‘Não Conta Lá em Casa’ chega à temida Chechênia

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Depois de ‘passear’ pelo Daguestão, a turma do ‘Não Conta Lá em Casa’ agora mostra a Chechênia. É uma excelente chance para você conhecer um pouco mais de uma outra faceta da Rússia da qual pouca gente fala ou vê.

Como digo sempre, todos repetem os clichês ‘eles são malvados, sequestram, são terroristas, é o pior lugar do mundo’. Como aquele Alexander que aparece no programa, que, na minha opinião, é uma tremenda bola fora em termos de opinião válida, ou uma tremenda bola dentro, em termos de mostrar exatamente a opinião comum entre russos étnicos sobre o Cáucaso. É o famoso ‘homem-clichê’.

Bom, a Chechênia, hoje, é isso aí que você está vendo. Uns 10 anos atrás, Grozny, sua capital, era uma coisa só: escombro. Após duas longas guerras, de 1994 a 1996 e de 1999 a 2009, pouco havia sobrado. Ninguém entrava nem saía se não fosse local ou militar russo. Rodando pela região, eu via caças russos cortando os céus dia e noite, ouvia as explosões e, todas as noites, era um cenário de ‘Guerra nas Estrelas’, seguia os pontos vermelhos e azuis cruzando o fim do horizonte. Surreal era ver e ouvir isso, enquanto a vida se desenrolava tranquilamente em lugares como a Ossétia do Norte ou a Inguchétia, a poucos quilômetros do problema.

Mas hoje é isso aí. Uma cidade em reconstrução, limpa, arrumada. O clima do programa me pareceu tenso, lógico, com uma guerrilha separatista vivendo nas montanhas e aterrorizando a gente de bem, não dá para brincar. Mas, como vemos, é um país de gente boa, animada, extremamente receptiva com hóspedes, de sorriso fácil e com muitas cicatrizes históricas.

O presidente checheno, Ramzan Kadyrov, está no centro de tudo de bom e de ruim que acontece por lá. Ele herdou o poder após a morte do pai, Ahmad, durante um atentado em um estádio, em 1995. Ahmad é, para os chechenos, ou um traidor, ou um heroi. Ame ou odeie. Após deixar o movimento separatista e aliar-se ao Kremlin, ganhou carta branca para fazer o que quisesse. Depois da sua morte, seu filho, após completar 30 anos, idade mínima para exercer o cargo, segue seu legado. Ramzan, ao mesmo tempo que parece fazer um trabalho notável na reconstrução do país e aniquilação da guerrilha, segue a mesma linha ditatorial de Putin, ao criar inúmeros meios para permanecer eternamente no poder. Enfim, uma figura extremamente complexa, ao mesmo tempo que simplória em sua tirania.

Chega de papo, vamos conferir a Chechênia. Tomara que seja o bastante para vocês mudarem alguma coisa da opinião de que ‘somente idiotas’ vão para o Cáucaso.

5 COMENTÁRIOS

  1. Há alguns meses assisti alguns videos no youtube nos quais mostravam casamentos chechenos. A maioria apresentava carros de luxo, tiros de fuzil para o alto, homens fardados escoltando os participantes, e outros comportamentos estranhos, que me fizeram pensar se tratar de uma mafia ou grupo ligado ao presidente/rebeldes. Mas depois um chechêno me explicou que a região tem uma tradição bélica muito forte e que atirar para o alto é um costume de celebração. Me surpreendi com a cidade, fiquei de boca aberta assim como os apresentadores, bem melhor que o Rio em termos de infraestrutura. O único partido que o Kadyrov defende é o dele mesmo, mas se ele não dançar conforme a música, a chechênia nunca se livrará dos rebeldes. Alias, esses rebeldes são grupos independentes ou são apoiados e estruturados pelo Taliban e Al-qaeda?

    • Boas Guilherme,
      Pela sua história, não só os chechenos têm hábitos cotidianos bastante beligerantes. Todos os povos do Cáucaso são assim, desde a infância. O que parece estranho para a gente, é muito mais uma questão de sobrevivência para eles.
      Não, não é melhor que o Rio, nem de longe. É uma cidade tensa, insegura e muito, muito pequena, sobretudo se vc levar em consideração o tamanho da área ‘desenvolvida’.
      Recomendo uma leitura dos livros da Anna Politikovskaya para entender um pouco melhor. Os textos do sociólogo Georgi Derlugian também são ótimos.
      E, embora muito tenha se ventilado que eles são apoiados por organizações terroristas como a Al-Qaeda, isso é muito improvável. O mais certo é que sejam organizações pequenas. Até pq o islã que praticam é altamente condenado por outros países muçulmanos.
      Mas sim, é um universo fantástico e fascinante, além de um lugar com gente muito boa e paisagens incríveis!
      Abraço!

  2. Fabrício, sensacional. Esse é o melhor site que eu já acessei na minha vida. Se o vídeo fosse um filme, todo mundo choraria. Tenho que ser honesto, essa história e tudo mais, no final eu bem que fiquei bem sentimental.

    Abraços

  3. Sou Portugueas… estou com o Povo Georgeano… Fore7a… ne3o desistem. Lutem pela deccrmaoia, paz e amor entre os povos..E que o povo Ukre2niano fae7a o mesmo… basta de ditadores, de xulos do povo. O mundo e9 sf3 um… e9 de todos, ne3o sf3 de sf3 alguns. Viva e1 paz, ao amor, a liberdade, a amizade entre os povos.PS: Povos democraticos ajudem a Georgia… O seu povo… tudo tem limites… chega… A guerra que seja a ultima solue7e3o, mas se assim for que lutamos pela paz, amor e amizade do mundo entro os povos.

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