Muito prazer, sou ‘encouraçado potyomkin’

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Grigorii Aleksandrovich Potyomkin (geralmente, de acordo com o dialeto de Moscou, se pronuncia ‘Patyomkin’) foi um nobre russo, príncipe de ‘Potyomkin-Tarvicheskii’, nascido em 13 de setembro de 1739 e morto em 5 de outubro de 1791. General de campo, membro da Academia Língua Russa, emprestou seu nome para um navio, que por sua vez, serviu para batizar um dos grandes filmes da história do cinema, que acabou por ‘inventar’ o que chamamos de ‘montagem cinematográfica’.

O navio, um encouraçado, realmente existiu e foi incorporado à Frota do Mar Negro no final de setembro de 1900, na cidade de Nikolaev. No fim de junho de 1905, os marinheiros se rebelaram contra a ordem de comer um ‘borsch’ com carne podre. Daí a famosa frase do marinheiro ucraniano Grigory Meketovich Vakulinchuk, em sua língua natal, ‘Ta doki zh mi budemo rabami!’ – ‘até quando nós seremos escravos!’.

Depois da revolta, foi renomeado para ‘Pantaleimon’, serviu em guerras, patrulhas, foi capturado, devolvido e, enfim, decomissionado e desmontado, em 1923. Um de seus pedaços está hoje em um farol, na Crimeia, uma república autônoma ao sul da Ucrânia.

Sobre o filme, lembro que ele foi feito para o 20º aniversário da ‘1ª Revolução Russa’, em 1905, ou ‘Ensaio da Revolução’. Não sobre a ‘Revolução Russa’. O filme foi remontado na Alemanha, pouco tempo depois de sua exibição original, e essa foi a versão exibida pelo mundo durante décadas. Até voltar a sua forma original, no fim da década de 70.

Originalmente, sua trilha sonora foi composta pelo alemão Edmund Meisel. Anos depois, durante a remontagem do filme, a trilha sonora de Dimitri Shostakovich – sinfonias nº 5, 8 e 10, além de ‘O ano mil novecentos e cinco’ foi incluída, casando milagrosamente com o filme.

E, o mais importante do mundo. Pode parecer purista, mas o nome do encouraçado é Potyomkin. Com acentuação no ô e, preferencialmente, falando ‘patyômkin’, com ‘PA’ no início. E não potemkÍn, como todo mundo fala. Sem purismo, mas soa péssimo quando os supercríticos e ditos aficcionados pelo cinema repetem o bizarro ‘potemkÍn’.

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