Moscou de elevador

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A idéia inicial era falar sobre os “sete altos” (ou “sete irmãs”) nesse post. Mas vi que era tanta coisa, que resolvi entrar no tema listando os 10 prédios mais altos da capital russa. Até para mostrar um contraste entre a pujança da Era Stalinista e o esbanjamento dos anos 2000 na Rússia. E, só para se ter uma idéia do paralelo entre as gerações, dos 10 edifícios mais altos da capital, 4 foram erguidos na década de 50, e os outros 6 foram entregues após o ano 2000.

(Ah, um parênteses rápido: vivo fugindo do rótulo pós-soviética, já que, passados quase 20 anos do fim da URSS, já estaríamos numa era pós-pós-pós-soviética. Mas também prometo voltar no tema).

Retornando, as “sete irmãs” são aqueles arranha-céus em formato de bolo de noiva, que marcam o perímetro urbano e são vistos praticamente de qualquer ponto da capital. E o projeto inicial previa oito prédios em homenagem aos 800 anos de Moscou, que seriam comemorados em 1947, mas dificuldades financeiras abortaram a idéia de Stalin, deixando as “irmãs” apenas em sete.

Por outro lado, as novas torres e ousados prédios marcam a era dos “novos bilionários” por lá, bem como a fartura dos petrodólares. Era hora de tirar o atraso e colocar Moscou outra vez na lista de capitais mais modernas do mundo. E funcionou: a demolição de antigas “khruschevkas” (prédios típicos da Era Nikita Khruschev com 3 ou 5 andares espalhados por todos os países da ex-URSS) e a construção dos imponentes edifícios fez o metro quadrado da capital saltar para o topo da lista dos mais caros do mundo, custando em média absurdos US$ 5 mil! Normal para a cidade que hospeda o maior número de bilionários do mundo – 84, contra 71 de NY (SP tem “apenas” 14).

Moscow City Tower
Edifício Triunf-Palas

O ponto culminante da capital russa é hoje o complexo Moscow City (sempre acima, da esq. para a dir., dá pra clicar sobre para aumentar a foto), com 264 metros – que teria custado por volta de US$ 15 bilhões em quase 25 anos. O megaprojeto virou sede de grandes multinacionais, bem como de companhias russas, e impressiona turistas pela sua suavidade de linhas e aspecto ultramoderno. Já o segundo lugar fica com o “Triumf-Palas”, um prédio de alto luxo que se tornou o residentcial mais alto da Europa, com 264 metros – poucos centímetros a menos que o MCity. É um luxo total, todo em mármores, imitando a arquitetura stalinista, mas com tudo o que a modernidade pode oferecer. Por um preço que não dá para imaginar…

Prédio da Universidade de Moscou Hotel Ukraina

Seguindo a lista, em terceiro e quarto lugares, duas das “sete irmãs”. Com 235 metros, está o prédio principal da MGU – Universidade Estatal de Moscou Lomonosov – a mais importante e prestigiada do país. Desse eu posso falar, já que cansei de me perder pelos elevadores e corredores quando estudei lá. É um mundo. E, 55 anos após sua inauguração, ainda me parece bastante luxuoso e opulento. E cheio de mitos, como a de um bunker nuclear, uma estação do Metrô-2 – a linha secreta da capital – ou mesmo de uma inacreditável sala criogênica, onde estariam congeladas figuras históricas do comunismo. Eu levava coisa de 20 minutos, para ir da lavanderia na ala oeste até minha sala de aula, na ala leste…

E, com 198 metros, o Hotel Ukraina vem em quarto na lista. Outro edifício absurdamente luxuoso e gigante, que abre a Avenida Kutuzovskii e cerca pontos importantes da cidade, como o Obelisco, o Portão do Triunfo e o Park Pobedy (parque da vitória). Estive lá algumas vezes também, antes da grande reforma pela qual ele passou em 2003. É tão grande minha turma usava como ponto de encontro – você podia achar um sofá no lobby, sentar, tomar um chá e terminar um livro enquanto esperava o pessoal chegar.

Apartamentos 'Vorobevy Gory
Prédio Alye Parusa
Edelweiss

Em quinto, sexto e sétimo na lista, três prédios que acho surreais: o residencial “Vorobyevye Gory”, de 188 metros, o “Alye Parusa”, com 179 metros e o “Edelweiss”, que mede 176 metros. O primeiro tem uma arquitetura que beira a oriental, lembrando um pagode japonês, mas mais reto e simplório. Tem uma vista linda, já que fica bem perto do Rio Moscou e do complexo esportivo Luzhniki. O “Alye Parusa”, bom, me lembra Gaudí. E não importa o quanto me expliquem que ele foi feito em homenagem ao conto homônimo de Alexander Grim – lindo e obrigatório para todos os russos – ele vai ser sempre Gaudí. Fica meio longe do Centro, por isso não virou atração turística. O “Edelweiss”… Bom, o “Edelweiss” me parece um castelo de contos de fadas, meio “Neuschwanstein”, meio “Branca de Neve”.

 Dom na Kotelnicheskoi Naberezhenoi
Ministério das Relações Exteriores

Ocupando a oitava e a nona posição, mas dois cinquentões: o edifício na Kotelnicheskoi Naberezhenoi e o Ministério das Relações Exteriores. Com seus 176 metros, o DKN, como é chamado, também é um mundo, com mais de 700 apartamentos, lojas, correios, cinemas e até museus. Também fui lá um par de vezes e, sinceramente, é impossível se orientar ali. O mesmo vale para o prédio do Ministério. Mas ali você só ia para registrar seu visto de estrangeiro. Dizem que, nos tempos da URSS, sediava a embaixada dos EUA. E que ela ficava bem ao lado de um escritório – secreto – da KGB. Nem precisa dizer que os americanos teriam privacidade zero…

Swiss-Hotel

Fechando a lista do Top 10 de mais altos da capital russa, o chiquérrimo Swiss Hotel, com 165 metros, que fica numa ilhazinha entre o Rio Moscou e o Canal Vodootvodny. Nesse, ainda fico. Imagino que tenha uma vista ultrafantástica para o Kremlin e seja um absurdo de luxo. De noite, ele brilha. E muito! Custa em média US$ 400 uma diária, num quartinho bem simples.

Mas essa lista da capital russa não vai durar muito tempo. O Moscou City deve inaugurar mais uma torre em breve, com quase 360 metros. E outras regiões da capital também já constroem seus arranha-céus – há 13 em processo agorinha mesmo, previstos para até 2015. Dá pra ouvir as máquinas.

O interessante é que a maioria desses prédios eu vi ainda em construção – meu maior período por lá foi do início ao fim de 2002. Na viagem mais recente, passamos por alguns deles. É legal ver o contraste entre os velhos prédios soviéticos e os modernos apartamentos e shoppings. O bairro onde morei – Novye Sheremushki – mudou praticamente todo em coisa de 5 anos. A velocidade da mudança impressiona.

PS.: para efeitos de comparação, o prédio mais alto do Brasil fica em SP: Mirante do Vale, com 170 metros. E o mais alto do Rio ainda é a Torre do Rio Sul, com 164 metros. Não entraríamos no Top 10 de Moscou…

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