Negar vitória da URSS na II Guerra poderá dar cadeia

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Sergei Shoigu, ministro das situações de emergência da Rússia, lançou uma sugestão polêmica no cenário político-histórico russo: punir quem negue a vitória da União Soviética na II Guerra Mundial. Nos mesmos moldes das leis que fazem o mesmo em relação ao Holocausto judeu. Em entrevista ao ‘Pravda’, Shoigu foi enfático: “Os presidentes de muitos países e prefeitos de cidades iriam pensar duas vezes antes de negar o papel da URSS e destruir monumentos soviéticos. E não ficariam em nosso país impunemente’.

O ministério público da Rússia já se mostrou preparado para tomar as rédeas da idéia e o projeto parece que vai mesmo adiante. Anatoly Kucherena, oficial do MP do país, endossou as declarações de Shoigu. ‘Muitos políticos negam a vitória soviética em medidas populistas e de olho em lucros eleitoreiros”, declarou à agência Interfax.

E Vladimir Zhirinovsky, o folclórido líder do partido ‘Russia’, já adiantou que todos no parlamento russo endossam a idéia e, caso vire projeto de lei, deverá ser aprovado rapidamente pelo legislativo. “Negar eventos históricos é uma nova forma de guerra fria. Milhões de conterrâneos nossos morreram, e agora eles querem dizer que não houve nada?”, disse Zhirinovski.

A idéia, ao contrário do que muitos podem pensar, não desmerece o assassinato de quase 7 milhões de judeus pelas forças do Eixo. Mas é uma tentativa russa de legitimar o espólio histórico da ex-União Soviética e proteger a parte da memória que interessa.

Praticamente um terço dos 75 milhões de mortos no conflito era de soviéticos – cerca de 25 milhões – cifra assustadora que muita gente desconhece. E, somadas ao total de vidas chinesas perdidas (20 milhões), chega a absurdos 55 milhões de almas em APENAS DOIS PAÍSES: China e URSS.

Em 12 nações europeias, negar o Holocausto judeu (shoah, em hebraico) é crime com punição de até cinco anos de cadeia. E em outros tantos países pelo mundo, também. Basta lembrar o caso recente do bispo inglês expulso da Argentina por negar o genocídio. Por outro lado, o que mais foi visto, após a queda da URSS, foi a destruição de monumentos que lembravam a vitória soviética.

Vem polêmica braba por aí.

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