Moscou, раз, два, три… Capital é o ponto de partida da Transiberiana

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Talvez tudo já tenha sido dito sobre a capital da Rússia, a joia, a dourada Moscou. Cidade das mil raças, que divide o mundo, que une diferentes e separa iguais, dos parques, dos prédios… Seu metrô, seus rios, seu Kremlin, suas catedrais em forma de lágrimas invertidas, suas avenidas largas e trânsito apocalíptico, sua poesia concreta e sua gente que corre, sabe-se lá para onde. Pouco sobrou para se dizer de lá. Mas, a cada viagem, eu descubro uma nova nuance, um novo canto, um novo cheiro ou um novo som.


Hino de Moscou

Como já morei lá, mesmo rever essa potência que é Moscou é sempre impactante. Passear na Praça Vermelha é sempre um choque. Desta vez, meu objetivo era transformar a bela cidade em um trampolim para o resto da Rússia – daqui eu pegaria meu trem para Kazan, dando início ao esperado tour Transiberiano.

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Em alguns posts anteriores (aqui e aqui), eu dei algumas dicas e elenquei meu top da cidade. Você não pode deixar de ir ao Kremlin, claro, à Praça Vermelha, ao Gum, passear sem rumo pelo metrô, andar pela Tverskaya, pela Arbat, conhecer os museus (gigantes como a Galeria Tretyakovskaya e o Museu Púchkin ou pequeninos como a galeria Rerih), as catedrais (outra vez, desde a gigantesca Cristo Salvador até as pequeninas escondidas nas ruelas do centro), as pontes, os parques, enfim, há o que fazer para o tempo que você resolver ficar por lá.


Rammstein – Moskau. Um hino pós-moderno e neo-oficial da cidade. Os russos vibram no refrão.

Desembarquei no aeroporto Domodedovo de madrugada e fiquei no Ekaterina Park, um hotel médio, mas budget, perto do metrô Prazhskaya. Longe o bastante e perto o bastante do Centro. Optei por não ficar na casa de amigos pois tinha muito, mas muito o que planejar. O Ekaterina foi uma dica preciosa do amigo e professor Vicente Barrientos, que mora por lá há anos. E valeu muito a pena.

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Aproveitei o pouco tempo que tinha, coisa de dois dias, para dar uma bela volta pelo centro e, com o amigo Raphael, um repórter que estava em seus últimos dias por lá, conhecer os estúdios da Mosfilm – onde foram e são produzidos os grandes clássicos da cinematografia russa e soviética. Aliás, o lugar é tão incrível quanto desorganizado. Turistas, só russos. Os tours começam no início da tarde, por isso, chegue cedo. O lado bom é conhecer o ponto de vista russo da sétima arte. O lado ruim é que nem sempre temos subsídio cultural para acompanhar todas as referências. Mas saí de lá com uma lista enorme do que ver nos próximos anos.

Outra coisa legal que fiz foi visitar algumas das novas estações de metrô. Em nome da objetividade – e do orçamento – elas não têm o glamour daquelas soviéticas. Mas são práticas e funcionais. Algumas contam com um visual pós-moderno, preto e branco, beirando o noir. Outras são sem graça, sem charme e indignas dos velhos vagões pesados, grosseiros e estilosos.

Mas o filé mesmo dessa viagem foi um luxo ao qual nunca havia me dado: o renomado Café Púchkin. Passei uma manhã por lá, em um papo agradabilíssimo com o professor Barrientos e pude confirmar: depois de 10 anos indo e vindo para a Rússia, eu ainda não havia conhecio o país em alto estilo. Os garçons, muitas vezes trilíngues, o menu, o ambiente, enfim, tudo é realmente nota 10. Um oásis de high society no meio do coração de Moscou (e que será alvo de um post exclusivo em breve). É carinho, sim, claro. Mas é uma extravagância que um turista tem que cometer. Recomendo muito!

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Depois de respirar um pouco, rever e reconhecer a velha Moscou – que aliás fica cada vez maior, mais sufocante, menos humana e mais frenética – botei a mochila nas costas e parti para a Estação Kazanskii, de onde partiria meu primeiro trem rumo ao misterioso e fantástico oriente. A primeira parada: Kazan, capital do Tatarstão e uma das mais importantes cidades da Rússia. Pela frente, 12 horas, noite fria e estrelada adentro.

E a viagem está só começando…

5 COMENTÁRIOS

  1. 😀
    eu nao tenho ainda a pretensão de me aventurar na transiberiana, mas sei que essa série de posts vai me deixar empolgado! heheh

    e o Púchkin promete hein.
    до свидания

  2. Querido Fabricio, tenho um amigo que está estudando em Kazan. Quero ir muito lá visitá-lo e de repente estudar um pouco por lá tb! Quero saber de tudo, estou ansiosa no aguardo! Parabéns pelo relato! As fotos estão magníficas!…

  3. Muito legal cara, um dia ainda farei a transiberiana, meu maior problema será com o idioma! Eu sou fascinado pela Rússia e pelo leste europeu, já estive em 10 países do leste e em Agosto de 2012 estive por 10 dias na Rússia, Moscou e St. Petersburg eu vi como é difícil se virar sem falar russo! Aprendi o alfabeto e poucas palavras para me virar! Moscou é fascinante!

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