Moscou no top 3 de turismo mundial? Calma, menos…

Ontem li, com espanto, uma notícia do Diário da Rússia, dando conta de que ‘Moscou é a quarta cidade em número de turistas estrangeiros’, de acordo com o site Trip Advisor. Quase caí da cadeira. Afinal, contando com números de 2010, a capital russa foi visitada por 3 milhões de pessoas. Não chega nem perto da quarta colocada no ranking feito pela Organização Mundial do Turismo, que é a Anatólia, na Turquia, com 9,2 milhões de turistas/ano (sempre em dados de 2010). Vale lembrar que a campeoníssima do ranking, Paris, recebe 16 milhões de turistas por ano. (Dá uma olhada no ranking completo, via USNews).

Ainda no campo dos números, basta olhar que para São Petersburgo, que já recebia 3 milhões de turistas em 2009 e atingiu a marca de 5,1 milhões de visitantes em 2010. Quase o dobro da capital. E, enquanto a bela cidade de Pedro planeja atingir a marca de 8 milhões de visitantes até 2016, Moscou segue parada no tempo, apesar de ter visto seu número de turistas subir para 3,4 milhões, nos dados de 2011.

Agora, um pouco sobre o turismo na Rússia. Desde o tempo da União Soviética, uma característica da atividade por lá é atrair gente do leste europeu e ex-países do bloco comunista. E o motivo era simples: os sindicatos premiavam os melhores ‘camaradas’ com vouchers para conhecer a capital do socialismo ou a cidade de Lenin. Então, não havia muita escolha. Ou você ia para Moscou / São Petersburgo, ou você ia para Moscou / São Petersburgo.

Os números são confusos, mas, segundo a Inturist, na década de 1970, a URSS recebia cerca de 2 milhões de turistas por ano. Em 1985, o número atingiu 8 milhões (cifra provavelmente vitaminada…). Durante os anos 1990, o número voltou a despencar para parcos 1,2 milhão/ano, atingiu 2 milhões em 2007, caiu nos anos de crise e voltou a subir em 2009. Mas as autoridades mostram ceticismo quanto às estatísticas. Afinal, como é um inferno o sistema de vistos (felizmente, não mais para nós, brasileiros), muita gente acaba viajando para a Rússia como turista, mas indo trabalhar, casar, beber, negociar ou qualquer outra atividade, não gerando, assim, a renda devida da atividade, e contribuindo para a parca infraestrutura que o país oferece a visitantes, sobretudo os que não falam russo.

Mesmo depois do fim do comunismo, a Rússia se manteve como um pólo turístico para as ex-repúblicas, que ainda representam 65% do número total de visitantes do país. É muito mais comum você encontrar gente do Azerbaijão na Praça Vermelha do que franceses, por exemplo. Por outro lado, países como Hungria, Polônia e República Tcheca vivem uma explosão turística: a partir da criação de uma infraestrutura mínima, da revogação de sistemas estúpidos e anacrônicos de visto, passaram a receber, anulmente, legiões de visitantes, que geram milhões de euros em receitas.

Voltando ao primeiro parágrafo, talvez o Diário da Rússia fizesse referência ao ranking do Trip Advisor de 15 destinos que estarão em alta em 2012. Aí sim, Moscou ocupa o quarto lugar do ranking. Ainda assim, correndo atrás de Lagos, em Portugal, Hua Hin, na Tailândia, e Tállin, na Estônia. Mas não dá para saber.

Ah, para termos mais uma comparação, e para chocar mais ainda, o Rio de Janeiro, cidade mais visitada do Brasil, recebeu apenas 1,5 milhão de turistas em 2010, ou cerca de 30% do total de estrangeiros que vieram ao país, estimada entre 4,5 e 5 milhões. Os números mostram que, se eles estão mal preparados, nós conseguimos fazer mais feio ainda, embora tenhamos produtos com altíssimo potencial. Taí, mais uma coisa em comum dentra tantas outras que o Brasil tem com a Rússia…

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3 respostas para “Moscou no top 3 de turismo mundial? Calma, menos…”

  1. Enaldo Soares disse:

    Se algum estrangeiro me pergunta sobre o Rio eu o desestimulo. As chances de serem assaltados ou tomarem um golpe de espertalhões é considerável.

  2. Paulo Leandro Cavicchio disse:

    Eu estou na Rússia agora . Fui a São Petersburgo e escrevo de Moscou .
    Realmente a estrutura é precária, comparado com a Estônia , onde todos falam inglês .
    Sempre que vou pedir comida sinto dificuldade , tenho que sinalizar . Mesmo para pedir um number 6 do BK .
    Nessas horas penso como deve ser difícil ser turista gringo no Brasil.
    A diferença é que a gente é mais solicito que eles .
    Não sei se vc lembra , mas escrevi te pedindo informações no quesito racismo , pois sou pardo e viajaria sozinho .
    Vc disse que no circuito turístico eu não teria problema . Realmente vc tinha razão . Não fui vítima de violência , mas fui vítima de racismo em algumas situações .
    Na loja do Zenith , não quiseram me vender um chaveiro , me expulsaram , não me tocaram , mas pediram em russo para eu sair da loja .
    No mercado me seguiam acintosamente ! Assim grudados em mim .
    Na rua algumas pessoas mais velhas cuspiram perto do meu pé .
    Sou viajante “profissional” , nunca me vi em uma situação dessas . Em todos os casos eu ignorei e isolei , não deixei afetar meu julgamento sobre os monumentos .Neste quesito vc tb tinha razão .
    O Hermitage é melhor ( mais bonito e interessante) que o Louvre , Peterhof é espetacular , mais intimista e gostoso de se conhecer que Versalhes ( os jardins , o palácio francês ainda é o the best one rs) . A igreja do Sangue Derramado é um dos motivos de eu acreditar pq viajar a Rússia vale a pena . Linda demais . Achei ela mais linda que a São Basílico ! Até gostaria de saber sua opinião. sobre .
    Agora o que me deixou intrigado e vc poderia me ajudar , é que todos esses casos de animosidade partiram de HOMENS !! As mulheres , inclusive as mais jovens , sempre foram muito solícitas ! Se esforçavam para falar inglês , sorriam , respondiam quando eu falava Spassiba etc.. Percebi que elas foram mais receptivas . Isso é verdade ? Se sim , vc tem alguma teoria sobre isso ?
    Abraços .
    PS : Não foram todos os Russos que me trataram mal . Citei casos isolados.Não fui hostilizado por todos na rua . Identifiquei que só uma parcela age assim .Quero aqui tomar cuidado para não generalizar.

    • Boas meu amigo,
      Claro que lembro de vc. E fico feliz que tua viagem, ao final das contas, foi boa.
      Como eu te falei, a Rússia tem um viés xenófobo bem grande. E Píter se destaca nesse quesito. Quem diz o contrário, infelizmente, é um pouco hipócrita. A loja do Zenit, aliás, o Zenit, é o epicentro desse caos. E eles se orgulham disso (http://en.rian.ru/sports/20121217/178217077.html).
      Seguir, cuspir, jogar lixo, enfim, são práticas comuns com negros, asiáticos e árabes por lá. E vc fez o certo: ignora. Esquentar a cabeça te faz parar na polícia e estrangeiro/negro nunca tem razão. É o pior dos cenários.
      Sobre a xenofobia ser sexista, vc tem toda razão. Há um sem número de razões sociológicas e históricas para tal. Basta dizer que os amigos africanos faziam sucesso entre as moças…
      Sobre o Hermitage e as belezas de Píter, bom, elas são realmente inquestionáveis. Eu tb prefiro o Hermitage ao Louvre, aliás.
      Aliás, vc toparia escrever um relato aqui pro blog? Até com dicas sobre o que fazer em caso de racismo na Rússia?
      Vamos nos falando, grande abraço e obrigado por ter voltado!

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