo sido ultrapassada somente em junho por Tóquio e Osaka, de acordo com o ranking publicado pela Mercer Human Resource Consulting.

Não bastasse o aluguel pífio que o McDonald´s paga pela megaloja na Arbat, o escritório da empresa, localizada na Bolshoi Nikolopeskovskoi pereulok também é ‘agraciado’ pelo contrato. E não pensem que o governo de Moscou não tentou mudar isso. Agora, pela 4ª vez, o secretariado da capital entra na Justiça contra a rede de fast-food. Isso significa que os juízes da capital já deram ganho de causa à rede americana outras quatro vezes.

E o assunto parece tirar Nina Bykova, secretária de assuntos imobiliários de Moscou, do sério. “Isso não é nem um pouco justo. Queremos que eles paguem pelo preço de mercado, que giraria em torno de mil rublos por ano (US$ 30)”, explica a representante do governo.

Mas, segundo amigos advogados, que conhecem bem o sistema russo, a ação tem boas chances de ‘acabar em vodka’. “Tudo o que foi firmado logo depois da queda da União Soviética tende a ser mantido. Esses contratos fizeram meia dúzia de pessoas ficarem ricas, mas são juridicamente corretos. E mudar isso hoje também desagradaria a muitos. Ou seja, não deve dar em nada…”, explica a fonte.

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