No ombro dos gigantes: Rússia e Brasil se aproximando

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Não é todo dia que eu, matuto que sou, sento ao lado de gente tão poderosa assim. Isso aconteceu na última segunda-feira, aqui no auditório da Firjan, no RJ. Um evento para estreitar os negócios entre Brasil e Rússia reuniu muita gente boa, representante de um bocado de empresa peso-pesadíssimo.

E foi bom para aprender uma coisa. Até hoje, eu sempre me perguntei qual o motivo pelo qual a Rússia não se faz mais presente no nosso vasto mercado? Afinal, eles são vanguarda em uma pá de áreas, têm tecnologia de ponta e preços competitivos. Seria política? Estigma da ‘geração URSS’? Dificuldade com a língua? Distância? Bom, o sr. Gilberto Ramos, da Câmara Brasil-Rússia ensinou: o problema é comunicação. Os russos não trabalham a marca. Afinal, o que os empresários brasileiros pensam sobre fazer negócios com a Rússia? Nada. Eles simplesmente desconhecem.

Mas acho que o dia que isso vai mudar está perto. Pelo que vi, a parceria vai engrenar já, já. Ambos os países estão se estudando profundamente. Europeus, Asiáticos e Americanos que abram o olho. A hora que a turma das estepes chegar…

Evento na Firjan - foto Antonio Batalha

Como eu dizia acima, não é todo dia que você está entre os ‘deuses’. Entre o diretor da Gazprom Brasil e a cadeira vazia, ocupada pela diretora do Departamento das Américas do Ministério do Desenvolvimento Econômico da Rússia, este que vos fala, trabalhando seriamente.

Dá uma lida na matéria para a Gazeta Russa aqui.

Evento no RJ busca aprofundar negócios entre Brasil e Rússia

Empresários russos e brasileiros se reuniram nesta segunda-feira no auditório da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) para o seminário “Oportunidades para o desenvolvimento dos negócios entre Rússia e Brasil”, que contou ainda com a participação da Câmara Brasil-Rússia e representantes do consulado russo no Brasil. O evento tem como objetivo aprofundar as relações comerciais entre os países nas áreas de combustíveis, eficiência energética e preservação dos recursos.

“Esperamos que o evento de hoje seja o primeiro passo para a construção de contatos para projetos concretos. Não queremos que o evento fique apenas na memória. Queremos que se estenda para parcerias futuras”,diz Veronica Nikíchina, diretora do departamento das Américas do ministério do Desenvolvimento Econômico da Rússia, que ressaltou ser um desejo antigo do país diversificar os negócios com o Brasil, até então limitados a alguns mercados primários – como alimentos e produtos agrícolas –, e investir na cooperação no mercado de alta tecnologia.

Dmitri Lobkov, diretor do GCE Group, a principal consultoria energética para empresas russas que operam no Brasil, é direto ao ser perguntado sobre a principal dificuldade para entrar no mercado brasileiro: “Estamos sendo discriminados por sermos uma empresa russa. Nós somos muito fortes no setor energético”. Para Lobkov, muitas vezes o problema não pode ser resolvido através de lobby ou de uma atuação mais efetiva da diplomacia russa. “É questão de Polícia Federal”, encerra.

Por outro lado, para Gilberto Ramos, presidente da Câmara Brasil-Rússia de Comércio, Indústria e Turismo, esses problemas decorrem, em sua maioria, da dificuldade dos russos em promover sua imagem no Brasil. “Não é preconceito, é desinformação. Existe um conceito prévio por conta de um mundo bipolar que se viveu durante décadas, durante o qual nosso antagonista era o bloco liderado pela União Soviética.” Para Ramos, exatamente por nunca ter havido um cuidado de se trabalhar a imagem institucional das empresas russas, que possuem “qualidade técnica inigualável” e “preço altamente competitivo”, muitas vezes os russos são preteridos. “Em todas as áreas eles são vanguarda. A questão é informar”, explica o presidente.

O seminário teve ainda apresentações curiosas como a da empresa Locomosky, que oferece soluções logísticas com dirigíveis, e exposições tecnicamente impressionantes, como a da Power Machines, uma das maiores fabricantes de turbinas no mundo. Enquanto isso, na plateia do evento, Shakarbek Osmanov tecia comentários em voz baixa e parecia analisar tudo. Exatamente como sua empresa, a gigante Gazprom, parece fazer com o mercado brasileiro.

3 COMENTÁRIOS

  1. Prezado Fabrício,
    Três pontos:
    – Realmente, os russos não estão mais a frente do que poderiam porque não querem. Noto que não é, de jeito nenhum, incapacidade deles no território nacional (se fosse, era só pagar alguém entendido no setor deficiente e estava resolvido). Parece ser cultural. Não estão nem aí.
    – Um exemplo, mundial, é na indústria aeronáutica militar: são atacados há anos, por um suposto pós-venda ruim (falta de peças de reposição), no caso dos exportados caças Sukhoi e MiG na Ásia, e não tomam atitude nenhuma. Não se defendem. Eu saberia exatamente o que fazer…
    – Rapaz, quantas Câmaras de Comércio Brasil-Rússia existem nesse país varonil? Essa, a .org.br, tem aparecido mais ultimamente…

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