‘Não conta lá em casa’ na devastada Ossétia do Sul

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Ontem foi dia de viajar pela outra Rússia, aquela sem Kremlins ou loiras em baladas de rico, no ‘Não Conta Lá em Casa’. A bola da vez é a Ossétia do Sul, devastada por uma guerra em 2008 que opôs, mais uma vez, Rússia e Geórgia.

Como a gente já falou um monte sobre guerra e história no último post, hoje eu vou tentar falar de uma coisa muito mais legal: comida. Não que eu saiba receitas da comida ossetina, mas, como convivi muito tempo com esse povo gente finíssima, aprendi, ao menos,quais os pratos, do que são feitos e, mais importante, como comer.

Então, aqui está o vídeo. Se quiser ler um pouco mais sobre o que viu na mesa – a culinária osseta – tem uns parágrafozinhos abaixo. Confira a viagem, que acabou com um mergulho na represa zonkarskoe.

Para começo de conversa, fiquei orgulhoso que a turma traçou tudo, bonitinho. Mas depois o @FelipeUFO confessou que não comeu a carne. Pecado mortal, recusar comida no Cáucaso. Eu já repeti várias vezes aqui: lá há um ditado que diz ‘o convidado é um santo’. Eles preparam tudo para você, botam o que há de melhor na mesa. Melhor comida, melhor vinho, melhor água, melhor vodka. Sugestão? Evite recusar. Respira fundo, reza e come. Eles sempre andam com um baita punhal na cintura… heheheh!

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Bom, ali, à mesa, a gente vê três elementos básicos: o osetinskii pirogi, o baran e o pelmeni osetino, além do vinho feito em casa, do araká e da água mineral. O osetinskii pirogi eu traduziria como ‘pastelão ossetino’ ou ‘torta ossetina’. É feita do delicioso queijo ossetino (produzido com leite de ovelha ou de cabra), que é seco, salgado e é a base da culinária local desde tempos idos. A ‘torta ossetina’ pode ser de vegetais, só de queijo ou de carne. O baran é o bode, como nós conhecemos, assado, temperado e delicioso. O pelmeni ossetino é uma espécie de capeletti sem molho, feito só na água, em forma de trouxinhas. Tudo muito delicioso!

Num banquete ossetino, a mesa é farta. Como tudo é feito com queijo de cabra/ovelha e carne, fica muito, muito pesado. Sem contar o sal… Some-se a isso os brindes com araká – bebida tradicional feita de grãos de milho – e o vinho caseiro, e você tem um dia ou uma noite inteira de comilança e pança cheia.

Sobre as tradições, eu lembro de algumas. Sempre, sempre, nas mesas, os pirogis (ou pastelões), são servidos de 3 em 3, simbolizando os três elementos que dão vida ao homem: o sol, a água e a terra. Em caso de funerais, só são servidos dois, já que algo está faltando… Antes de se servir, há sempre um brinde. E os ossetas têm uma dezena de falas tradicionais. Em cada um, erguem-se os copos, fala-se o brinde em osseta e em russo, caso haja convidado. E este também é convidado a brindar na língua que quiser. Logo depois, vira-se o copo inteiro, seja vinho, vodka ou araká. Nada de bebericar ou ficar dando bicadinhas…

Ainda sobre as bebidas, tradicionalmente, um osseta nunca bebe sem motivo. Seja uma festa, casamento, feriado ou recepção a hóspede, é preciso uma boa razão para beber. E, aliás, beber até cair é muito, mas muito mal visto por lá. Você bebe até seu limite. E é incrível como todos fazem isso. Não lembro de ter visto ninguém cair de bêbado por lá.

Vale citar também a água mineral do Cáucaso. Eles dizem lá que é uma das melhores do mundo, tem propriedades medicinais e pode ser bebida virtualmente em qualquer lugar. Eu sempre ficava meio cabreiro, mas depois me acostumei. E fato: é deliciosa e eu não fui contaminado por nenhum parasita. No fim do vídeo e na penúltima foto, você vê os caras bebendo água dum cano. Aposto que estava deliciosa!

No Iriston, você encontra algumas receitas da culinária osseta (em russo). Além de muita coisa sobre a cultura deles. Recomendo uma visita!

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