Nevasca histórica, 1700km de trânsito e dicas contra o frio

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É o frio. Ontem, segundo os institutos de meteorologia, muitas cidades da Rússia tiveram a maior nevasca dos últimos 130 anos. E, provavelmente, da história, já que, vai saber, como essas coisas eram medidas no tempo do onça. A média de temperatura foi de -22ºC com sensação térmica na casa dos -30º. Bom, o fato é que, quem mora lá, esta comendo o pão que o ‘chert’ amassou. E congelou. Se você é brasileiro e planeja conhecer a Rússia, é melhor pensar duas vezes. Com esse frio, tudo pode acontecer. E o que é pior, pode não acontecer.

Para se ter uma ideia do que aconteceu, ontem a capital russa parou. De acordo com o nosso índice ‘Yandex. Probki’, uma espécie de CET de lá, que mede o a fluidez do trânsito, foram 1700 km de trânsito parado em Moscou, quase a mesma distância de Moscou até Ekaterinburgo – para efeito de comparação, o recorde de SP gira em torno de 300km.

E o tão eficiente metrô também foi a nocaute: as estações ficaram absolutamente lotadas, já que os trens circulavam com intervalos de até 20 minutos, quando o normal é 90 segundos… Os aeroportos também funcionaram ao ‘Deus dará’: quando a pista era limpa e a nevasca dava uma trégua, eles despachavam o máximo de aviões possível. Voltou a cair gelo, fecha tudo de novo.

Sei que essas dicas são lá meio inúteis, já que poucos vão experimentar esse frio ao menos uma vez na vida, que dirá viver sob ele. Mas coletei aqui e ali umas info interessantes sobre como viver nesse ambiente para lá de inóspito.

Para começo de conversa, você deve estar se perguntando: as coisas funcionam? A resposta é: sob essa temperatura, não. Eletrônicos, coisas mecânicas e hidráulicas congelam a partir de -20ºC. Então, se você viajar e pegar esse frio, nada de sacar a máquina digital ou analógica, MP3 players, kindles e afins. Fundamentalmente, graças às baterias de íon-lítio, que perdem a propriedade abaixo de 5º em questão de minutos – baterias de níquel-cádmio, no entanto, têm resistência maior.

Outro problema para os aparelhinhos eletrônicos são os CIs – circuitos integrados. Potenciômetros, resistores e mesmo as soldas tendem a queimar/abrir quando você tenta ligar seu aparelho num ambiente de temperatura negativa. Ora, ele vai pular de -10 para +30. E eles não foram feitos pra isso. Logo, se você precisa usar seu note, chegue a algum lugar quente, espere uns minutos e mande brasa.

Já os celulares têm outro problema, além da bateria: o teclado. Seus contatos são de cobre, que perde a flexibilidade/contato abaixo de zero. Novamente, espere alguns minutos antes de usar. Como via de regra, quanto mais caro é seu ‘gadget’, menos chance ele tem de funcionar no frio. Se até seu chiclete vai para o espaço com essa temperatura, imagina seu MacBook…

Carros requerem cuidados especialíssimos. Os russos não lavam seus carros – ou lavam muito raramente – nessa época. A variação brusca de temperatura detona a pintura, a cera, os vidros e qualquer acabamento de borracha ou plástico. Afinal, a água estaria a, no mínimo, 10º, enquanto o ambiente, a -20º. Um deltaT de quase 30º, isso descontando o ‘negativo’.

Outro ponto crucial é a bateria. Seus elementos são placas e uma solução de ácido sulfúrico e água que, obviamente, pode congelar ou perder dramaticamente sua propriedade. Logo, ligar o carro direto pode decretar seu fim. O jeito é virar a chave para a posição 1, aquela que só as luzes ficam acesas. Depois de alguns segundos, dê a partida e fique alguns minutos parado.

Mais um fator decisivo é a gasolina. Essencialmente, não deixe ela chegar na reserva. Aliás, nem confie, pois o medidor pode não entender a compressão de volume com esse tempo. Sem contar que as impurezas do fundo e eventual cristalização de uma gasolina menos pura, aquela que fica no fundo do tanque, pode entupir o sistema de injeção – ou carburador, no caso dos Zhigulis. É tanque cheio. E com gasolina de qualidade. E não deixe entrar muito ar no tanque.

Ao abastecer, tente fechar o máximo possível do tanque com um pano, enquanto coloca a bomba. Ar frio no tanque = cristais de gasolina = carro parado. Aliás, se o carro parar por conta disso, ou de algo relacionado ao frio, ache um estacionamento com aquecimento e relaxe alguns minutos. Deve ser suficiente para o que quer que esteja deixando seu carro moribundo sumir.

No próximo post, vou falar sobre como cuidar de uma máquina um pouco mais avançada sob essa temperatura: o corpo.

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