‘Nova Rússia’ vira série em jornal do horário nobre

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Engarrafamentos, alcoolismo, população decrescente, cinema encantador, futebol emergente e pólo de educação. Sob essas seis perspectivas, o Jornal da Record exibiu, no final do ano passado, uma série interessante de reportagens feitas na Rússia. Meu pai vem comentando comigo sobre as matérias já desde sua exibição – assim como amigos e conhecidos, que comentaram comigo – até que, enfim, localizo todas no portal R7 e vou postar todas elas nos próximos dias.  (Você pode ler a apresentação aqui.)

Vinícius Dônola e Jean Ribeiro passaram 10 dias no país, naturalmente, já pautados desde a saída do Brasil. Não sei qual a experiência prévia da dupla com o país, mas também não dá pra esperar uma análise profunda. Afinal, é um telejornal que fala com todas as classes e todos os níveis de conhecimento. Ou seja, é preciso ser universal – nem tão profundo, nem tão superficial. A vantagem de não se sentir tanto ‘insider’ é realmente essa: poder analisar com um olhar mais criterioso, sem estar muito envolvido.

Na primeira matéria da série que vou postar aqui, Dônola e Ribeiro falam do assustador decréscimo da população russa, que fica 0,5% menor a cada ano. Ou seja, até 2050, o número de habitantes pode cair de 140 milhões para 100 milhões. São dados já amplamente divulgados e que criam um pânico no governo desde 1995, quando o encolhimento populacional foi constatado. Afinal, 40 milhões de pessoas é o número de habitantes da Argentina, por exemplo.

Ao ilustrar o suposto subsídio que ‘mães solteiras’ ganham do estado, Dônola, no entanto, dá uma vacilada na etiqueta, tratando sua entrevistada de ‘Nastya’. Afinal, ‘Nastya’ é uma abreviação , um apelido carinhoso de Anastasya. Ou seja, como entrevistar alguém no centro de SP e chamá-la de ‘Sussu’, ‘Lulu’, ‘Bibi’…

E o tal ‘subsídio governamental’ para mães solteiras do qual ‘Nastya’ fala já está em vias de extinção há anos. Se alguém ainda recebe, para novas crianças, é privilegiado. Segundo estudos do Banco Mundial, mais de metade das mães solteiras da Rússia hoje mora com os pais e recebe ajuda dos mesmos. A ‘pensão’ que elas recebem do governo seria algo como a nossa licença maternidade, que lá se chama ‘dekret’. A mulher sai de licença e pode optar em ficar alguns meses ou alguns anos fora, recebendo pelo governo. Nos tempos da União Soviética e até o fim dos anos 1990, as mães solteiras, de fato, recebiam incentivo do governo, pensão, casa, creche, auxílio-alimentação. Mas hoje, a coisa realmente complicou. Para mais info, vale ler esse dossiê aqui sobre o tema, feito pelo Banco Mundial, preparado no ano 2000:

Um aspecto determinante da queda populacional russa é, sem dúvida, a ridícula estimativa de vida do homem russo: apenas 59 anos. Dez anos a menos que no Brasil, 16 a menos que nos EUA e Europa e 20 a menos que no Japão. Ou seja, se a expectativa de vida do russo é de 59 anos, a ideia é que sua saúde já esteja bem degradada aos 40. E como, na média, os russos casam entre 25/30, majoritariamente, a perspectiva é, realmente, desanimadora, quando o assunto é reprodução. E os motivos dessa pífia perspectiva? Alcoolismo, doenças, frio, depressão, êxodo populacional…

Mas, no fim das contas, o que é mesmo relevante é o decréscimo de 30 milhões de consumidores, que tem papel determinante na economia e, consequentemente, no crescimento do país. Trata-se de 1/4 a menos na receita potencial de mercado e PIB. A equação é simples: menos gente = menor potencial de geração de valor. E isso, na esfera macroeconômica do país, que almeja atingir índices europeus de desenvolvimento, é simplesmente desastroso.

Confira aqui o vídeo com a matéria:

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