Namorados conquistam o Bolshoi: um conto de fadas

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Semana passada fiquei sabendo que dois bailarinos da Escola de Teatro do Balé Bolshoi de Joinville, pela primeira vez na história, haviam sido contratados para dançar no Balé Bolshoi de Moscou. Um feito digno de medalhas. Corri para tentar contar essa história bacana, que além dos óbvios contornos de superação, tem ainda uma bela história romântica. E o textinho saiu ontem, quarta-feira, no Globo. Aqui vai a versão full, com todas as fotos. E que essa história inspire outras tantas vitórias país afora.

Para ler no Globo, o link é esse aqui.

“Se começássemos uma matéria dizendo que os russos acabaram de contratar mais dois brasileiros, todos pensariam logo em jogadores de futebol. E errariam. As mais novas aquisições deles são dois jovens bailarinos, Bruna Gaglianone e Erick Swolkin, ambos de 20 anos, que agora vão defender, nos palcos do mundo inteiro, a camisa da companhia profissional do Balé Bolshoi de Moscou. Algo como a ‘seleção do mundo’ dos melhores profissionais da dança.

Os dois são crias da Escola de Balé do Teatro Bolshoi no Brasil, em Joinville, e passaram os últimos 10 anos – dos 11 que a escola acabou de completar – sendo lapidados na cidade catarinense. E a história ganha contornos ainda mais românticos se lembrarmos que Swolkin nasceu na Grande SP e foi ‘recrutado’ numa escola pública de um distrito de Joinville, e que Bruna é de Caxias, no Maranhão, e foi selecionada em São Luís. Não bastasse isso, os dois são namorados e compartilhavam do mesmo sonho impossível: trabalhar – juntos – no Ballet Bolshoi, em Moscou.

‘Nossa, era uma coisa distante, meio impossível de realizar, uma utopia’, diz Erick, antes de explicar que só mandou o vídeo depois de ter sido incentivado pelo Supervisor Geral da Escola, Pavel Kazarian. ‘Ele pediu para prepararmos o material, dizendo que iria distribuir para uns teatros na Rússia. Acho que ele já foi com o intuito de deixar no Bolshoi. E acabou que deu certo! Sabe, na hora certa, no momento certo’, completa.

E Bruna faz coro com Erick. A jovem bailarina diz que não tinha esperança, já que o Bolshoi é, tradicionalmente, muito fechado e exigente com relação a estrangeiros. Mas, para ela, ter estudado na filial brasileira do teatro e conhecer o método russo foi determinante. ‘A gente já domina a técnica deles, sem dúvida, ter essa formação ajudou muito. Já somos vistos com outros olhos. Eles são tão bons que querem alguém que possa chegar ao nível deles. E é isso que nós queremos’, explica.

Mas, antes mesmo de mandar o vídeo, o casal teve uma conversa séria: e se apenas um dos dois fosse selecionado? ‘Eu nao sei se eu conseguiria ir sozinha… sou muito apegada à família. Mas acho que ele iria de qualquer forma’, diz Bruna, em meio a risos, enquanto Erick completa: ‘Tínhamos combinado que cada um fosse buscar seu caminho. Todo mundo apostava que não iriam escolher nós dois. Mas o bacana foi que deu certo’.

Se por um lado o casal comemora e ainda está sob efeito do choque, o Supervisor Pavel Kazarian se mostra mais sóbrio. Ele lembra que os dois vão para a Rússia no próximo dia 10 e ainda têm que passar por exames médicos e preparar toda a documentação. Kazarian lembra ainda que os dois tiveram muita paciência e perseverança, já que recusaram inúmeros convites de outras companhias – muitas delas grandes – de olho no sonho de dançar pelo Bolshoi.

Kazarian lembra ainda que, se a contratação de Bruna e Erick é muito importante para a escola, é mais importante ainda para o Brasil, já que agora serão três brasileiros por lá, junto com Mariana Gomes, que passou por um estágio e não foi contratada direto, como aconteceu agora. ‘É muito importante para todos os professores daqui. Para as crianças, eles são ídolos. Os colegas sabem que eles trabalharam muito tempo, muito duro. Então, todos participaram de certa forma dessa conquista, do menino que faz a manutenção ao presidente da escola, é como se os dois fossem as pessoas que representam a escola’, diz o supervisor, sem esconder o orgulho e lembrando ainda um grande acontecimento que está por vir: a reinauguração, após uma longa e cara reforma, dos palcos do Teatro Bolshoi de Moscou, programada para o dia 28 de outubro. E os brasileiros vão estar lá.

Agora, o casal vai ter que se preparar para a nova vida, que inclui aí o rigoroso inverno e a dificílima língua russa. Para a segunda, ambos já estão tendo aulas em Joinville. Já para o primeiro, não tem jeito. Só vivendo na pele. O fato é que o mais difícil eles já conseguiram, que foi convencer o balé mais famoso do mundo que o Brasil não é só a ‘pátria de chuteiras’, mas também pode ser o país das sapatilhas e dos tutus.”

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